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Centro Brasileiro de Solidariedade aos povos e luta pela Paz

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O papel da luta pela paz na disputa pelo desfecho da crise

Publicado por Márcia Silva em 05/22/2009

do portal vermelho

Em entrevista ao Vermelho, a presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz) e do CMP (Conselho Mundial da Paz), Socorro Gomes, fala sobre os desafios da 2º Assembléia Nacional do Cebrapaz — a se realizar de a 24 a 26 de julho, na cidade do Rio de Janeiro.

Os eixos do encontro de julho e um balanço dos cinco anos de existência da entidade foram explorados pela ativista. Ao comentar a crise do capitalismo, Socorro destaca que a disputa por um desfecho favorável aos trabalhadores passa por fortalecer a luta pela paz.

Por Carla Santos
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Socorro Gomes fala em assembléia do CMP

Passados cinco anos da fundação do Cebrapaz (10 de dezembro de 2004), qual é o balanço que você faz da atuação da entidade?

Socorro Gomes: O Cebrapaz teve uma atuação intensa nesse período. Participou com solidariedade na luta contra as guerras: a invasão americana do Iraque, o genocídio do Estado de Israel ao povo palestino e outras campanhas de diversos povos do mundo. Realizamos o julgamento de George W. Bush (ex-presidente dos EUA) pela prática de crimes contra a humanidade. Continuamos combatendo as bases militares estrangeiras em países soberanos. A principal campanha da entidade no momento é contra a reativação da Quarta Frota* dos EUA no sul do nosso continente. A iniciativa busca intimidar e espionar o processo de integração que ocorre entre os países latinos americanos. Certamente ela veio com a intenção de barrar esse processo, impedir o avanço dos povos e nações da região pela construção de caminhos alternativos, soberanos e antiimperialistas.

A 2º Assembléia tem quatro eixos: solidariedade aos povos e a luta pela paz; Integração Latino Americana; Combate à Quarta Frota e a Cultura da Paz. O que levou a escolha desses quatro eixos? Qual a importância dessas bandeiras para o movimento de solidariedade brasileiro?

Socorro Gomes: A solidariedade é essencial. É obrigação de povos, militantes e pessoas prestar solidariedade aos países ocupados e invadidos, como é o caso da Palestina, do Iraque, do Afeganistão. O único objetivo dessas invasões é saquear e se apropriar de territórios e seus recursos naturais. É através da solidariedade que fortalecemos a corrente pela paz. Para conquistá-la, sabemos que precisamos remover os autores da guerra, derrotar o imperialismo.

A integração dos povos é um instrumento fundamental para isso. O Mercosul, a Unasul, a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), o Conselho de Segurança da Região Sul são exemplos de instrumentos de integração. É necessário desenvolver a consciência da necessidade da paz. A guerra é uma ameaça à existência da humanidade, à cultura da paz. Entendemos que a consolidação do Cebrapaz passa por esses eixos por seu dever. Eles fazem parte da Carta de Princípios fundadora da entidade.

A população ainda não sabe muito sobre a reativação da Quarta Frota, mote da mobilização da 2º Assembléia. Como o Cebrapaz pretende ampliar a identidade dessa bandeira com a sociedade brasileira?

Socorro Gomes: O Brasil, que já é rico em biodiversidade, recursos minerais e água potável, recentemente descobriu petróleo na área conhecida como pré-sal. Faz parte da estratégia americana o controle dos recursos naturais mundiais. Já são 835 bases militares espalhadas pelo mundo. Queremos os desmantelamento dessas bases, em especial a que está aqui, a Quarta Frota, justamente porque ela é uma ameaça a essas conquistas. A Quarta Frota está aqui, entre outros motivos, para saquear as riquezas que são dos brasileiros. É uma questão de soberania. Para ampliar o conhecimento sobre essa ameaça, o Cebrapaz já realizou conferências e diversos debates. Com a 2º Assembléia, teremos a oportunidade de discutir o assunto aonde ele ainda não chegou. Além disso, estamos lançando um livro sobre o tema. No dia 24 de junho, véspera da realização da 2º Assembléia, faremos uma Conferência Magna sobre a Quarta Frota.

Vivemos um cenário de crise econômica, guerras deflagradas ou apoiadas pelos EUA e resistência ao neoliberalismo na América Latina. Esses, entre outros, fatores indicam grandes mudanças no quadro político do mundo?

Socorro Gomes: Em todas as grandes crises do capitalismo, o imperialismo sempre busca saídas que indicam mais exploração dos trabalhadores e avanço contra a soberania dos países. Até agora os especialistas do sistema apontam como saída para a crise a concentração do poder econômico. Várias fusões entre grandes empresas estão em curso. A “estatização” de instituições financeiras veio para salvar as empresas que estão falindo e garantir que elas estejam saudáveis para depois serem novamente entregues ao capital. Outras medidas são o desemprego, a destruição das conquistas sociais que foram objeto de luta por anos dos trabalhadores, como a precarização do trabalho. Tudo indica que os detentores do poder não estão tomando medidas para proteger o povo ou estabelecer uma nova ordem mundial. Ainda não podemos descartar a agudização dos conflitos e o próprio perigo da guerra. Diante desta realidade, aumenta a importância do fortalecimento da cultura da paz. Para nós, o essencial é que o mundo seja desmilatarizado, a Assembléia das Nações seja democrática e que cada país escolha de forma soberana o seu futuro. Só os povos em luta, a elevação da consciência e a cultura pela paz levarão ao caminho da liberdade.

* A Quarta Frota foi criada em 1943 para patrulhar submarinos nazistas nas águas da região da América Latina, mas foi desativada em 1950. Após a descoberta do pré-sal, os EUA anunciaram em 2007 a reativação da Quarta Frota. Veja no quadro abaixo a localização das frotas militares dos EUA pelo mundo:

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Senadora Piedad Córdoba visita o Brasil

Publicado por Márcia Silva em 05/04/2009

do site do CEBRAPAZ

Na última semana, a presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP) e do Cebrapaz, Socorro Gomes, participou de uma recepção dedicada à Senadora Piedad Córdoba, do Partido Liberal da Colômbia, que esteve no Brasil para uma visita de três dias.

A parlamentar veio agradecer às autoridades brasileiras pela colaboração nas operações de libertação de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e pedir apoio em novas operações de resgate de presos, por uma saída humanitária ao conflito.
Para Córdoba, a ajuda brasileira “vai muito além da mera logística, pois o Governo Lula também pode desempenhar um papel muito importante em termos da confiança necessária para que se realize uma operação desse porte”, afirmou a Senadora.

Socorro Gomes (à esquerda) e a senadora Piedad Córdoba.

Piedad esteve no Senado, onde foi recebida pelo presidente José Sarney e pelo Presidente da Câmara, Michel Temer. A senadora afirmou que o povo colombiano quer garantias para poder participar do processo político da nação e que tem interesse que participem dessas operações não só o Brasil, como a Venezuela e toda a América Latina.

Piedad Córdoba começou a carreira política como líder comunitária nos bairros de Medellín. Foi vereadora, deputada e eleita senadora por três pleitos consecutivos pela ala progressista do socialdemocrata Partido Liberal Colombiano. Vem sendo reconhecida pela suas posições a favor das minorias étnicas e sexuais, da juventude e das mulheres. No final de 2007 foi nomeada mediadora, pelo Governo, para conseguir a libertação dos reféns seqüestrados pela guerrilha das FARC. Desde então, a Senadora Córdoba desempenha um papel central nos esforços para chegar a um acordo humanitário.

Defendendo a superação do conflito através da construção de um diálogo voltado para a paz como único caminho existente, a senadora conseguiu atuar junto ao grupo “Colombianos por la paz”, que lidera, pela libertação de seis reféns em poder das FARC.

Indicada ao Prêmio Nobel da Paz de 2009, suas posturas inovadoras e seu amplo respaldo, tanto entre as classes menos favorecidas quanto entre os acadêmicos, a colocam como uma das mulheres mais importantes do início do século XXI.

Fonte: Assessoria de imprensa do gabinete

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Pronunciamento de Socorro Gomes em Conferência Internacional na Argentina

Publicado por Márcia Silva em 03/31/2009

Pronunciamento de Socorro Gomes, Presidente do Conselho Mundial da Paz-CMP e do Cebrapaz, na  Conferência Internacional: A OTAN, Malvinas e a Reativação da Quarta Frota dos EUA em Buenos Aires, Argentina de 19 a 20 de Março de 2009

Conferência Internacional

A OTAN, Malvinas e a Reativação da Quarta Frota dos EUA.

Buenos Aires, Argentina de 19 a 20 de Março.

Para nós do Conselho Mundial da Paz – CMP, uma organização prestes a completar 60 anos de existência e com presença em 109 países, é uma enorme alegria poder estar presente na terra de San Martin, de Ernesto Che Guevara, lutadores que como nós que defendiam a paz, a soberania e a integração de nossa América.

Gostaria de agradecer às entidades organizadoras desta conferencia, aos companheiros do Mopassol, da Assembléia Permanente de Direitos Humanos (APDH) e do Serpaj-América Latina.

Esta Conferência Internacional tratará de temas de suma importância para a luta pela paz. Estamos seguros de que esta iniciativa contribuirá para a atualização de nossas análises sobre os recentes acontecimentos no cenário internacional, sendo ademais a contribuição latino-americana à jornada mundial que se realiza contra a OTAN ao redor do mundo.

Complexas e profundas mudanças estão em curso no cenário internacional

No último período, o mundo vem passando por significativas transformações que parecem sinalizar uma transição de época. Vemos a contestação às políticas do imperialismo crescendo em todo o mundo nos últimos anos. Há uma conjunção de fatores que vão desde a emergência de novos pólos de poder econômico e político no cenário internacional, em particular entre os países do “chamado sul em desenvolvimento”, até o crescimento dos impasses nas guerras do Iraque e Afeganistão. Em meio a estes fatos, eclode e se agrava a crise econômica do capitalismo que tem como epicentro os EUA. Tais fatores entre outros, colocam em cheque a hegemonia do imperialismo estadunidense.

Companheiros, não restam dúvidas de que a atual crise terá reflexos na luta pela paz porque tem implicações no quadro político. Como sempre, os governos dos países imperialistas tentam jogar os seus efeitos sobre os ombros dos trabalhadores e dos países pobres e dependentes. Inevitavelmente, a crise conduz à eclosão de lutas sociais e de conflitos políticos.

A ordem internacional se viu ameaçada pelos graves crimes contra a humanidade cometidos por Israel contra o mártir povo Palestino. Os acontecimentos que se desenvolveram na virada do ano contaram com a anuência das grandes potências em particular do imperialismo estadunidense, que tem em Israel seu braço direito para seu projeto de reordenamento do Oriente Médio. Aproveitamos esta oportunidade para afirmar que Israel deve ser julgado pelos crimes de guerra que cometeu. A humanidade tem ânsia de justiça.

O novo presidente dos Estados Unidos anunciou um plano de retirada de tropas do Iraque, afirmando, porém, que manterá no país árabe ocupado 50 mil soldados e que intensificará a presença no Afeganistão. Dentro de poucos dias, quando as potências imperialistas euro-atlânticas comemoram o sexagésimo aniversário de criação da OTAN anunciarão novo conceito estratégico, que consistirá na ampliação ainda maior dessa aliança agressiva, na continuidade de sua expansão para o Leste e na intensificação da cooperação entre as iniciativas militares da União Européia e a própria OTAN.

Os analistas da política externa norte-americana começam a dizer que a nova Administração democrata porá em prática a política do “Smart Power” ou Poder Inteligente, uma combinação do uso da diplomacia com o uso da força. Antes, chamavam-na “Soft Power”, Poder Suave.

Companheiros, o que está claro para nós é que a natureza do imperialismo não se altera com uma simples mudança de equipe presidencial. O caráter imperialista da política estadunidense continua o mesmo. A militarização e a guerra sempre estarão presentes. A paz não é uma vocação do imperialismo.

De modo geral, as medidas anunciadas até aqui pelo governo Obama buscam reposicionar os EUA na condição de potência hegemônica. Não tenhamos a ilusão de que o imperialismo estadunidense abrirá mão de ser o centro das definições do sistema internacional. O cenário é de grandes incertezas.

Segundo o sociólogo Atílio Borón, o EUA é um ator insubstituível e indiscutível dentro do sistema imperialista mundial. Seu poder militar é inigualável ao de qualquer outro país. Somente o imperialismo estadunidense está presente em 120 países contando com mais de 700 missões e bases no exterior. O poder militar é a reserva final do sistema, a guerra é parte essencial do imperialismo.

É a partir deste complexo cenário internacional que devemos compreender o papel destes poderosos instrumentos de guerra como a OTAN e a IV Frota e o significado da luta pela paz neste contexto.

Não há generosidade por parte do Imperialismo

O pensamento do establishment estadunidense para a América Latina baseia-se em seu interesse por expandir seu poder sobre a região. Desde que os Estados Unidos se tornaram uma potência imperialista na virada dos séculos 19 e 20 e desde se tornaram a potência hegemônica, sua política externa e militar sempre estiveram focadas em fazer daqui uma área de influencia direta. Os acordos e tratados sempre foram utilizados para garantir exclusivamente os interesses dos EUA. Um exemplo clássico disto é o TIAR – Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, de 1947, no quadro do reordenamento do sistema internacional em que os Estados Unidos empenharam-se na Guerra Fria contra a União Soviética. É preciso assinalar que durante todo o século XX prevaleceu a política de força, chamada política do Big Stick.

Guardadas as proporções, o TIAR pode ser considerado um equivalente da OTAN no Atlântico Sul. Por ser o primeiro pacto de segurança coletiva que envolveu vários países, suas bases serviram para que dois anos mais tarde os EUA constituíssem a OTAN. O discurso instrumentalizado pelos EUA no TIAR era de manter os Estados Unidos no vértice do sistema interamericano, para segundo eles, “assegurar a paz por todos os meios possíveis”, “promover ajuda recíproca e efetiva”, e “fazer frente a todos os ataques armados” e ameaças a qualquer dos Estados americanos.

O TIAR em conjunto com a OEA, foram os principais instrumentos para a imposição da hegemonia estadunidense na região. Além de ser o meio principal de sua campanha para o isolamento político e econômico da Revolução Cubana.

Mas no momento em que o TIAR foi convocado para defender a Argentina da agressão sofrida pelas forças colonialistas inglesas no episodio da Guerra das Malvinas, o imperialismo se posicionou ao lado da Grã Bretanha. Os EUA não somente negaram o apoio “anunciado” no TIAR à Argentina, como ofereceram suporte logístico e de inteligência para os ingleses. Não podem existir ilusões em torno do imperialismo e seus instrumentos de dominação, não há generosidade por parte do imperialismo.

Aproveitamos esta oportunidade para reafirmar nossa solidariedade à luta do povo argentino pela recuperação das Ilhas Malvinas, que são parte de seu território. Não é possível que em pleno século XXI ainda existam territórios ocupados por forças colonialistas.

Companheiros e companheiras, o imperialismo não deixará que sua influência na região seja diluída sem tomar medidas para evitar que isto ocorra. A reativação da Quarta Frota é uma clara demonstração disto.

A reativação da Quarta Frota

Companheiros e amigos argentinos está próximo de completar um ano, no mês de julho, e em pleno funcionamento, em águas de nosso continente, a chamada “Quarta Frota” da Marinha de Guerra dos EUA. Quando recebemos a noticia, encontrávamo-nos no Brasil em conjunto com as companheiras Rina Bertacini do Mopassol e Ana Juanche do Serpaj, participando do Fórum Social do Mercosul, no Estado do Paraná. Nossas análises sob o calor dos fatos tinham grande concordância. Tratava-se de mais um artifício dos EUA dirigido a intimidar o processo político de mudanças em curso na região, além de se posicionar estrategicamente perante nossas riquezas.

Não é de hoje a importância que os EUA atribuem ao seu poder marítimo, principalmente na região. As primeiras idéias de que os EUA necessitavam possuir um grande poder marítimo surgiram a partir das elaborações do Almirante Alfred Thayer Mahan, que na virada do século XIX para o XX, essas idéias influenciou com suas idéias a elite americana em sua política expansionista. Segundo Mahan, os EUA necessitavam buscar o controle global dos mares, oceanos e das rotas comerciais, a partir da formação de um amplo conjunto de frotas navais da marinha mercante e de guerra, para com isto garantir seu poder continental. Tais idéias influenciaram a ação anexionista dos EUA no Hawai, em 1897, na Guerra Hispano-Americana, em 1898, conquistando as Filipinas na Ásia, Cuba e algumas outras ilhas caribenhas.

Herdeiras das formulações de Mahan, as Frotas Navais da Marinha de Guerra dos EUA, foram criadas em pleno período da Segunda Guerra Mundial na luta dos aliados contra o eixo. A Quarta Frota foi criada no ano de 1943 com o objetivo naquele momento de proteger a região de possíveis ataques marítimos das forças do eixo nazi-fascista. Com o fim da guerra esta é desativada no ano de 1950.

Atualmente as “Frotas” estão espalhadas em seis regiões do mundo. A Segunda Frota encontra-se no Atlântico Norte, a Terceira navega pelo oceano pacifico, a Sexta atua em toda a área do mediterrâneo, a Quinta navega pela região do Golfo Pérsico e sudeste asiático e a Sétima pelo oceano indico e sul da Ásia. Com isto os EUA mantêm sob controle militar áreas estratégicas em todo o mundo.

Ao se tornar pública a notícia de seu relançamento, nas águas da América Latina, a pergunta que surgia imediatamente era por que neste momento? Com que argumentos, justificativas?

Dentro das poucas informações que se tornaram públicas desde o anúncio da reativação desta potente arma de guerra do imperialismo, as únicas justificativas que se tornaram conhecidas não passam de eufemismos por parte dos EUA.

Segundo James Stravids, chefe do Comando Sul, estrutura à qual a Quarta Frota está subordinada, suas missões são de caráter humanitário, de apoio às operações de paz, de assistência em situações de desastres, as operações antinarcóticos e também auxiliar como os EUA na luta contra o terrorismo.

No entanto, o Chefe do Comando Naval Sul, James W. Stevenson, afirma claramente que sua reativação “manda um sinal certo para as pessoas que sabemos não são necessariamente nossos maiores apoiadores.” É uma demonstração clara de intimidação aos países que ousam desafiar abertamente os EUA.

Como se não bastasse, o contra-almirante afirma que os navios da Quarta Frota estão preparados para “navegar até os magníficos sistemas de rios que existem na América do Sul, navegando por águas marrons mais que em águas azuis”.

Perguntávamos em uma de nossas atividades realizadas no Fórum Social Mundial – O que representaria um navio de proporções nucleares ancorado em pleno rio Amazonas? Quais missões “humanitárias” teria esta arma de guerra? Se o objetivo era fazer o bem, por que os países da região não foram consultados?

Para bom entendedor, meia palavra basta. A afirmação de que a Quarta Frota é um sinal para alguns governos em relação aos quais Washington não tem tanta simpatia é uma aberta provocação ao processo político na região.

Desde sua reativação a Quarta Frota está subordinada ao Comando Sul dos EUA, tendo a base naval de Mayport no norte da Flórida como atracadouro para seus poderosos navios. A mesma não possui uma frota designada, mas tem à sua disposição um verdadeiro arsenal de guerra entre as quais armas de destruição massiva como a nuclear. Entre estas destacamos:

l 1 Porta aviões tipo Nimitiz (nuclear), que possui capacidade de apoiar até 85 caças F-18

l Navios de assalto – USS Boxer e USS Kearsage: cada qual comporta até 45.500 toneladas e tem capacidade de transportar até 1800 homens.

l Helicópteros Sea knight (42 unidades)

l Caça bombardeiros AV-8 Harrier II

l Helicópteros antissubmarinos (ASW)

l Lanchas de desembarque tipo LCAC

É evidente que uma força com um poder de destruição tão grande não possui simplesmente a missão de prestar solidariedade e auxilio aos países da região. A Quarta Frota é uma reação do imperialismo às mudanças políticas que são vividas na América Latina. A Quarta Frota não é uma força defensiva, ela é uma força de dimensão ofensiva e intimidatória.

A Quarta Frota e a disputa pelo controle de rotas marítimas e fontes de energia.

Não nos restam dúvidas de que a reativação da Quarta Frota passa pela intenção do imperialismo de posicionar armas potentes e estruturas avançadas que possibilitem, caso seja necessário, a sua utilização para o controle de rotas de fluxos e fontes de energia.

Na Estratégia Nacional de Defesa dos EUA o “Direito ao Petróleo” encontra-se atrás somente da defesa da integridade territorial e da independência política dos EUA. O “Direito ao Petróleo” significa em outras palavras, que o imperialismo estadunidense para garantir seu consumo predatório, poderá fazer o uso da força para garantir o acesso a fontes de energia, onde quer que elas estejam localizadas.

Outro fator que não pode passar despercebido é que a reativação da Quarta Frota coincide com as recentes descobertas de petróleo em águas da plataforma continental brasileira. O chamado Pré-sal colocaria o Brasil entre o quarto ou terceiro dos maiores produtores de petróleo do mundo.

É muito provável que a Quarta Frota não seja motivo de grandes notícias nos próximos meses ou mesmo anos. Seu objetivo inicial não é chamar a atenção, mas sim dar alguns recados estratégicos de posicionamento e poder, além de realizar monitoramento da região e aterrorizar os governos da América Latina que buscam sua independência em relação ao imperialismo estadunidense.

O perfil do comandante da Quarta Frota é bem ilustrativo de que sua missão prioritária, não contempla ações humanitárias. O contra-almirante Joseph D. Kerman é um militar veterano do Grupo de Desenvolvimento de Guerra Especial Naval, responsável por realizar missões de inteligência e contra terrorismo. Joseph Kerman foi durante longos anos, instrutor do conhecido SEAL (Mar, Terra e Ar). Trata-se da elite de guerra dos EUA. O SEAL prestou “valiosos serviços” na guerra do Vietnã, Iraque e Afeganistão, com seus homens-rãs, além de outras missões em sua maioria encobertas pela CIA.

Os povos do mundo não podem ficar parados frente a estes graves acontecimentos. A Quarta Frota não é simplesmente apenas contra o Brasil, ou os países da região, ela está vinculada a uma estratégia de caráter mundial.

Fica uma questão em aberto. É possível que estruturas como a Quarta Frota possam contribuir para missões de alianças como é o caso da OTAN?

As Frotas da Marinha de Guerra dos EUA estão espalhadas em todo o mundo, em pontos estratégicos para o controle dos fluxos e rotas comerciais, além de fontes de energia. As Frotas Navais participam de várias das campanhas de guerra que desenvolve o imperialismo e dão suporte para as alianças militares das quais os EUA fazem parte como é o caso da OTAN.

A OTAN – Instrumento do imperialismo contra os povos do mundo.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN é uma organização militar que desde sua fundação sempre esteve a serviço dos interesses do imperialismo estadunidense. Jogou papel na guerra fria e em um segundo momento desempenha função importante como força militar no quadro de um reordenamento do mapa político no cenário de mundo unipolar.

No ano em que se completam os 60 anos desta máquina de guerra, o mundo passa por significativas transformações e a OTAN cada vez mais está adequada a apoiar com o uso da força os intuitos das grandes potências.

Nascida no calor da guerra fria, a OTAN era um instrumento do imperialismo para ameaçar e se necessário atacar os países socialistas. Já na década de 90, quando a chamada “ameaça comunista” não existia mais, materializa-se o novo papel da OTAN, com um novo conceito estratégico.

A partir do final da guerra fria contra a União Soviética, os arautos do imperialismo chegavam a afirmar que viveríamos um período de paz eterno, de fim da historia. Logo tais afirmações demonstraram-se falsas, pois como já afirmamos a guerra é parte essencial do imperialismo.

As grandes potências, encabeçadas pelo imperialismo estadunidense, buscaram desde logo abrir caminhos para o leste, aproveitando o vácuo político deixado pelo desmembramento da União Soviética, com o objetivo de controlar as imensas fontes de energia – gás e petróleo – além das rotas de fluxo, existentes nas áreas dos Bálcãs e da Ásia Central.

Neste período a OTAN realiza suas conferências de Londres (1990) e Roma (1991), quando busca selar sua reconfiguração, assumindo explicitamente caráter ofensivo, para exercer o papel de uma força estratégica com capacidade operacional e ação pró-ativa fora da área territorial dos países que a constituem, para atuar como uma máquina de guerra a serviço das grandes potências imperialistas, principalmente o imperialismo norte-americano.

Este período é marcado pela ampliação da OTAN, envolvendo alguns dos países que faziam parte do Pacto de Varsóvia, realizando alianças com países fora da esfera geográfica da aliança, como é o caso do “Conselho de Cooperação do Golfo” e o “Diálogo do Mediterrâneo”.

A experiência piloto desta transformação teve por cenário a região dos Bálcãs. Especialmente a partir dos bombardeios e da invasão da Iugoslávia, a OTAN começa a expandir militarmente sua área de influência até as fronteiras da Rússia.

A OTAN na América Latina

Foi neste contexto de novas alianças e ampliação da OTAN, que o governo do ex-presidente argentino Carlos Menem desenvolveu uma estratégia de aproximação da aliança militar. Segundo esta concepção, a Argentina somente ganharia espaço no cenário internacional se tivesse uma política de alinhamento automático com os EUA, ou,como se dizia à época, mantivesse com a superpotência do norte uma “relação carnal”, seja no âmbito econômico seja na esfera da política externa ou da cooperação militar.

Foram realizados seminários e importantes conferências no país para tratar da relação com a OTAN, além de que várias autoridades argentinas participaram de instâncias deliberativas da OTAN com o intuito de demonstrar compromisso com a organização.

Foi neste contexto que a Argentina foi levada a ser o único país da região a enviar tropas para a primeira guerra do Golfo em 1991. Mais tarde enviou tropas para a chamada Força de Estabilização da Bósnia-Herzergovina (SFOR), que era a força de ocupação da OTAN no conflito dos Bálcãs em 1996. Foi também nesse quadro que o ex-presidente estadunidense Clinton, proclamou que a Argentina era um “aliado extra-OTAN”.

O que é ser aliado extra da OTAN?

O título de “aliado extra”, criado em 1989, é uma designação feita pelo congresso dos EUA a um grupo de países que obtém vantagens na aquisição de armamentos que só poderiam ser vendidos aos países da OTAN. Os primeiros países “agraciados” com tal título foram Austrália, Egito, Israel, Japão e Coréia do Sul. Nos anos do governo Bush, tal “agrado” foi dado a seus aliados na “guerra contra o terror” – Nova Zelândia, Jordânia, Bahrein, Filipinas, Tailândia, Kuwait, Marrocos e Paquistão.

Para a OTAN a América do Sul é uma área estratégica.

A OTAN tem nos últimos anos realizado esforços para aproximar-se novamente da região. A partir de sua configuração de uma aliança militar com desafios globais, uma espécie de xerife do mundo, acredita ser importante ter algum tipo de presença em nossa área.

Em 2008, no auge da campanha contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC-EP, o Ministro de Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, em declarações a jornais, afirmou que seu país planejava enviar soldados ao Afeganistão e iniciar uma colaboração com a OTAN. Nas semanas que antecederam nossa conferencia, tornou-se pública a confirmação de que a Colômbia irá enviar 150 soldados em um primeiro momento para cooperar com as forças de ocupação no Afeganistão.

Isto pode significar que no médio prazo se estabelecerá uma cooperação de outro tipo da Colômbia com a OTAN.

Outra via que vem sendo explorada com menos sucesso é a de Portugal, que busca envolver a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em exercícios da OTAN. Isto segundo o comando da Aliança lhe daria uma projeção de ação nas duas margens do Atlântico.

Ampliar a consciência da luta antiimperialista e a defesa da paz

Hoje em um cenário internacional repleto de incertezas e profundas contradições, os povos do mundo devem buscar fortalecer a consciência antiimperialista, demonstrando que é próprio da natureza do imperialismo o uso da guerra para impor seus desígnios e manter-se no centro do sistema internacional.

A OTAN completa agora 60 anos de existência. Devemos levar em consideração que as transformações que estão sendo operadas no seio desta aliança militar visam a fortalecê-la como um instrumento privilegiado das incursões do imperialismo contra os povos do mundo.

Na lógica de controlar as principais rotas de fluxo comercial e saquear as fontes energéticas, as estruturas militares a serviço do império se complementam. A Quarta Frota da Marinha de Guerra, pode ser colocada à disposição da OTAN caso seja necessário, com a desculpa esfarrapada de que algum país da região possa estar “violando os direitos humanos”, ou “abrigando terroristas”, entre outros sofismas possíveis de serem inventados.

Nossa região destaca-se historicamente pelos esforços na defesa da paz, o que a caracteriza como uma “Zona de Paz”. O sentimento geral dos povos que vivem em nossa região é de identidade com a paz, de solidariedade aos povos em luta.

Companheiros, amigos, o imperialismo vive um momento de profunda crise, a hegemonia americana está posta em cheque. Estamos seguros de que com a unidade das forças democráticas, progressistas e antiimperialistas, poderemos criar uma ampla frente internacional contra o imperialismo e seus instrumentos de guerra e uma ampla mobilização dos povos para derrotar o imperialismo. Estamos seguros de que ele não é invencível e será derrotado!

Muito Obrigada.

Socorro Gomes

Presidente do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz

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Veja o discurso de Socorro Gomes no fórum de Belgrado

Publicado por Márcia Silva em 03/24/2009

Pronunciamento de Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz no Ato Político organizado pelo Fórum Belgrado por ocasião do transcurso do 10º aniversário dos bombardeios da OTAN.

Queridas Companheiras, queridos companheiros.

Reunimo-nos hoje para evocar fatos históricos, interpretá-los à luz da experiência e extrair as lições necessárias para orientar nossos esforços e nossas lutas pela paz, um novo mundo, governado pelo primado da justiça e da solidariedade.

Há dez anos, esta capital e este país, que já foi um Estado socialista confederal, pluriétnico e plurinacional, foi vítima de um dos mais abjetos atentados à sua soberania, à sua unidade, à vida de seu povo, à sua economia e aos princípios fundamentais que inspiraram a sua própria constituição.

Durante 78 dias, a Iugoslávia foi vítima de uma monstruosa agressão militar. O escritor italiano e ativista do Movimento pela Paz Manlio Dinucci, descreve assim a tragédia que se abateu sobre o povo iugoslavo a partir daquele 24 de março de 1999:

“Decolando sobretudo das bases italianas, mil e cem aeronaves efetuaram 38 mil vôos, atirando 23 mil bombas e mísseis.75 por cento dos aviões e 90 por cento das bombas e dos mísseis foram fornecidos pelos Estados Unidos. Estadunidenses eram também rede de comunicações,o comando, o controle e a inteligência através das quais as operações eram conduzidas. Sistematicamente, os bombardeios desmantelaram a infraestrutura da Sérvia e de Kossovo, provocando vítimas sobretudo entre os civis. Entre outros, foram destruídos 63 pontes, 14 centrais elétricas, a refinaria de Pancevo e Novi Sad, a fábrica automobilística Zastava e outras 40 indústrias, 100 centros de negócios, 13 aeroportos, 23 linhas e estações ferroviárias, 300 escolas, com um custo estimado em centenas de milhões de dólares. Os danos que derivam desses bombardeios para a saúde e o meio ambiente são incomensuráveis”.

Podemos acrescentar: os ataques provocaram danos irreparáveis. Milhares de vidas humanas foram perdidas, outros milhares de pessoas ficaram feridas e mutiladas. Às obras de infraestrutura atingidas somam-se também monumentos, sítios arqueológicos, mosteiros e igrejas. Mais de dez estações de rádio e televisão e mais de vinte repetidoras de televisão foram atacadas, além da televisão estatal sérvia que os trabalhadores conseguiram recolocar no ar em poucas horas, numa singela demonstração da capacidade de resistência do povo.

Ao rememorar fatos tão dolorosos, homenageamos o povo iugoslavo, exaltamos o valor dos seus heróis e inclinamos as nossas bandeiras de combate em reverência aos mártires da luta contra a agressão, a luta pela independência e pela unidade da Iugoslávia. Glória eterna a todos aqueles que, defendendo seu país, resistiram também em nome de toda a humanidade.

A guerra dos Estados Unidos e da OTAN contra a Iugoslávia, tal como todas as guerras recentes do imperialismo norte-americano e seus aliados contra povos e nações, foi feita com falsos pretextos e contou com a cumplicidade de uma gigantesca e poderosa máquina de mentiras e diversionismo – os meios de comunicação, que preparam o terreno com a difusão de textos e imagens sobre “violações de direitos humanos”, “limpeza étnica” e “insubordinação a tratados internacionais”. O motivo invocado para iniciar os bombardeios em 24 de março de 1999 foi a recusa do governo do presidente Milosevic a assinar o famigerado Acordo de Paz de Ramboulllet. O problema é que aquilo não era um acordo de paz, mas a decretação da morte da soberania nacional, porquanto implicava a ocupação de parte significativa do país por forças da OTAN. O então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, propunha na época a ocupação do Kossovo por tempo indeterminado pela OTAN, que manteria ali 30 mil soldados.

Na verdade, os bombardeios de 1999 eram parte de uma estratégia global do imperialismo norte-americano no quadro dos esforços que esta potência realiza para impor através da força e da militarização seu domínio sobre todo o planeta.

No que esse refere especificamente à Iugoslávia, era uma guerra de agressão premeditada há anos, no âmbito de um processo de desintegração da República Federativa Socialista da Iugoslávia, na sequência da contrarrevolução que varreu o sistema socialista do mapa europeu a partir de finais dos anos 80 do século passado. Nessa preparação para os acontecimentos que se sucederam há dez anos não falaram atos de espionagem por parte da CIA norte-americana e o financiamento e adestramento de grupos terroristas que hipocritamente os meios de comunicação apresentaram como forças de libertação nacional.

A agressão, que veio a ser conhecida como a “Guerra do Kossovo”, faz parte de uma cadeia de acontecimentos que tem início em 1990 quando as potências imperialistas decidem investir recursos econômicos e empenhar sua força diplomática e militar no apoio ao que chamavam “novas formações democráticas da Iugoslávia”, estimulando assim os movimentos secessionistas. Começa o chamado efeito dominó na Iugoslávia. Primeiro a Croácia proclama sua separação. Depois a Eslovênia proclama-se independente. Ambos os processos resultam em confrontos militares em ambas as repúblicas. Em face da guerra civil que começava a se alastrar, as potências imperialistas decidem acrescentar combustível ao fogo. Em dezembro de 1991 a Alemanha reconhece unilateralmente a Croácia e a Eslovênia como Estados independentes, sendo acompanhada dois meses depois pela então Europa dos 12.

Em abril de 1992 abre-se nova frente de guerra, quando os Estados Unidos e a Comunidade Européia reconhecem a Bósnia-Herzegovina como Estado independente. Não quero aqui rememorar em detalhes o derramamento de sangue e a carnificina que tiveram lugar durante a guerra da Bósnia. Mas cumpre salientar que também neste conflito, tal como depois na guerra do Kossovo, a OTAN atuou como força agressiva. Uma atuação que passou à história como a primeira ação de guerra não motivada por um ataque a um dos seus membros e levada a efeito fora de sua área geográfica. Tratava-se assim da primeira experiência de aplicação do novo conceito estratégico da OTAN no pós-guerra fria.

A Iugoslávia foi, assim, sob falsos pretextos, a vítima da aplicação de planos de dominação mundial no novo quadro pós-guerra fria. E rigorosamente, o país não havia cometido crime algum. Era um país soberano, membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas, com suas instituições funcionando na normalidade. Um país que, malgrado dificuldades e eventuais erros na solução dos seus conflitos internos, empenhava-se em alcançar o progresso econômico e social e corrigir as imperfeições do seu sistema político tendo em vista alcançar a convivência harmônica entre as distintas nacionalidades que o compunham.

Efetivamente, os chefes de Estado e de governo dos 16 países que então integravam a OTAN reuniram-se em Roma no Conselho Atlântico, onde adotam o novo conceito estratégico. O documento aprovado por esses governantes dizia: “Contrariamente à ameaça predominante no passado, os riscos que permanece para a segurança da Aliança não de natureza multiforme e multidirecional, coisa que os torna de difícil previsão e avaliação. As tensões poderiam – prossegue o documento – conduzir a crise danosas para a estabilidade européia e a conflitos armados que poderiam envolver potências externas ou expandir-se aos países da OTAN”. Por isso, concluíram os chefes de Estado e de governo dos países da OTAN – “a dimensão militar da nossa Aliança permanece um fator essencial, mas o fato novo é que esta dimensão militar estará mais do que nunca a serviço de um amplo conceito de segurança”.

Este novo conceito estratégico seria oficializado em plena guerra contra a Iugoslávia, na reunião de cúpula da OTAN realizada em Washington de 23 a 25 de abril de 1999, onde a Aliança Atlântica passa a ser concebida em dimensões mais dilatadas, com capacidade para empreender novas missões, entre as quais o ativo empenho na gestão de crises, e com capacidade de dar respostas a essas crises. Como assinala o escritor italiano Manlio Dinucci, trata-se de uma “mutação genética” da OTAN. De uma aliança que obriga os países membros a ajudarem inclusive com a força armada o país membro que seja atacado na região do Atlântico norte, transforma-se em aliança que, com base no novo conceito estratégico obriga os países membros também a conduzirem operações de resposta às crises fora do território da Aliança.

Senhoras e Senhores,

Companheiras e Companheiros,

Durante esta década que nos separa dos trágicos e dolorosos acontecimentos desencadeados em seu país a partir de 24 de março de 1999, a humanidade tem vivido novas, pesadas e graves turbulências. Ao longo deste período, a partir da guerra ao Afeganistão deflagrada em outubro de 2001 e da guerra ao Iraque em 2003 o mundo se tornou mais inseguro, os conflitos mais intensos, os direitos e as conquistas da civilização, fruto de tantos esforços e tantas lutas dos povos foram menoscabados. A Carta das Nações Unidas e o conjunto de normas consensuais do Direito Internacional foram violados e tornados letra morta. A guerra, o unilateralismo, a imposição da lei do mais forte tornaram-se no traço distintivo da chamada ordem internacional que atende não às aspirações dos povos e nações mas ao primado dos interesses do imperialismo norte-americano e de seus aliados.

Em nome desses interesses os Estados Unidos usam os mais diferentes instrumentos militares, dentre os quais a OTAN é o principal, com sua profusão de bases militares, com suas centenas de milhares de tropas, com suas bases de lançamentos de mísseis, com suas armas nucleares, com sua Força de Resposta Imediata e seu escudo anti-mísseis em pleno coração da Europa. Uma OTAN mais forte e maior, que se expande para o Leste, mantém tropas de ocupação e de agressão no Afeganistão, intervém nos conflitos do Cáspio e se torna um instrumento a mais na aplicação da política de reestruturação do Oriente Médio, apoiando Israel com o qual mantém um acordo de segurança. Uma OTAN que numa situação de crise econômica e social em todo o mundo capitalista realiza despesas da ordem de cerca de 1 trilhão de dólares para agigantar a sua já colossal máquina de guerra.

O Conselho Mundial da Paz, que se encontra em processo de reafirmação dos seus valores e compromissos de luta, de reforço de sua identidade como organização pacifista, antiimperialista e solidária com todos os povos agredidos, vê com preocupação o atual desenrolar dos acontecimentos internacionais. A guerra continua na ordem do dia como a opção preferencial do imperialismo norte-americano para dominar o mundo, muito embora as esperanças do povo dos Estados Unidos manifestadas na última eleição presidencial. As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos Barak Obama em discurso perante militares na Universidade Nacional de Defesa, em Washington, soam para as organizações que lutam pela Paz como u sinal de alerta de que, apesar das aparências, a inclinação do imperialismo para a guerra não se alterou. Eis o que disse o presidente Obama: “Não tenham dúvidas, este país vai manter seu domínio militar (…) Vamos ter as Forças Armadas mais fortes da história. Faremos o que for preciso para manter a vantagem”.

De nossa parte, não temos ilusões. Quando os chefes das principais potências imperialistas se reunirem dentro de dez dias para celebrar o 60º aniversário da fundação da OTAN, estarão elaborando novos planos de agressão aos povos. Nós, o Conselho Mundial da Paz, suas organizações acionais e regionais e organizações e personalidades amigas, ao reunirmo-nos no transcurso do 10º aniversário dos bombardeios da OTAN contra a Iugoslávia, renovamos a nossa solidariedade e apontamos o caminho da luta contra o militarismo, as guerras de agressão, pela paz e a solidariedade entre os povos.

Viva o povo sérvio!

Abaixo a OTAN e o imperialismo norte-americano!

Viva a solidariedade entre os povos!

Muito Obrigada,

Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz

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Os bombardeios a Belgrado

Publicado por Márcia Silva em 03/24/2009

Já fez dez anos do bombardeio da OTAN a Belgrado, este vídeo explica e resgata um pouco dos acontecimentos.

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Socorro Gomes participa de Conferência em Belgrado

Publicado por Márcia Silva em 03/24/2009

do Portal Vermelho

A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, participa nesta segunda-feira (23) da realização da Conferência Internacional sobre os dez anos do bombardeio a Belgrado, realizado pela Otan no dias 23 e 24 de março.

Nesta segunda-feira se completam 10 anos do bombardeio da Otan contra a ex-Iugoslávia, o que levou à completa dissolução do Estado fundado em 1918 e que se tornou uma federação de estados socialistas após a segunda guerra mundial.

Socorro Gomes foi recebida por importantes autoridades do Estado sérvio, a presidente do parlamento do país, Slavica Ðukic Dejanovic, e pelo vice-ministro das Relações Exteriores,Zoran Vujic, que agradeceram a presença e deram boas vindas à presidente do CMP.

Socorro Gomes expressou solidariedade ao povo sérvio e aos demais povos que compunham a ex-Iugoslávia, em relação às agressões efetuadas pelo imperialismo e pela Otan, além de transmitir saudações do povo brasileiro.

Socorro também fez votos de que os povos da antiga federação se unam para enfrentar as verdadeiras ameaças à sua independência, postuladas pelo imperialismo americano, pela Otan e União Européia.

Socorro Gomes permanecerá em Belgrado até amanhã, seguindo depois para a Grécia e para o Chipre.

Com o lema ”Otan – Inimiga dos Povos e da Paz”, o Conselho Mundial da Paz (CMP), organiza uma jornada internacional contra os 60 anos de criação do pacto militar do Atlântico Norte, o principal instrumento das aventuras belicistas do imperialismo.

As atividades fazem parte da Jornada Mundial de Mobilizações de 28 de março a 4 de abril, aprovada pela Assembléia dos Movimentos Sociais durante o Fórum Social Mundial, em Belém.

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CAMPANHA DO CONSELHO MUNDIAL DA PAZ CONTRA A OTAN E OS SEUS 60 ANOS DE GUERRAS E CRIMES

Publicado por Márcia Silva em 03/18/2009

CAMPANHA DO CONSELHO MUNDIAL DA PAZ
CONTRA A OTAN E OS SEUS 60 ANOS
DE GUERRAS E CRIMES

Calendário de Eventos internacionais organizados e apoiados pelo CMP:

Conferência Europeia pela Paz
14 e 15 de Março – Berlim – Alemanha
Reunião de Coordenação Europeia dos Movimentos da Paz
22 de Março – Belgrado – Sérvia
Conferência Internacional pelo 10º Aniversário do bombardeamento da Jugoslávia pela OTAN
23 e 24 de Março – Belgrado – Sérvia
Cimeira Anti-OTAN durante o seu
60º aniversário

Seminário do CMP (3 de Abril)
Manifestação Anti-OTAN– (4 de Abril)
2 -5 de Abril – Estrasburgo – França

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FSM: Cebrapaz firma-se como referência na luta antiimperialista

Publicado por Márcia Silva em 03/18/2009

De Belém, José Reinaldo Carvalho*

FSM.marcha

O Cebrapaz, organização membro do Conselho Mundial da Paz, teve destacada presença no Fórum Social Mundial, realizado em Belém de 27 de janeiro a 01 de fevereiro, confirmando-se como uma importante referência da luta antiimperialista no Brasil e na América Latina.

Este ano a Tenda da Paz foi dedicada à solidariedade ao povo mártir e heróico da Palestina. Uma exposição fotográfica mostrou os horrores do massacre perpetrado pelo Estado de Israel contra a Faixa de Gaza. Lado a lado com as chocantes fotos do  genocídio em curso, foram expostas também imagens do holocausto dos judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), revelando que sionismo e fascismo são faces da mesma moeda.

A Tenda do Cebrapaz foi visitada por dezenas de milhares de pessoas. Durante os dias do Fórum Social Mundial o Cebrapaz recolheu neste espaço milhares de assinaturas para uma petição endereçada ao Tribunal Penal Internacional para que Israel seja punido por crimes de guerra contra a humanidade.Um ato público com a presença de centenas de pessoas foi realizado na Tenda, com a presença de Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz, do embaixador da Palestina Ibrahim Al Zeben e lideranças do movimento sindical e social.

A Tenda do Cebrapaz foi um espaço de congraçamento entre os núcleos estaduais, destacadamente o do Paraná, que distribuiu materiais, participou da coordenação dos trabalhos e vendeu camisetas com belas estampas com motivos da luta pela paz e contra o imperialismo, o do Ceará, que compareceu com milhares de folhetos publicados pelo senador comunista Inácio Arruda sobre a Conferência Mundial da Paz realizada em Caracas em abril do ano passado, e o de Belém do Pará, cujos abnegados militantes organizaram a Tenda da Paz.

O Cebrapaz distribuiu também na Tenda e em outros espaços do Fórum Social Mundial milhares de cópias de um folheto denunciando a Quarta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos na América Latina e Caribe.

A Tenda da Paz foi também um permanente ponto de encontro de militantes e organizações de luta pela paz e outros movimentos sociais brasileiros, latino-americanos e mundiais, destacadamente: União Brasileira de Mulheres, União de Negros pela Igualdade, União da Juventude Socialista, Federação Democrática Internacional das Mulheres, Federação Mundial das Juventudes Democráticas, Conselho Mundial da Paz.

Atos combativos, de unidade e de massas
Além do ato em solidariedade à luta do povo palestino, o Cebrapaz protagonizou dois outros importantes atos antiimperialistas durante o Fórum Social Mundial em espaços na Universidade Federal do Pará, onde se realizaram muitas das atividades do FSM de Belém. O mais importante deles foi organizado pelo próprio Cebrapaz e o Conselho Mundial da Paz sobre a luta contra a militarização, as bases militares e a Quarta Frota.

Diante de centenas de pessoas que superlotaram um dos auditórios da Universidade, tomaram a palavra sobre este candente tema, além da presidente e do secretário geral do Conselho Mundial da Paz, a brasileira Socorro Gomes e o grego Athanasios Phafilis, representantes do Movimento pela Paz (MOVPAZ) de Cuba, do Conselho pela Paz dos Estados Unidos, do Movimento pela Paz e a Solidariedade da Argentina (MOPASSOL), do Conselho da Paz do Vietnã, da Rede Mundial Não às Bases (NO BASES) – representada por seu coordenador-geral e seu dirigente africano – da Campanha pela Desmilitarização das Américas e Movimento contra as Bases Militares no Equador e da Campanha Estadunidense contra a Escola das Américas (centro de formação baseado na ideologia militarista do imperialismo norte-americano), da ACJ Equador e do Movimento pela Paz da Grécia (EEDYE). Também neste ato esteve presente uma representação da Autoridade Nacional Palestina.

O outro ato em que o Cebrapaz teve destacada presença foi dedicado ao tema “A Luta pela Paz na Colômbia”, realizado na Tenda dedicada aos 50 Anos da Revolução Cubana, sob os auspícios da Secretaria de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores do Brasil. O ato foi organizado pelo Cebrapaz e o Fórum de São Paulo e contou com as presenças da presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, do dirigente do MOPASSOL da Argentina, Juan Roque, e da senadora colombiana Glória Inês, do Polo Democrático Alternativo.

A presença do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz no Fórum Social Mundial foi marcante. Propiciou o contato com milhares de pessoas, a distribuição de materiais e a unidade de ação com outros movimentos. Foi mais um passo para a consolidação do Cebrapaz e a implantação do Conselho Mundial da Paz na América Latina.

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*Jornalista, Diretor de Comunicações do Cebrapaz

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