CEBRAPAZ NÚCLEO RIO

Centro Brasileiro de Solidariedade aos povos e luta pela Paz

Arquivo da categoria ‘Palestina’

América latina e a questão palestina

Publicado por Márcia Silva em 01/18/2011

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Frota da Liberdade visita São Paulo e quer mais brasileiros nos próximos navios

Publicado por Márcia Silva em 07/14/2010

do site do vereador Jamil Murad

Seg, 12 de Julho de 2010 16:23
A Câmara Municipal de São Paulo, através do vereador Jamil Murad (PCdoB), recebeu na última quinta-feira, dia 8 de julho, representantes da Campanha Européia pelo Fim do embargo a Gaza e da Assembléia Geral pelo retorno para a Palestina. Essas entidades atuam na Europa e organizam a segunda Frota da Liberdade para tentar levar, novamente, ajuda aos refugiados de Gaza. Na companhia do jornalista Fernando Lattarulo, ambos pediram o apoio de políticos e da sociedade civil brasileira para a organização do segundo comboio.
Em 31 de maio deste ano, a Frota da Liberdade que levava alimentos, medicamentos, material de construção civil, entre outros artigos, para a faixa de Gaza foi atacada pela marinha Israelense, resultando na morte de pelo menos nove pacifistas que integravam um dos navios. A jornalista italiana Angela Lano, que esteve na primeira frota, e que acompanha os palestinos na visita ao Brasil, não pôde comparecer ao encontro na Câmara por problemas de saúde.VOLUNTÁRIOS – Apesar de a primeira frota não ter atingido o objetivo de levar ajuda a Gaza, outras vitórias são atribuídas àquela iniciativa.  Para Hannoun Mohammad, da Campanha Européia, a demonstração clara vinda de parlamentos europeus e da comunidade internacional, condenando o ataque e o bloqueio, foram conquistas inesperadas. Segundo ele, existem mais de nove mil pacifistas inscritos como voluntários para a próxima frota, incluindo os participantes da primeira tentativa. “Mesmo humilhados, seqüestrados, ameaçados, eles querem participar novamente dando resposta que a ação de Israel não os assustou”, revelou Hannoun. Em passagem por Brasília,  ele disse que inúmeros parlamentares brasileiros também manifestaram desejo de participar da segunda frota.

“Queremos colocar a bandeira do Brasil na nossa frota”, declarou Hannoun.  Para Abdel Qader Mohammad, da Assembléia Geral pelo Retorno, o Brasil é um país amigo e o governo brasileiro tem se manifestado, através de declarações contundentes contra o ataque e o bloqueio.  “Queremos que o Brasil dê esse passo reafirmando a oposição ao bloqueio e dizendo que os políticos do Brasil vão fazer parte dessa delegação de pacifistas nos próximos navios”, afirmou Abdel Qader.

APOIO HISTÓRICO – O vereador Jamil Murad, que integra a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de São Paulo, reafirmou o apoio da casa à luta do povo palestino pela sobrevivência. Ele lembrou os atos realizados no Brasil contra o massacre de Sabra e Chatila, em 1982, e ainda os mais recentes no final de 2008 além do ataque à frota da liberdade. “Quando os EUA invadiram o Iraque reunimos 30 mil pessoas na rua protestando. Nunca os representantes do povo no Brasil se calaram diante dos crimes contra os palestinos”, reafirmou.

A Federação das entidades Árabes esteve presente e defendeu a necessidade de que o apoio brasileiro se estenda para os países do Mercosul. “Acredito que é possível construirmos juntos uma força representativa da região sul da América em torno da causa palestina”, propôs Claude Fahd.    

CRIMES DE GUERRA – “O que acontece na faixa de Gaza são crimes contra humanidade e os responsáveis devem ser julgados”, defendeu Rubens Diniz, do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz). Ele complementou a declaração de Hannoun dizendo que a primeira grande missão da frota foi quebrar a invisibilidade que existia ao bloqueio. Rubens sugeriu a realização de um jogo da amizade entre Brasil e Palestina para mobilizar os atletas brasileiros em torno da causa.

Os representantes do Sindicato dos Jornalistas e da Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB (SRI), respectivamente,  Guto Camargo e Ronaldo Carmona, citaram o bloqueio midiático como essencial para tornar invisíveis as conseqüências do bloqueio. “A informação que chega não permite ao cidadão compreender na totalidade a realidade. É preciso mobilização dos jornalistas de todo o mundo para garantir o acesso à informação original”, destacou Guto.

Para Carmona, a verdade que a SRI do PCdoB conhece é muito diferente da que sai na grande imprensa brasileira, por exemplo. “Temos contato com o conjunto das forças políticas palestinas e conhecemos a realidade do povo de lá que é ocultada pela mídia sionista do mundo inteiro”, declarou.

PAULO FREIRE – A viúva de Paulo Freire, Nita Freire, esteve presente ao evento e contou que em determinada ocasião Paulo, ao ser convidado a dar palestra para estudantes israelense, se recusou dizendo que só iria se no mesmo local estivessem também estudantes palestinos. Nita doou aos organizadores da segunda frota exemplares de livros de Paulo Freire para serem incluídos no novo comboio.

Participaram do encontro na Câmara representantes da União Brasileira de Mulheres, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, Via Campesina, União Grumim de Mulheres Indígenas, Instituto da Cultura Árabe, Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba, Mopat, Assembléia Islâmica de São Paulo e Comlutas.

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Total solidariedade aos Palestinos

Publicado por Márcia Silva em 06/02/2010

do site do Cebrapaz

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz – Cebrapaz – vem
a público condenar de forma veemente o vil ataque militar israelense contra
a “Frota da Liberdade”, missão pacífica e humanitária que viajava à Faixa de
Gaza para entregar alimentos e remédios à população do território bloqueado por
Israel. Durante o ataque foram assassinadas 19 pessoas de diferentes
nacionalidades e mais de 60 ficaram feridas.

Tal crime de lesa-humanidade cometido pelo governo de Israel demonstra mais uma
vez sua natureza agressiva e terrorista. Israel não só nega o direito do povo
palestino a ter seu estado inde pendente, como usa a força militar para impedir
qualquer ajuda humanitária a este martirizado povo, vítima de ocupação e
ataques, como ocorreu e ntre fins de dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O Cebrapaz manifesta sua indignação, sua revolta e repúdio a este ato terrorista
perpetrado contra militantes desarmados e indefesos, bem como a solidariedade
ao povo palestino em sua legítima luta pela criação de um Estado livre e
independente com as fronteiras estabelecidas em 1967 e Jerusalém Oriental como
sua capital.

A ignominiosa agressão ocorreu em águas internacionais, constituindo, portanto,
crime de dimensão internacional. É necessário dizer que as agressões do Estado
israelense contra o povo palestino têm contado com o apoio e a tolerância dos
Estados Unidos.

O Cebrapaz soma-se ao Conselho Mundial da Paz no chamamento a todas as forças
amantes da paz para que den unciemos amplamente mais este crime, que não pode
ficar impune.
Viva o povo palestino!
Fora Israel das terras ocupadas palestinas!
Libertação imediata dos ativistas e dos navios e da sua carga humanitária!

São Paulo, 31 de maio de 2010.

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Revendo a história, a razão está com os palestinos – Por Antonio Barreto

Publicado por Márcia Silva em 01/12/2010

do portal do CEBRAPAZ

S<em>íntese da história da Palestina e da luta do seu povo que nos últimos 50 anos viu sua pátria ser invadida e dominada pelo império colonial Israel/Estados Unidos.</em>

            A questão palestina precisa ser entendida não apenas pelas pendências religiosas e limites territoriais geográficos, mas principalmente pela trajetória histórica do seu povo. Vista por esse ângulo, caem por terra todas as justificativas israelenses para a invasão do território e o massacre dos palestinos. 

Com 27 mil quilômetros quadrados incrustados no cruzamento de três continentes  – Europa, Ásia e África – a Palestina é um ponto estratégico do ponto de vista militar, comercial e político.
Apesar de vários povos terem passado pela Palestina em seus 10 mil anos de história, apenas três povos  se destacaram nessa região e deixaram as marcas da sua cultura. Foram os cananeus, os filisteus e os israelitas.

Os cananeus são os mais antigos na Palestina, tendo ali se instalado  há cerca de 3.000 anos  a..C. Foram eles que deram ao país o nome histórico de “terra de Canaã”. Entre suas cidades, encontra-se Jerusalém, nascida há 1800 a.C.

Os israelitas que vagaram pelo deserto depois do seu êxodo do Egito, chegaram à parte oriental de Canaã cerca de 1.200 a.C. e iniciaram o processo de colonização com as 12 tribos de Israel, unidas por Saul que fundou o primeiro reino israelita na Palestina em 1030 a.C., que durou até 587 a.C., quando o reino de Judá foi destruído pelos babilônios. A partir daí, sai de cena o governo israelita na Palestina, situação essa que durou até meados do século XX. Leia o resto deste post »

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Denunciam expulsões sistemáticas de palestinos de Jerusalém

Publicado por Márcia Silva em 06/28/2009

da prensa latina
palestina-g Escrito por Larissa C. S. Silva
viernes, 26 de junio de 2009

O ministro palestino de Obras Públicas e Moradia, Mohammad Ishteiyah, denunciou a “sistemática política” repressiva de Israel na ocupada Jerusalém, apesar da imagem de tolerância que tenta dar hoje ao mundo na Cisjordânia.

Ishteiyah disse que junto com as muitas detenções de cidadãos palestinos, as autoridades de Tel Aviv os expulsam de seus lares na zona árabe da cidade santa e, também, a maioria das vezes destroem essas construções.

O exemplo mais recente, destacou, é a ordem de demolição de casas na comunidade de Silwan, em El-Bustan.

“Como palestinos estamos enfrentando as perigosas políticas que Israel faz dentro de Jerusalém e denunciamos sua escalada contra a cidade a partir de desfazer dos bairros árabes”, apontou.

Assegurou que tais práticas ocorrem como “uma política contínua contra a cidade desde sua ocupação em 1967, em contravenção com a Quarta Convenção de Genebra, de 1949″.

Para o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que preside Mahmoud Abbas, se trata de um assunto mais político que legal, e não como pretende fazer ver a municipalidade israelense de Jerusalém com as escavações efetuadas em diferentes partes da Cidade Velha. Leia o resto deste post »

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Diretor do Cebrapaz testemunha situação dos palestinos e ataca Israel

Publicado por Márcia Silva em 05/25/2009

do portal do cebrapaz


gaza&israel

Recentemente, uma delegação do Fórum de São Paulo visitou a Palestina com o propósito de estreitar as relações com forças políticas locais e se solidarizar com o seu povo. A experiência deixou ainda mais clara a situação alarmante em que vive a população, oprimida e submetida aos desmandos israelenses.

Os recentes ataques de Israel a Gaza foram “um verdadeiro genocídio”, na opinião de José Reinaldo Carvalho, secretário de relações internacionais do PCdoB e membro da direção nacional do Cebrapaz. Ele informa que Gaza continua sob bloqueio e que a situação na região é tensa, apesar da trégua.

Além de José Reinaldo, a comitiva foi constituída por Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT e Graziela Garcia, da Comissão de Relações Exteriores da Frente Ampla do Uruguai. A iniciativa partiu de um convite do Conselho Legislativo Palestino – equivalente ao Parlamento da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Entre os dias 4 e 6 de maio, os visitantes foram recebidos, além do CLP, pelo ministro de Relações Exteriores e da Informação da ANP, Riad Malki; pelo chefe do Departamento de Assuntos de Negociação da OLP, Saeb Arekat; pelo titular do Ministério para Assuntos dos Prisioneiros, ligado à ANP, Ashraf Ajrami, por Rafiq Hussein, chefe de gabinete do presidente palestino Mahmud Abaz, além de deputados da OLP. José Reinaldo também se reuniu com Bassan Sali, secretário-geral do Partido do Povo Palestino (antigo partido comunista), antigo Partido Comunista.

Os representantes do FSP visitaram regiões históricas e consideradas sagradas pelos cristãos, muçulmanos e judeus e o túmulo do ex-presidente da OLP e da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat. “Mas não pudemos visitar Gaza por razões alheias à nossa vontade; hoje é impossível entrar na região”, devido ao bloqueio israelense, lamentou Carvalho. Na entrevista a seguir, ele fala sobre as impressões dessa viagem e sobre o conflito entre israelenses e palestinos.

Palestina sob tensão
“Há um forte clima de tensão em todo o território palestino já que recentemente houve uma guerra de extermínio de Israel contra o povo palestino na Faixa de Gaza. Foi um verdadeiro genocídio. A situação está suspensa, mas não resolvida porque houve apenas uma trégua. Gaza continua bloqueada pelo exército israelense e o que acontece naquela região impregna toda a Palestina, o mundo árabe, o Oriente Médio e influi na situação internacional”. Leia o resto deste post »

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“PALESTINA: 61 ANOS DE SEGUIDAS NAKBAS (TRAGÉDIAS)

Publicado por Márcia Silva em 05/15/2009

Matéria encaminhada por Ualid da FEPAL

Neste 15 de maio o mundo lembra, pela 61ª. vez consecutiva, como a Palestina foi riscada do mapa e seu povo massacrado por imigrantes judeus de diversas partes do planeta que para lá acorreram, sob o manto do colonialismo imperialista britânico, muitos deles fugitivos de perseguições sofridas na Europa e outras nações ocidentais.

Tudo aconteceu num período que se estende de 1946 a 1948, culminando com a declaração unilateral e ilegal de um estado judaico sobre terras e cadáveres de milhares de palestinos mortos e perto de 800 mil expulsos, mais da metade da população palestina da época, tornada refugiada e hoje contada em mais de 4 milhões, a maior população refugiada do mundo nos dias de hoje e a que mais tempo assim permaneceu em toda a história humana.

Esta catástrofe – este é o significado da palavra árabe Nakba – se deu poucos meses, a considerar o início de seu recrudescimento, em 1946, da descoberta pelo mundo incrédulo das múltiplas tragédias provocadas na Europa pela 2ª. Guerra Mundial, dentre as quais a assombrosa perseguição e matança dos europeus de fé judaica.

Como se não bastasse, a humanidade presencia nova tragédia, desta vez contra os palestinos, perpetrada justamente pelas maiores vítimas da tragédia européia, os judeus, que promovem a maior e mais rápida limpeza étnica de que se tem notícia, marcada pela barbárie e crueldade premeditadas muitos anos antes. Leia o resto deste post »

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Discurso do Jadalla Safa em palestra sobre a Questão Palestina, no Rio de Janeiro

Publicado por Márcia Silva em 05/02/2009

do blog somos todos palestinos

A palestra do Companheiro Jadallah Safa dia 01/04/2009 em Rio de janeiro
É uma grande honra para mim estar presente aqui com vocês pela primeira vez, falando sobre a Palestina, minha terra amada, dela eu sai em 1979, e por causa das leis racistas da entidade sionista; Israel, perdi meu direito de retornar para ela. E se for preciso ou eu queria voltar, tenho que voltar como estrangeiro e com passaporte estrangeiro, como turista por tempo limitado de no máximo 3 meses, caso o governo racista de Israel permita.

Eu sou da Cisjordânia ocupada em 1967, e meu companheiro Nabil é de Akka, cidade ocupada em 1948. Nós dois estamos aqui no RJ, pela primeira vez para falar sobre a luta do povo palestino, esta luta que dura quase um século, começou no início do mandato Britânico em 1917. É uma luta para conquistar e gozar nossos Direitos, como o de construir nosso Estado independente, Autodeterminação e o Direito de Retorno para Ramallah que é minha cidade e Akka que é a cidade de meu companheiro, são Direitos sagrados e não negociáveis. Leia o resto deste post »

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Tensão em Gaza após bombardeio aéreo israelense

Publicado por Márcia Silva em 05/02/2009

gaza_tension

do site prensa latina Escrito por Larissa C. S. Silva

A tensão prevalecia hoje entre os residentes do sul de Gaza diante da possibilidade de que a aviação israelense bombardeasse novamente zonas fronteiriças com o Egito, com o pretexto de destruir túneis subterrâneos clandestinos. Vizinhos de Rafah e de outras áreas limítrofes relataram que forças de Israel lançaram dois ataques aéreos contra igual número de corredores que ligam o enclave ao Egito e servem de alternativa para contornar a escassez provocada por 23 meses de bloqueio israelense. A agressão produziu-se na sexta-feira à tarde e provocou feridas leves em uma pessoa, segundo informou o servidor público de saúde em Gaza, Moaiya Hassanain. Por seu lado, fontes militares em Tel Aviv justificaram a agressão como uma resposta ao lançamento de um foguete Qassam contra uma área deserta da região de Eshkol, no oeste de Negev, pela resistência encabeçada pelo Hamas. Segundo a versão israelense, tratou-se da segunda ação desse tipo em menos de 24 horas, depois de na quinta-feira à noite combatentes palestinos terem dispararado desde Gaza outro míssil contra a mesma zona. A resistência na faixa litorânea estendeu-se pelos 22 dias de devastadores bombardeios israelenses, durante a agressão de dezembro e janeiro passados, quando morreram mais de 1.400 pessoas e cerca de 5.300 ficaram feridas, a maioria civis. Fontes locais reportaram também que na sexta-feira dezenas de palestinos se enfrentaram com um grupo de colonos judeus próximo ao posto fronteiriço de Havat Gilad, em Shomron, ao rechaçar a agressão dos últimos por um conflito de terras em um terreno agrícola. As forças de ocupação israelenses também prenderam e submeteram a interrogatório nove pessoas, na madrugada da quinta-feira, durante redadas nas localidades de Jenín, Naplusa, Ramalah e Al-Khalil, na frente Ocidental. rl/ucl/lcss

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Ahmadinejad tem razão

Publicado por Márcia Silva em 04/23/2009

do portal vermelho

por Lejeune Mirhan*

A última Conferência Mundial da ONU sobre o racismo tinha ocorrido em 2001, na cidade de Durban, na África do Sul. Ela já tinha sido polêmica, envolvendo justamente o sionismo praticado pelo Estado de Israel. Uma parte dos delegados também retirou-se da reunião e alguns países sequer foram para lá. Desta feita, mais uma vez, o pretexto foi Israel. Tem ou não razão o presidente do Irã, Mahmud Ahamadinejad, quando acusa Israel de ser um estado racista?

Ahmadinejad condena o racismo de Israel

Um tema recorrente e um pouco de história

Nos últimos três meses e meio, tratei desse tema por diversas vezes. Israel é ou não um estado racista? Faço questão de esclarecer, mais uma vez, que o termo “racista” aqui empregado é mais usual e o empresto do movimento negro brasileiro. Ele é sinônimo de “discriminação”. Uma pessoa ou uma instituição é considerada “racista”, quando discrimina alguém pela sua origem étnica, pela eventual cor de sua pele, pela sua origem social. Há muitas formas no mundo, hoje, de discriminar pessoas. Pela origem é apenas uma delas. Aqui também vale o esclarecimento sobre a questão do termo ainda, pois não há que se distinguir uma pessoa da outra pela sua “raça”, pois neste caso consideramos a existência de apenas uma só raça, a de humanos em todo o planeta terra.

Esclarecido isso, temos tratado desse tema nesta coluna desde o dia 1º de Janeiro,, quando pedimos em alto e bom som: “Parem o Genocídio dos Palestinos”. Falávamos sobre o massacre, os bombardeios indiscriminados que Israel fazia na Faixa de Gaza, assassinando centenas de palestinos, na sua maioria crianças, mulheres e idosos. Na coluna do dia 2 de abril, usamos o título “Israel, um Estado racista”. E dávamos vários dados, fatos, notícias que, de nosso ponto de vista, confirmam essa afirmação.

A polêmica Conferência das Nações Unidas sobre Racismo teve início no dia 20 de abril e deve se estender até 24 de abril. Ela começou mal das pernas. Temendo terem suas posições discriminadoras derrotadas, boicotaram de cara a referida Conferência, países importantes como os Estados Unidos, a Alemanha, a Itália, Austrália, Nova Zelândia, Holanda entre outros. Mesmo depois da posse de Barak Obama, o primeiro negro eleito para presidir a maior potência do planeta, as coisas mantiveram-se no mesmo rumo da diplomacia anterior ditada por George W. Bush, ou seja, de boicotar a referida reunião.

Sim, sionismo já foi considerado racismo pela própria ONU. Senão vejamos. Na Assembléia Geral das Nações Unidas do dia 10 de novembro de 1975, portanto há quase 24 anos, foi votado uma Resolução, a de nº 3.379 que afirmava categoricamente que sionismo é racismo. A votação ocorreu por 75 votos a favor, 35 contrários e 32 abstenções (mesmo se todos esses votassem contra, ainda assim teriam 67 votos e a resolução teria sido aprovada da mesma forma”. Registre-se aqui que o Brasil votou pelo “sim” à época.

No entanto, em função da correlação de forças em vigor no mundo, com o fim do mundo bipolar e da vitória praticamente completa dos Estados Unidos na chamada Guerra Fria, a partir de 1991 com a derrota do Iraque na questão da ocupação do Kuwait, as coisas vão mudando de figura. Uma resolução como essa não duraria seis anos. Em 16 de dezembro de 1991, apenas seis anos e um mês depois, uma nova Resolução, de nº 4.686, também da Assembléia Geral, revogou a anterior por 111 votos a favor, 25 contrários e 13 abstenções (os árabes votaram contra a revogação e mais alguns outros, sendo que vários desses países árabes optaram em se ausentar da reunião do que votar pela sua manutenção, tamanha a pressão dos EUA e de Israel). Aqui, registre-se também, o Brasil não só votou pela revogação, como estava entre os países que patrocinaram a proposta de revogação, ao lado dos Estados Unidos.

Aqui uma lição de ciência política para as pessoas em geral. A mesma Organização política que congrega nações da Terra, num intervalo de seis anos apenas, modifica profundamente uma decisão de sua própria lavra tomada em outro momento histórico. O mundo mudou, as coisas mudaram, os referenciais também se alteraram. Um aprendizado para todos nós.

O modelo neoliberal, de financeirização do capital, que dominou o mundo por pelo menos 30 anos seguidos, desabou, ruiu em todo o mundo, mas segue ainda com força suficiente para continuar arrancando trilhões de dólares dos contribuintes para salvar os bancos falidos e seus ativos chamados tóxicos. A América Latina segue trilhando caminhos progressistas e para a esquerda, mesmo nos EUA, vence um candidato considerado progressista – para os padrões americanos, claro – e ainda agora, um discurso de um presidente, dizendo o que a própria ONU disse há 18 anos e isso é motivo de protestos de várias delegações que se retiraram da Conferência da ONU no último dia 20, na abertura do evento que deverá aprovar políticas anti-racistas para o mundo inteiro.

Que disse Ahmadinejad?

Convém listar aqui, pequenas passagens do que disse o presidente do Irã:

1. Israel e seu governo racista foram instalados pelo Ocidente para dominar o Oriente Médio;

2. O sionismo personifica o racismo que usa falsamente a religião para esconder o ódio;

3. O regime sionista nos ameaça com a guerra;

4. É preciso erradicar esse racismo.

Ahmadinejad não negou o Holocausto judeu, como dizem que ele fez em épocas passadas. Tampouco pregou a destruição de Israel em momento algum. Apenas disse que Israel viola todas as normas e leis do direito internacional, massacre e oprime o povo palestino e os discrimina em seu dia-a-dia. O que é absolutamente verdadeiro, conforme já amplamente demonstrado nesta coluna como em tantos outros artigos disponíveis pela Internet (carteira de identidade que pede a religião pessoal das pessoas; pagamento de salário para palestino pela metade do que ganham judeus para a mesma função; impossibilidade de palestinos adquirirem terras em Israel e tantas outras anomalias e odiosas discriminações).

Mas, o mundo ainda vive um momento delicado. As forças progressistas e populares, que vêm avançando a cada dia em suas lutas e suas conquistas, ainda não acumulam forças suficientes para fazer valer um ponto de vista como o de 1975, condenando Israel por práticas racistas, através de sua política sionista. Há muito ainda que se avançar.

O Irã, além de sua imensa população e seu poder estratégico decorrente do petróleo que possui e o coloca a serviço de seu povo, vem desenvolvendo pacificamente o seu programa nuclear, apesar das pressões americanas e de seus aliados para que ele seja interrompido. Mas mais do que isso, as ideias iranianas, através da corrente xiita do islamismo, vem mantendo sua influência em diversas organizações partidárias e populares que atuam em vários países, especialmente no Oriente Médio. Agora mesmo o próprio Obama acena em dialogar diretamente com o Irã e chama esse país pelo seu nome de “batismo”: República Islâmica do Irã, forma essa que seu antecessor, Bush, nunca utlizou.

Assim, ainda que vários países da União Europeia tenham se retirado da conferência após o discurso do presidente do Irã, as notícias que a imprensa veiculou é que o evento deverá adotar um documento final, de consenso, que poderia ser assinado por mais de 180 países. Uma pena que Obama tenha adotado essa posição equivocada neste delicado momento em que as portas do diálogo precisam permanecer abertas.


*Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological

* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.

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