do site do CEBRAPAZ
FSM: Para presidente participação do Cebrapaz fortalece o movimento contra a guerra
Por Daniele Nascimento*
Em entrevista concecida à redação do Cebrapaz, Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz (CMP), fala sobre questões debatidas na Tenda da Paz durante a realização do último Fórum Social Mundial, realizado em Belém do Pará.
Veja abaixo a íntegra da entrevista de Socorro Gomes.
E:Como você avalia a participação do Cebrapaz no Fórum Social Mundial?
SG:Na minha opinião, a participação do Cebrapaz foi muito importante. Fortaleceu-se o movimento contra a guerra, pelo fim imediato das ocupações, a determinação de lutar pelo desmantelamento das armas nucleares; e a grande manifestação de apoio e solidariedade ao povo palestino. A dor, a indignação e o total repúdio à política sionista de Israel na Palestina. Os abaixo-assinados peticionando o julgamento de Israel por crimes de Guerra foram assinados por milhares de participantes do Fórum Social mundial… A militância dialogou com outras entidades de outros países, participou das Assembléias contra a guerra e a militarização das relações entre os países. Realizamos conferências sobre as bases militares no mundo e lançamos um manifesto contra a quarta frota, uma afronta á soberania dos nossos países e uma tentativa dos Estados Unidos de semear o Terror e impedir o avanço da resistência antiimperialista na A. latina e Caribe.
O Cebrapaz procurou destacar a campanha contra a guerra imperialista como essencial para a própria sobrevivência da humanidade e a importância da militância pela paz.
Na Tenda da Paz realizamos um abaixo-assinado, um documento solicitando a petição formal junto ao Tribunal Penal Internacional para julgar Israel por crimes de guerra, debates – tivermos três eventos grandes – um em solidariedade à Colômbia, a necessidade e importância da paz e da democracia na nossa região (para o qual contamos com a presença de 500 pessoas), outro sobre o momento de extrema fragilidade que tivemos devido às ameaças imperialistas à paz, representadas pelas bases militares no mundo, e também do papel desempenhado pela OTAN na Europa, os Estados Unidos em toda a região e, principalmente, a 4ªFrota, que é uma ameaça grave a todos os países aqui da região.
E: Qual o principal legado deste Fórum de Belém?
SG: Pessoas, movimentos e lideranças conheceram um pouquinho do Brasil e da Amazônia, de seu povo, sua cultura, sua história.
Esta integração de movimentos de organizações e pessoas do mundo, discutindo a crise capitalista, a necessidade da construção de um mundo justo, de paz e fraterno e saudável e, portanto, foi positivo.
O Cebrapaz lançou um abaixo-assinado que pede a condenação de Israel pelas agressões contra a Palestina.
E: Qual a receptividade com que o mesmo foi recebido durante o Fórum?
SG: No lançamento do abaixo-assinado, na tenda da Paz, o Cebrapaz, abrigou uma série de movimentos e organizações (abrigamos a União de Mulheres Brasileiras, UNEGRO, CONAM, FEDIM, Federação Mundial da Juventude), enfim neste dia do lançamento da petição pela condenação de Israel a tenda ficou lotada e milhares de pessoas assinaram. Agora inclusive vamos disponibilizar a petição no sítio do Cebrapaz para várias pessoas assinarem. Diversas entidades no mundo também estão buscando o abaixo-assinado para que todos possam assinar.
E: Qual a saída viável para o conflito na Faixa de Gaza?
SG: A primeira é parar o genocídio, a chacina, o massacre que Israel vem fazendo contra o povo palestino. Também é necessário suspender os bloqueios e discutir, dialogar para que o povo palestino tenha, conforme estabelece a resolução da ONU, direito ao seu território, com liberdade e democracia, num Estado Palestino que tenha como sua capital Jerusalém Oriental.
O povo palestino vem sendo perseguido, humilhado e saqueado há décadas e o que ocorre na Faixa de Gaza não é de forma nenhuma uma guerra, trata-se de um massacre. Israel tem cometido inúmeros crimes, violando tratados internacionais, revelando-se um Estado terrorista, genocida que já assassinou mais de 1500 pessoas, sendo que dentre elas 1/3 são de crianças, numa demonstração inequívoca de sua determinação de varrer do mapa o território de um povo, e a humanidade não pode aceitar isso assim, sem fazer nada. Israel precisa ser julgado e condenado por seus crimes, pois são crimes contra toda a humanidade.
O ato mais importante organizado neste no FSM pelo Cebrapaz, em parceria com o CMP, foi o ato sobre a luta contra a militarização e as bases estrangeiras.
E: Na sua opinião, a América Latina está preparada para enfrentar a ameaça da 4ªFrota?
SG:As discussões de todos os países e movimentos presentes no FSM demonstram que há uma elevação no nível de consciência e indignação sobre essa questão. Diante disso, há tendência de crescimento das manifestações contra a 4ªFrota, porque o objetivo dessa 4ªFrota é justamente conter a luta dos povos da nossa região e saquear os recursos naturais de países e povos soberanos, aliás, esse sempre foi o objetivo do imperialismo estadunidense.
Por isso, é fundamental a luta contra a 4ªFrota. Nós estamos passando um abaixo-assinado que também será divulgado na internet, nos manifestamos contra a instalação da IV Frota.
E:A eleição de Barak Obama pode alterar os objetivos ou a ação da 4ªFrota?
SG: A eleição de Barak Obama foi uma derrota à política de guerra do Governo Bush, portanto, ele foi eleito graças ao sentimento do povo americano por mudança. Quanto a se ele vai mudar alguma coisa ou não, isso vai depender de atitudes como fechar a base de Guantânamo e entregá-la aos seus donos, o povo cubano; suspender de imediato o apoio a Israel na sua política genocida e retirar as tropas americanas dos territórios ocupados, ou seja, parar a guerra colonialista no Oriente médio… Quanto ao desmantelamento da IV Frota é fundamental que ele faça isso, pois seria uma demonstração de que ele não é hostil a América Latina, aos seus povos e seus governos.
Uma das características dos governos americanos é o uso de sua incomparável força bélica para a consecução de seus objetivos: domínio e saque de povos e países. Conforme já afirmaram vários governantes americanos, eles pretendem dominar o mundo. Mas não são invencíveis, isso já está mais do que provado, e sua política de guerra e terror pode ser derrotada. A melhor forma de derrotar o imperialismo é a luta dos povos e a América Latina está dando este exemplo. Através do avanço da consciência, da organização e da luta surgiram governos independentes que buscam integração soberana aqui na região com o objetivo de construir o seu destino, de maneira independente.
A América Latina tem se posicionado de forma quase uníssona que não aceita mais o domínio dos EUA, essa é uma demonstração de que é possível derrotar o imperialismo e construir um mundo de paz, esse é o objetivo dos militantes da paz.
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*jornalista