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Centro Brasileiro de Solidariedade aos povos e luta pela Paz

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Malvinas: Mopassol defende “descolonização” do Atlântico Sul

Publicado por Márcia Silva em 02/27/2010

do portal do cebrapaz

 
26/02/2010
A organização argentina Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (Mopassol) condenou a recente escalada militar do Reino Unido na região das Ilhas Malvinas. O protesto da entidade foi divulgado nesta quinta-feira (25), através de uma nota assinada por sua Mesa Diretiva.A declaração faz um apelo também a entidades irmãs: “Na luta pela paz na região, em defesa da soberania nacional e de nossos recursos naturais, para conquistar a descolonização de nossas Malvinas e dos outros arquipélagos usurpados no Atlântico Sul, entendemos que é vital que as organizações populares se pronunciem nesse sentido, condenando energicamente os atropelos da Coroa Britânica e os planos agressivos da Otan, assim como a presença da IV Frota de Guerra dos Estados Unidos em nossos mares”.

Confira abaixo a íntegra da nota do Mopassol.
Frente à pirataria britância
Em defesa de nossa soberania e dos recursos naturais do povo argentino. Pela paz e pela descolonização dos arquipélagos usurpados no Atlântico Sul

O Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (Mopassol) condena energicamente o novo ato de usurpação cometido pela Grã Bretanha em nossas Malvinas e conclama as forças populares a se pronunciarem ativamente em defesa de nossa soberania e dos recursos naturais que pertencem ao povo argentino.

Ao negociar com grandes empresas estrangeiras a concessão de licenças de exploração de petróleo num territótio atualmente em disputa de soberania — como vem acontecendo também a respeito da pesca —, a Coroa Britânica realiza uma ação ilegal e fragrantemente violadora das resoluções das Nações Unidas sobre os arquipélagos dos mares do Atlântico Sul. Essas resoluções instam ambas as partes a iniciar negociações para resolver a disputa, pondo fim a uma ocupação colonial que persiste desde o século 19, enquanto se privam de qualquer ação unilateral que torne o conflito mais agudo.

Mas a Inglaterra se nega sistematicamente a cumprir esse mandato da comunidade internacional e continua realizando ações francamente agressivas, das quais uma das mais graves é a construção, na Ilha Soledad, da base aeronaval de Mount Plasant, uma grande fortaleza militar com mais de 2 mil efetivos permanentes, à cuja manutenção a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) dedica 7% de seu orçamento global. Uma semelhante inversão, por parte da organização militar sob o mando dos Estados Unidos — que encabeça há 60 anos as aventuras bélicas contra os povos da Terra —, deixa bem às claras para que lhe serve a fortaleza Malvinas: não para defender os 2.500 kelpers que povoam as ilhas,  mas, sim, para custear os planos imperialistas de domínio do mundo e seguir saqueando a nossos povos.

Nessas circunstâncias, o Mopassol reafirma sua convicção — expressada em numerosos documentos dos últimos 30 anos — de que é necessário seguir lutando pelo desmantelamento da Fortaleza Malvinas e pela abolição de todas as bases militares estrangeiras instaladas na região; exigir o cumprimento das resoluções da ONU que tendem a fazer do Atlântico Sul una zona de paz e cooperação; e apoiar as negociações pacíficas encaminhadas para resolver o conflito. Leia o resto deste post »

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Campanha pede adesão contra o projeto de reativação da Quarta Frota

Publicado por Márcia Silva em 04/15/2009

Adital –

Com as recentes informações que anunciam a reativação da Quarta Frota – a Marinha de Guerra dos Estados Unidos – em mares dos países latino-americanos, muitos têm sido os protestos e manifestações contrárias a intenção dos Estados Unidos.

“Atualmente a Quarta Frota encontra-se subordinada ao “Comando Sul dos EUA”, e tem como atracadouro a base naval de Mayport no norte da Flórida. Ela se somará a outras cinco frotas navais espalhadas por regiões estratégicas do mundo que proporcionam apoio logístico e militar para as aventuras bélicas do imperialismo estadunidense”.

Quem explica é Rubens Diniz, diretor do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz).

O Centro, juntamente com outras entidades, realiza uma campanha que busca apoio mundial contra a Quarta Frota.

Nesta entrevista a ADITAL, Rubens Diniz aprofunda mais o assunto.

Adital – Mesmo com reações contrárias dos próprios governos, o retorno da Quarta Frota vem se tornando uma realidade. O que significa sua reativação?

Rubens Diniz - Para nós do Cebrapaz a reativação da Quarta Frota tem objetivos muito bem definidos. Esta vinculada diretamente com as recentes descobertas realizadas pelo Brasil de grandes reservas de petróleo em águas da plataforma continental, o chamado “pré-sal”.

Os argumentos dados pelas autoridades estadunidenses de que a Quarta Frota irá “cumprir missões de ajuda humanitária” não passam de um engodo. Por que prestar auxílio humanitário com navios de guerra?

O que fica claro é que a reativação da Quarta Frota em uma região de paz como é a América Latina tem como objetivo a intimidação dos governos e dos povos desta região. Não devemos esquecer que os motivos das últimas guerras de agressão realizadas pelos EUA tiveram como objetivo o controle de fontes energéticas, (concretamente o petróleo), e o domínio de fluxos e rotas comerciais. Além disto, tem como objetivo manter a primazia da hegemonia norte-americana e evitar a consolidação de um pólo contrário aos seus interesses no continente.

Adital – Acredita que o momento político e de mudanças pelo qual passa o continente latino-americano tenha influenciado nesta tentativa de retorno?

Rubens Diniz - Sim, a reativação da Quarta Frota é uma forma dos EUA de responder através do uso do poderio bélico à nova realidade política existente na região. A reativação da Quarta Frota é um desdobramento da chamada “Doutrina Bush”, arcabouço de ideias que fundamentava a estratégia dos ataques preventivos e que buscava em última instância evitar o surgimento de novos pólos de poder que pudessem concorrer com os EUA.

A situação na América Latina saiu do controle dos EUA nos últimos anos. Fruto das lutas sociais e dos governos progressistas e anti-imperialistas, a região tem avançado na consolidação de um bloco regional que busca maior autonomia frente ao imperialismo estadunidense. A convergência de iniciativas como o Mercosul, a UNASUL e a ALBA e a constituição de políticas como o Banco do Sul, Conselho Sul-americano de Defesa fazem da região um verdadeiro “Continente Rebelde”. A doutrina do pan-americanismo foi posta em cheque pela nova realidade política da região.

Adital – Há uma campanha pela soberania e contra a Quarta Frota em curso? Que resultados esta campanha tem demonstrado?

Rubens Diniz – Sim, temos desenvolvido uma campanha em conjunto com distintos movimentos sociais, reafirmando a defesa de nossa soberania e exigindo a desativação da Quarta Frota. Através da Coordenação dos Movimentos Sociais – CMS, o Cebrapaz tem impulsionado uma campanha que neste primeiro momento tem como objetivo informar o que é a Quarta Frota e conscientizar dos perigos que ela traz para nossa soberania e das ameaças à paz de nossa região.

Criada no ano de 1943, em pleno período da Segunda Guerra Mundial pela marinha de guerra dos EUA, a Quarta Frota tinha como objetivo, naquele momento, proteger a região de possíveis ataques marítimos das forças do eixo nazi-fascista. Sua desativação ocorreu em 1950, após o fim da Segunda Guerra Mundial.
O Cebrapaz tem realizado seminários, feito publicações com o intuito de produzir subsídios à luta contra esta máquina de guerra. Em nosso site www.cebrapaz.org.br é possível encontrar distintos materiais e a agenda das iniciativas que tomamos sobre o tema.

Além disto, no mês de julho o Cebrapaz ira realizar seu congresso nacional, na cidade do Rio de Janeiro, ele será antecedido de assembléias estaduais aonde estaremos debatendo o que representa a Quarta Frota e as formas de atuarmos pela sua desativação.

Adital  – É possível que uma mobilização em nível continental possa dar conta do que representa o retorno nos navios de guerra? Como isso pode acontecer?

Rubens Diniz – Acreditamos que somente com a participação popular, dos movimentos sociais organizados em toda a região é que poderemos criar condições para que a Quarta Frota seja desativada. Nossa estratégia tem sido participar de todas as reuniões de cúpulas presidências da região no espaço da Cúpula dos Povos, de encontros como o Fórum Social Mundial, com o intuito de impulsionar um movimento continental contra a Quarta Frota

Adital – Existe algum tipo de movimento integrado entre os países contra a Quarta Frota?

Rubens Diniz – Nossa atuação a nível regional tem sido feita a través do Conselho Mundial da Paz (CMP), da Campanha pela Desmilitarização das Américas (CADA) e da Aliança Social Continental. Somente com a ação organizada de movimentos das mais distintas naturezas é que poderemos impor uma derrota ao imperialismo e desativar a sua frota de guerra que se encontra por nossas águas.

Os povos da América latina têm um profundo apego à paz, ao respeito, à soberania. Nosso desafio e transformar a indignação existente contra estas armas de guerra em ação organizada. Sabemos, contudo, que o imperialismo não é invencível e que pode ser derrotado.

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