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Samuel Pinheiro Guimarães: é ilógico dizer que os países desarmados ameaçam a paz

Publicado por Márcia Silva em 03/28/2010

do portal do Cebrapaz

23/03/2010
Ex-número 2 do Itamaraty e sucessor do ministro Mangabeira Unger na Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães ataca “potências nucleares que não cumprem o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)”, mas exigem de países desarmados, como Brasil e Irã, “o estrito respeito de suas obrigações”.A dois meses de duas grandes cúpulas sobre a questão nuclear, uma em Washington, outra em Nova York, um dos ideólogos da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva questionou a decisão brasileira de aderir ao TNP, em 1998. Em entrevista neste domingo (21) ao jornal O Estado de S.Paulo, ele também afirmou que nem um compromisso dos poderosos em reduzir significativamente seus arsenais poderá fazer o Brasil assinar o chamado “protocolo adicional” do tratado.Guimarães coordena atualmente o esforço interministerial para conduzir o programa nuclear brasileiro. Tentando se esquivar de questões sobre política externa (“Não me ocupo mais disso”), o ministro deu sua opinião sobre a suposta “partidarização” do Itamaraty e negou acusações de envolvimento na crise hondurenha.

Por que o Brasil não assina o protocolo adicional do TNP?
O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo e o conhecimento completo do ciclo de enriquecimento. Nossa Constituição obriga o uso de tecnologia nuclear somente para fins pacíficos e é preciso lembrar que o TNP, do qual somos signatários, tem duas partes. De um lado, o compromisso dos países nucleares de promover seu próprio desarmamento – e completo. De outro, países não nuclearmente armados se comprometem a não desenvolver a bomba, mas têm o direito a programas para fins pacíficos, incluindo com enriquecimento de urânio. A primeira parte do TNP não foi cumprida, mas os desenvolvidos exigem dos outros o cumprimento estrito de suas obrigações.

O presidente Barack Obama prometeu cortes drásticos nos arsenais americanos. EUA e Rússia estão prestes a concluir um acordo que substituirá o Start e terá reduções significativas, e nos próximos meses haverá duas cúpulas sobre o tema. Há sinais claros de desarmamento. Isso não pode mudar a posição brasileira?
Mas existe ainda outro problema, a da redução de ogivas e de aperfeiçoamento da letalidade do armamento. Deveríamos ter um protocolo adicional para países que continuam a desenvolver armamento nuclear e não cumprem suas obrigações. Quem não cumpre o TNP não tem moral para cobrar os outros. Sem contar que há países armados dos quais não se exige nada, muitos nem signatários do TNP são.

O sr. se refere a Israel?
Tire suas conclusões.

O sr. já escreveu que o “TNP é apresentado como uma vitória pacifista e progressista”, mas na verdade trata-se de “uma violência unilateral”. O sr. mantém essa visão?
Usei essa expressão “violência unilateral”? Estranho. De todo modo, o TNP visa impedir uma guerra nuclear, não apenas a “proliferação horizontal”. Não se pode partir do princípio de que são os desarmados que ameaçam a paz internacional. Isso não é lógico.

O país aderiu ao pacto sob o governo de FHC. Foi um erro?
O Brasil, já em 1998, era um dos poucos que tinha em sua Constituição a obrigação de desenvolver atividades nucleares apenas para fins pacíficos. Só se justifica nossa participação no TNP na medida em que potências nucleares reduzam e eliminem arsenais.

Mas o sr. não se arriscaria a dizer que foi um erro assinar o tratado.
Não é que não me arriscaria. Mas é preciso observar a Constituição. E qualquer tratado em que o Brasil não esteja em igualdade de condições não corresponde ao princípio de igualdade soberana entre os Estados. O TNP é um tratado desigual.

Existe, então, a possibilidade de o Brasil denunciar o tratado?
De maneira nenhuma.

O sr. disse que quem não cumpre o TNP não tem “autoridade moral” para exigir dos outros. O presidente Lula usou uma expressão semelhante para se referir ao caso iraniano, disse que as potências “não tem superioridade moral para cobrar o Irã”.
Eu concordo com o presidente. E lhe acrescento: antes da segunda guerra do Iraque (em 2003), foi propalado em todos os países que Bagdá tinha armas de destruição em massa e, por isso, seria uma ameaça internacional. Diziam que armas iraquianas destruiriam capitais europeias em segundos. O sr. Colin Powell (então secretário de Estado dos EUA) discursou com fotos no Conselho de Segurança da ONU. O Iraque foi invadido e não foi descoberta nenhuma arma de destruição em massa. Isso dá moral a alguém?

Mas o caso do Irã é muito distinto do iraquiano. Hoje sabe-se, por exemplo, que iranianos esconderam uma usina nuclear por anos na cidade de Qom. O sr. realmente acredita que Teerã negocia de boa-fé?
Não participamos diretamente das negociações. O Brasil acredita no diálogo e defende que o uso da força é improdutivo. Não podemos partir do princípio de que há países responsáveis e outros irresponsáveis. Mas não quero falar de política externa, quem se encarrega disso é o Ministério das Relações Exteriores.

Em 2001, o então chanceler Celso Lafer o destituiu do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty depois que o sr. veio a público criticar a Alca. Como o sr. vê, hoje, esse episódio?
Cumpri o que achei que devia fazer. Julguei que se tratava de um momento de perigo à soberania brasileira. Por isso dei minha opinião.

Ao olhar para trás, o sr. acredita que essa posição foi correta?
Corretíssima. A adoção de um acordo como Alca – com tarifas a zero, impossibilidade de controle de fluxo de capitais, total abertura – teria levado, por exemplo, à privatização de todo sistema financeiro. Privatizariam o BNDES, Banco do Brasil, Petrobrás; instrumentos que foram de grande importância na crise financeira.

Há muitos anos, um sociólogo brasileiro disse: “o Brasil não é mais um país subdesenvolvido, é um país injusto.” (A frase iniciava o plano de governo de FHC). Esse pensamento denota que podemos ter políticas econômicas de países desenvolvidos. Isso tem uma implicação horrível do ponto de vista de conhecimento da realidade.

A política externa está excessivamente partidarizada? Como o sr. vê, por exemplo, o fato de o chanceler Celso Amorim ter se filiado ao PT?
Outros chanceleres foram de partidos. Ou não? Nesse Ministério das Relações Exteriores, nenhum funcionário que exerceu cargos importantes em outros governos foi prejudicado. Basta ver onde estão servindo. Não houve perseguição.

Há ex-funcionários que fazem forte oposição, como o embaixador Rubens Barbosa.
Mas esses são aposentados. E têm todo direito de fazer oposição. Eu não tenho oposição à oposição (risos). Esse é um debate saudável e o fato de ele ter crescido reflete o próprio êxito da política externa. Não se discute tema desimportante.

O ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda afirmou que foi o sr. quem arquitetou a volta do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras.
Não conheço o ex-chanceler. Nunca o vi na minha vida e não tenho a menor ideia de onde ele tirou isso. Se me lembro bem do texto, ele diz algo como “isso (a volta de Zelaya) é algo que só pode ter saído da cabeça de Pinheiro Guimarães”.

E o sr. avalia que o retorno de Zelaya foi bom para Honduras?
Não falo de política externa.

Atualizado em ( 23/03/2010 )

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Malvinas: Mopassol defende “descolonização” do Atlântico Sul

Publicado por Márcia Silva em 02/27/2010

do portal do cebrapaz

 
26/02/2010
A organização argentina Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (Mopassol) condenou a recente escalada militar do Reino Unido na região das Ilhas Malvinas. O protesto da entidade foi divulgado nesta quinta-feira (25), através de uma nota assinada por sua Mesa Diretiva.A declaração faz um apelo também a entidades irmãs: “Na luta pela paz na região, em defesa da soberania nacional e de nossos recursos naturais, para conquistar a descolonização de nossas Malvinas e dos outros arquipélagos usurpados no Atlântico Sul, entendemos que é vital que as organizações populares se pronunciem nesse sentido, condenando energicamente os atropelos da Coroa Britânica e os planos agressivos da Otan, assim como a presença da IV Frota de Guerra dos Estados Unidos em nossos mares”.

Confira abaixo a íntegra da nota do Mopassol.
Frente à pirataria britância
Em defesa de nossa soberania e dos recursos naturais do povo argentino. Pela paz e pela descolonização dos arquipélagos usurpados no Atlântico Sul

O Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (Mopassol) condena energicamente o novo ato de usurpação cometido pela Grã Bretanha em nossas Malvinas e conclama as forças populares a se pronunciarem ativamente em defesa de nossa soberania e dos recursos naturais que pertencem ao povo argentino.

Ao negociar com grandes empresas estrangeiras a concessão de licenças de exploração de petróleo num territótio atualmente em disputa de soberania — como vem acontecendo também a respeito da pesca —, a Coroa Britânica realiza uma ação ilegal e fragrantemente violadora das resoluções das Nações Unidas sobre os arquipélagos dos mares do Atlântico Sul. Essas resoluções instam ambas as partes a iniciar negociações para resolver a disputa, pondo fim a uma ocupação colonial que persiste desde o século 19, enquanto se privam de qualquer ação unilateral que torne o conflito mais agudo.

Mas a Inglaterra se nega sistematicamente a cumprir esse mandato da comunidade internacional e continua realizando ações francamente agressivas, das quais uma das mais graves é a construção, na Ilha Soledad, da base aeronaval de Mount Plasant, uma grande fortaleza militar com mais de 2 mil efetivos permanentes, à cuja manutenção a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) dedica 7% de seu orçamento global. Uma semelhante inversão, por parte da organização militar sob o mando dos Estados Unidos — que encabeça há 60 anos as aventuras bélicas contra os povos da Terra —, deixa bem às claras para que lhe serve a fortaleza Malvinas: não para defender os 2.500 kelpers que povoam as ilhas,  mas, sim, para custear os planos imperialistas de domínio do mundo e seguir saqueando a nossos povos.

Nessas circunstâncias, o Mopassol reafirma sua convicção — expressada em numerosos documentos dos últimos 30 anos — de que é necessário seguir lutando pelo desmantelamento da Fortaleza Malvinas e pela abolição de todas as bases militares estrangeiras instaladas na região; exigir o cumprimento das resoluções da ONU que tendem a fazer do Atlântico Sul una zona de paz e cooperação; e apoiar as negociações pacíficas encaminhadas para resolver o conflito. Leia o resto deste post »

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América Latina se arma para se defender do Império”

Publicado por Márcia Silva em 09/10/2009

do portal vermelho

 O grande teórico militar O grande teórico militar Karl von Clausewitz insistia que a guerra moderna é “a continuação da política por outros meios”. Com isso, o general prussiano postulava que a guerra é “um ato político” e, como tal, “se constitui em um ato de força que se leva a cabo para obrigar o adversário a acatar a nossa vontade”. Por Carlos Rivera Lugo*, no Rebelión

 A Nossa América enfrenta hoje um novo desafio geopolítico: responder às recentes ações protagonizadas pelo império estadunidense para ampliar a sua capacidade de mobilidade e ação militar ao sul do Rio Bravo.

 Desde a ativação no ano passado da Quarta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos – encubida de patrulhar os mares em torno da América do Sul -, até a expansão da presença militar dos EUA na Colômbia – mediante a entrega para seu controle de fato de sete bases que lhes proporcionarão uma plataforma ampla e poderosa de onde operar em função de seus interesses geoestratégicos na região -, entre outros fatos, Washington proclamou a sua verdadeira intenção imperial para a região, para além dos artifícios retóricos de seus governantes de turno.

 Unido aos dispositivos atuais de intervenção que integram sua rede de bases em outros países da região e à falta de resposta convincente ao golpe de Estado de Honduras, o governo dos Estados Unidos insiste em recuperar sua incontestável hegemonia histórica na Nossa América e, para isso, implementa uma estratégia de contenção e reversão das tendências significativas de mudança em direção a uma maior independência política e econômica. Leia o resto deste post »

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