CEBRAPAZ NÚCLEO RIO

Centro Brasileiro de Solidariedade aos povos e luta pela Paz

Arquivo da categoria ‘Oriente Médio’

Total solidariedade aos Palestinos

Publicado por Márcia Silva em 06/02/2010

do site do Cebrapaz

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz – Cebrapaz – vem
a público condenar de forma veemente o vil ataque militar israelense contra
a “Frota da Liberdade”, missão pacífica e humanitária que viajava à Faixa de
Gaza para entregar alimentos e remédios à população do território bloqueado por
Israel. Durante o ataque foram assassinadas 19 pessoas de diferentes
nacionalidades e mais de 60 ficaram feridas.

Tal crime de lesa-humanidade cometido pelo governo de Israel demonstra mais uma
vez sua natureza agressiva e terrorista. Israel não só nega o direito do povo
palestino a ter seu estado inde pendente, como usa a força militar para impedir
qualquer ajuda humanitária a este martirizado povo, vítima de ocupação e
ataques, como ocorreu e ntre fins de dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O Cebrapaz manifesta sua indignação, sua revolta e repúdio a este ato terrorista
perpetrado contra militantes desarmados e indefesos, bem como a solidariedade
ao povo palestino em sua legítima luta pela criação de um Estado livre e
independente com as fronteiras estabelecidas em 1967 e Jerusalém Oriental como
sua capital.

A ignominiosa agressão ocorreu em águas internacionais, constituindo, portanto,
crime de dimensão internacional. É necessário dizer que as agressões do Estado
israelense contra o povo palestino têm contado com o apoio e a tolerância dos
Estados Unidos.

O Cebrapaz soma-se ao Conselho Mundial da Paz no chamamento a todas as forças
amantes da paz para que den unciemos amplamente mais este crime, que não pode
ficar impune.
Viva o povo palestino!
Fora Israel das terras ocupadas palestinas!
Libertação imediata dos ativistas e dos navios e da sua carga humanitária!

São Paulo, 31 de maio de 2010.

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Revendo a história, a razão está com os palestinos – Por Antonio Barreto

Publicado por Márcia Silva em 01/12/2010

do portal do CEBRAPAZ

S<em>íntese da história da Palestina e da luta do seu povo que nos últimos 50 anos viu sua pátria ser invadida e dominada pelo império colonial Israel/Estados Unidos.</em>

            A questão palestina precisa ser entendida não apenas pelas pendências religiosas e limites territoriais geográficos, mas principalmente pela trajetória histórica do seu povo. Vista por esse ângulo, caem por terra todas as justificativas israelenses para a invasão do território e o massacre dos palestinos. 

Com 27 mil quilômetros quadrados incrustados no cruzamento de três continentes  – Europa, Ásia e África – a Palestina é um ponto estratégico do ponto de vista militar, comercial e político.
Apesar de vários povos terem passado pela Palestina em seus 10 mil anos de história, apenas três povos  se destacaram nessa região e deixaram as marcas da sua cultura. Foram os cananeus, os filisteus e os israelitas.

Os cananeus são os mais antigos na Palestina, tendo ali se instalado  há cerca de 3.000 anos  a..C. Foram eles que deram ao país o nome histórico de “terra de Canaã”. Entre suas cidades, encontra-se Jerusalém, nascida há 1800 a.C.

Os israelitas que vagaram pelo deserto depois do seu êxodo do Egito, chegaram à parte oriental de Canaã cerca de 1.200 a.C. e iniciaram o processo de colonização com as 12 tribos de Israel, unidas por Saul que fundou o primeiro reino israelita na Palestina em 1030 a.C., que durou até 587 a.C., quando o reino de Judá foi destruído pelos babilônios. A partir daí, sai de cena o governo israelita na Palestina, situação essa que durou até meados do século XX. Leia o resto deste post »

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EUA intensifica guerra no Afeganistão

Publicado por Márcia Silva em 10/10/2009

do portal do CEBRAPAZ

Relatório de General relança o debate sobre o agravamento da guerra no Afeganistão. Por John Catalinotto*

O General Stanley McChrystal apresentou no seu relatório a exigência de se recrutarem a mais, pelo menos, 40 000 tropas suplementares para se responder cabalmente ao esforço de guerra no Afeganistão, argumentando que tal aumento dos efectivos seria indispensável para a vitória estadunidense. O Presidente Barack Obama, respondeu a pedir tempo para a administração afinar a sua própria estratégia, respeitante ao Afeganistão.

Esta batalha encontra-se, actualmente, a decorrer no interior dos círculos de poder dos EUA, situando-se uma possível escolha, entre a retirada das tropas ou, em alternativa, na perspectiva de um eventual cemitério do tipo do ocorrido no Vietname, que poderia arrastar-se ao longo de, pelo menos, uma década mais, antes de se esfumar num colapso para o imperialismo.

Dentro da própria administração, no Congresso, no Pentágono e nos meios de comunicação social que seguem a ideologia dominante, as várias formas de oposição têm vindo a revelar assinaláveis diferenças tácticas. A questão chave é a de se apurar até que ponto é que se poderá agravar a ocupação dos EUA e da NATO no Afeganistão. Leia o resto deste post »

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Faz 6 anos que o Iraque foi ocupado e bombardeado

Publicado por Márcia Silva em 04/23/2009

do site  www.cppc.pt

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Ahmadinejad tem razão

Publicado por Márcia Silva em 04/23/2009

do portal vermelho

por Lejeune Mirhan*

A última Conferência Mundial da ONU sobre o racismo tinha ocorrido em 2001, na cidade de Durban, na África do Sul. Ela já tinha sido polêmica, envolvendo justamente o sionismo praticado pelo Estado de Israel. Uma parte dos delegados também retirou-se da reunião e alguns países sequer foram para lá. Desta feita, mais uma vez, o pretexto foi Israel. Tem ou não razão o presidente do Irã, Mahmud Ahamadinejad, quando acusa Israel de ser um estado racista?

Ahmadinejad condena o racismo de Israel

Um tema recorrente e um pouco de história

Nos últimos três meses e meio, tratei desse tema por diversas vezes. Israel é ou não um estado racista? Faço questão de esclarecer, mais uma vez, que o termo “racista” aqui empregado é mais usual e o empresto do movimento negro brasileiro. Ele é sinônimo de “discriminação”. Uma pessoa ou uma instituição é considerada “racista”, quando discrimina alguém pela sua origem étnica, pela eventual cor de sua pele, pela sua origem social. Há muitas formas no mundo, hoje, de discriminar pessoas. Pela origem é apenas uma delas. Aqui também vale o esclarecimento sobre a questão do termo ainda, pois não há que se distinguir uma pessoa da outra pela sua “raça”, pois neste caso consideramos a existência de apenas uma só raça, a de humanos em todo o planeta terra.

Esclarecido isso, temos tratado desse tema nesta coluna desde o dia 1º de Janeiro,, quando pedimos em alto e bom som: “Parem o Genocídio dos Palestinos”. Falávamos sobre o massacre, os bombardeios indiscriminados que Israel fazia na Faixa de Gaza, assassinando centenas de palestinos, na sua maioria crianças, mulheres e idosos. Na coluna do dia 2 de abril, usamos o título “Israel, um Estado racista”. E dávamos vários dados, fatos, notícias que, de nosso ponto de vista, confirmam essa afirmação.

A polêmica Conferência das Nações Unidas sobre Racismo teve início no dia 20 de abril e deve se estender até 24 de abril. Ela começou mal das pernas. Temendo terem suas posições discriminadoras derrotadas, boicotaram de cara a referida Conferência, países importantes como os Estados Unidos, a Alemanha, a Itália, Austrália, Nova Zelândia, Holanda entre outros. Mesmo depois da posse de Barak Obama, o primeiro negro eleito para presidir a maior potência do planeta, as coisas mantiveram-se no mesmo rumo da diplomacia anterior ditada por George W. Bush, ou seja, de boicotar a referida reunião.

Sim, sionismo já foi considerado racismo pela própria ONU. Senão vejamos. Na Assembléia Geral das Nações Unidas do dia 10 de novembro de 1975, portanto há quase 24 anos, foi votado uma Resolução, a de nº 3.379 que afirmava categoricamente que sionismo é racismo. A votação ocorreu por 75 votos a favor, 35 contrários e 32 abstenções (mesmo se todos esses votassem contra, ainda assim teriam 67 votos e a resolução teria sido aprovada da mesma forma”. Registre-se aqui que o Brasil votou pelo “sim” à época.

No entanto, em função da correlação de forças em vigor no mundo, com o fim do mundo bipolar e da vitória praticamente completa dos Estados Unidos na chamada Guerra Fria, a partir de 1991 com a derrota do Iraque na questão da ocupação do Kuwait, as coisas vão mudando de figura. Uma resolução como essa não duraria seis anos. Em 16 de dezembro de 1991, apenas seis anos e um mês depois, uma nova Resolução, de nº 4.686, também da Assembléia Geral, revogou a anterior por 111 votos a favor, 25 contrários e 13 abstenções (os árabes votaram contra a revogação e mais alguns outros, sendo que vários desses países árabes optaram em se ausentar da reunião do que votar pela sua manutenção, tamanha a pressão dos EUA e de Israel). Aqui, registre-se também, o Brasil não só votou pela revogação, como estava entre os países que patrocinaram a proposta de revogação, ao lado dos Estados Unidos.

Aqui uma lição de ciência política para as pessoas em geral. A mesma Organização política que congrega nações da Terra, num intervalo de seis anos apenas, modifica profundamente uma decisão de sua própria lavra tomada em outro momento histórico. O mundo mudou, as coisas mudaram, os referenciais também se alteraram. Um aprendizado para todos nós.

O modelo neoliberal, de financeirização do capital, que dominou o mundo por pelo menos 30 anos seguidos, desabou, ruiu em todo o mundo, mas segue ainda com força suficiente para continuar arrancando trilhões de dólares dos contribuintes para salvar os bancos falidos e seus ativos chamados tóxicos. A América Latina segue trilhando caminhos progressistas e para a esquerda, mesmo nos EUA, vence um candidato considerado progressista – para os padrões americanos, claro – e ainda agora, um discurso de um presidente, dizendo o que a própria ONU disse há 18 anos e isso é motivo de protestos de várias delegações que se retiraram da Conferência da ONU no último dia 20, na abertura do evento que deverá aprovar políticas anti-racistas para o mundo inteiro.

Que disse Ahmadinejad?

Convém listar aqui, pequenas passagens do que disse o presidente do Irã:

1. Israel e seu governo racista foram instalados pelo Ocidente para dominar o Oriente Médio;

2. O sionismo personifica o racismo que usa falsamente a religião para esconder o ódio;

3. O regime sionista nos ameaça com a guerra;

4. É preciso erradicar esse racismo.

Ahmadinejad não negou o Holocausto judeu, como dizem que ele fez em épocas passadas. Tampouco pregou a destruição de Israel em momento algum. Apenas disse que Israel viola todas as normas e leis do direito internacional, massacre e oprime o povo palestino e os discrimina em seu dia-a-dia. O que é absolutamente verdadeiro, conforme já amplamente demonstrado nesta coluna como em tantos outros artigos disponíveis pela Internet (carteira de identidade que pede a religião pessoal das pessoas; pagamento de salário para palestino pela metade do que ganham judeus para a mesma função; impossibilidade de palestinos adquirirem terras em Israel e tantas outras anomalias e odiosas discriminações).

Mas, o mundo ainda vive um momento delicado. As forças progressistas e populares, que vêm avançando a cada dia em suas lutas e suas conquistas, ainda não acumulam forças suficientes para fazer valer um ponto de vista como o de 1975, condenando Israel por práticas racistas, através de sua política sionista. Há muito ainda que se avançar.

O Irã, além de sua imensa população e seu poder estratégico decorrente do petróleo que possui e o coloca a serviço de seu povo, vem desenvolvendo pacificamente o seu programa nuclear, apesar das pressões americanas e de seus aliados para que ele seja interrompido. Mas mais do que isso, as ideias iranianas, através da corrente xiita do islamismo, vem mantendo sua influência em diversas organizações partidárias e populares que atuam em vários países, especialmente no Oriente Médio. Agora mesmo o próprio Obama acena em dialogar diretamente com o Irã e chama esse país pelo seu nome de “batismo”: República Islâmica do Irã, forma essa que seu antecessor, Bush, nunca utlizou.

Assim, ainda que vários países da União Europeia tenham se retirado da conferência após o discurso do presidente do Irã, as notícias que a imprensa veiculou é que o evento deverá adotar um documento final, de consenso, que poderia ser assinado por mais de 180 países. Uma pena que Obama tenha adotado essa posição equivocada neste delicado momento em que as portas do diálogo precisam permanecer abertas.


*Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological

* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.

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A nova moda em Israel

Publicado por Márcia Silva em 04/16/2009

o portal vermelho

por Lejeune Mirhan*

Já deveria ter tratado deste assunto em colunas anteriores, mas outros temas me ocuparam. O mundo tem assistido, ainda impassível, à divulgação de uma nova onda fashion adotada em especial por soldados israelenses. Camisetas de vários tipos, com imagens discriminadoras e agressivas contra palestinos, mulheres e crianças, provam o racismo e a discriminação existentes na sociedade degenerada que se tornou Israel.

Um tiro, dois mortos” isso é fashion em Israel!

A foto estarrecedora

Na semana que iniciou em 23 de março, o maior jornal – e muito respeitado inclusive – de Israel, o Haaretz estampou manchete que estarreceu boa parte do mundo: uma nova moda está fervendo entre soldados do exército de Israel. Trata-se de usar camisetas com dizeres discriminadores e agressivos contra os palestinos, um povo dominado e agredido desde o início do século 20, pelo menos. (1)

Ainda que não seja uma orientação oficial do exército e das forças armadas, a notícia menciona o fato que a maioria dos oficiais não só autoriza o uso como estimula que seus soldados adquiram essas camisetas. Uma confecção próxima da cidade de Tel Aviv informa que não estava vencendo a produção dessas camisetas.

As estampas variam nas camisetas, todas coloridas, algumas usando fotos e outras usando desenhos e ilustrações. A que mais chocou o mundo é a que diz  “Um tiro, dois mortos”. O desenho é uma palestina grávida na mira de um fuzil israelense. Ou seja, com apenas um disparo, o soldado mataria de uma só vez dois palestinos. Essa camiseta surgiu no batalhão Shaked da Brigada Givati.

Mas, existem outros tipos de estamparia. Também chocam as camisetas com fotos de crianças palestinas mortas, mulheres palestinas chorando em túmulos de seus parentes e uma delas mostra um soldado israelense jogando uma bomba em uma mesquita. A camiseta com a criança morta aparece próxima à sua mãe e ao seu lado um ursinho de pelúcia. Cenas macabras que viram moda em peitos de jovens israelenses.

Num curso de franco atiradores do exército, há uma camiseta singela. Mostra um bebê palestino, depois um jovem combativo e depois um adulto armando e em seguida a frase: “Não importa como começa, nós colocaremos um fim nisso”. Um batalhão chamado Lavi, de treinamento de jovens soldados, há uma camiseta de apelo sexual. Uma delas mostra um desenho de uma jovem palestina, machucada, ferida, com a frase: “aposto que te violaram!”.

Uma camiseta que chegou a ser muito comum em anos anteriores, mas foi proibido pelo exército é a que diz “Não nos tranqüilizaremos enquanto não tivermos confirmado o morto”, ou como quem diz, mesmo depois de ferido, um palestino combatente da resistência deve ser assassinado mesmo que já imobilizado. Mesmo proibidas, essas camisetas são usadas por soldados do batalhão Haruv. Outra diz assim: “Que toda mãe árabe saiba que a vida de seu filho está em minhas mãos”, mostrando a foto de um soldado israelense apontando seu fuzil para um jovem ou criança palestina. Essa foi impressa às centenas, ainda que também tenha sido oficialmente proibida.

Essas camisetas são preparadas ao término de cada curso do exército de Israel, seja de novos soldados, da infantaria ou de franco atiradores, que são considerados a elite dos soldados pois possuem um “rendimento” elevado em termos de mortes de soldados inimigos. No caso, os inimigos são o povo palestino. Cada nova turma cria um novo desenho, uma nova estamparia. Os oficiais superiores dessas turmas fazem com que os cadetes e soldados em preparação as usem para que possam ir se familiarizando com suas condutas futuras, matar indiscriminadamente palestinos. É como se esse processo fosse parte de uma lavagem cerebral. No entanto, a grande maioria dos soldados israelenses usa essas camisetas com o maior orgulho.

Porque isso ocorre?

Camiseta como essa não é causa, mas sim consequência de um problema maior, de fundo. A base da sociedade e do Estado de Israel é profundamente racista, discriminadora. Aqui usamos o termo “racista”, como é empregado de forma usual no movimento negro, no Brasil e no mundo, mais como sinônimo de discriminador. Nada tem a ver com raça, pois reconhecemos apenas uma raça na terra, que é a humana.

Israel é um Estado judeu. Essa é a sua essência e não importa qual governo, seja de extrema direita ou dito de esquerda ou social-democrata, ele será sempre judeu. Assim, essas camisetas amplamente vendidas, de forma legal, em lojas da moda e usadas com orgulho pela maioria dos soldados, é parte de um fenômeno que tem na sua origem uma concepção de criação de um estado que nega a existência de um povo, que é o palestino, habitante da Palestina há milhares de anos. Essa é a essência do sionismo político.

Há muitos anos um documento da Organização Internacional do Trabalho – OIT, organismo do Sistema das Nações Unidas e muito respeitado em todo o mundo pelos seus estudos e pesquisas, publicou um trabalho mencionando as diferenças salariais existentes entre trabalhadores judeus e palestinos que moram em Israel. Tais diferenças ultrapassavam, em alguns casos, a 50%, ou seja, um trabalhador palestino ganha apenas metade do que ganha um trabalhador judeu para as mesmas funções. Mas, aqui ocorre uma segunda discriminação. Os trabalhos reservados aos palestinos são de segunda categoria, para funções e profissões de menor remuneração (pedreiros, faxineiros entre outras). Mas se não bastasse ganhar menos, muitas vezes os palestinos nem sequer conseguem chegar aos seus locais de trabalho, tamanhas são as exigências de locomoção, passar pelos chamados check points existentes às centenas por todo Israel. Para entrar no trabalho às 8h, um palestino deve sair de casa pelo menos quatro horas antes e mesma coisa para retornar. Uma verdadeiro martírio.

Por fim, não poderia deixar de mencionar uma das maiores provas que o Estado de Israel é um estado que discrimina pessoas. Trata-se da forma como as carteiras de identidades são confeccionadas e expedidas. Em todo os países do mundo, uma carteira emitida por um estado informa dados básicos de uma pessoa como, nome completo, filiação, data e local de nascimento e onde ela foi expedida. Pouca coisa mais do que isso. Em Israel, as carteiras teem uma informação adicional, que é vital para que uma pessoa seja tratada como cidadão ou como pessoa de segunda classe que é a informação sobre a religião ou etnia. Assim, se a pessoa se declarar “judeu” (e isso tem que ser provado até a quarta geração ascendente), ela terá todos os direitos básicos. Mas, se declarar-se muçulmano, cristão, ou árabe, será sempre considerado cidadão de segunda categoria.

Lamentável que isso ocorra, e aos olhos de todo o mundo, que nada faz.

Nota

(1) O artigo a que me refiro é de Uri Blau e pode ser lido em espanhol no site Rebelión no seguinte endereço: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=82680


*Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological


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Reprise do programa sobre a Questão da Palestina

Publicado por Márcia Silva em 04/13/2009

O Cebrapaz comunica que o programa Nação Brasil da TVeducativa do Paraná deste último domingo, dia 12 de abril, que apresentou o debate sobre a questão da palestina será reapresentado.

data:   dia 17 de abril de 2009  – sexta-feira

Horário:  22:10h

Emissora: TV Educativa do Paraná

Transmissão do programa:

O
programa Brasil Nação, produzido pela TV Educativa do Paraná é exibido
em todo o país, por meio do sinal de Parabólica 1320MHZ, polarização
horizontal, transmitido em sinal aberto VHF em todo o Paraná, e também
por meio da emissora Cidade Livre de Brasília, canal 8 da NET e canal
115 da SKY.

Além de ser uma rede estadual, a Paraná Educativa pode ser
sintonizada em toda a América Latina por antena parabólica, e também em
outras partes do mundo, através da exibição simultânea via internet

http://www.pr.gov.br/rtve

Além disso, o programa também é
transmitido simultaneamente pelas Rádios Paraná Educativa AM e FM.

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DEBATE SOBRE A PALESTINA NA TELEVISÃO

Publicado por Márcia Silva em 04/09/2009

o site do cebrapaz

O Cebrapaz convida a todos e a todas para assistirem a um debate sobre a Palestina, a ser exibido no próximo domingo (12), no Programa Brasil Nação, transmitido pela TV Educativa para o Estado do Paraná e para toda a América Latina.

Durante o programa, gravado no último dia 5 de abril, os debatedores Omar Nasser, jornalista da Associação Beneficiente Muçulmana do Paraná, o sociólogo e arabista Lejeune Mirhan, presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo e membro da direção nacional do Cebrapaz, José Reinaldo Carvalho, jornalista e diretor de Comunicação do Cebrapaz, e Ualid Rabah, diretor da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), deram uma aula sobre a Palestina.

Serviço
Data: domingo, 12 de abril de 2009.
Horário: 21h30
Emissora: TV Educativa do Paraná

Transmissão do programa:

O programa Brasil Nação, produzido pela TV Educativa do Paraná é exibido em todo o país, por meio do sinal de Parabólica 1320MHZ, polarização horizontal, transmitido em sinal aberto VHF em todo o Paraná, e também por meio da emissora Cidade Livre de Brasília, canal 8 da NET e canal 115 da SKY.

Além de ser uma rede estadual, a Paraná Educativa pode ser sintonizada em toda a América Latina por antena parabólica, e também em outras partes do mundo, através da exibição simultânea via internet (http://www.pr.gov.br/rtve). Além disso, o programa também é transmitido simultaneamente pelas Rádios Paraná Educativa AM e FM.

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A inviabilidade da paz na Palestina

Publicado por Márcia Silva em 04/09/2009

do portal vermelho

por Lejeune Mirhan*

Já falamos muito do novo governo de Israel. É provável que nunca um governo tenha tido tantos deputados em sua base de apoio. São 74 ao todo. E nunca Israel teve tantos ministérios. São 33 ministros, sendo que seis são deputados-ministros. Fala-se na mídia que é uma base heterogênea, da extrema direita fascista até a dita centro-esquerda. Que futuro a paz pode ter nesse cenário?


Netanyahu toma posse no Knesset

“Processos de Paz”

Coloquei aspas nesse subtítulo de forma proposital. Quando se fala que o “processo de paz” corre risco com esse novo governo, induz a maioria dos leitores, com conhecimentos medianos sobre a questão palestina, a chegar à conclusão que existia um processo em andamento. Ledo engano. Os ditos “processos de paz”, que se iniciaram em Madri em 1991 e concluiu-se com o acordo com a OLP em Oslo em 1993, há muito tempo foram interrompidos (1).

Não é a primeira vez que Netanyahu vai governar Israel. Ele o fez entre os anos de 1996 e 1999. Um governo desastroso, no geral, tanto política como economicamente. Um de seus maiores erros e uma afronta ao povo palestino foi tentar, em setembro de 1996, construir um túnel por baixo da sagrada Mesquita de Al Aksa, abalando ainda mais as suas já frágeis estruturas. Isso gerou imensa revolta na cidade de Jerusalém. Em outubro desse mesmo ano ele aprovou a construção de milhares de novas residências em terras palestinas, mais colônias, fortificou 33 delas e construiu 13 rodovias para interligar essas colônias, para uso exclusivo de judeus. Netanyahu nunca defendeu a solução de dois estados. É radicalmente contra isso. Nestes dez anos que ficou na oposição, fortaleceu e se convenceu ainda mais dessa posição.

Do ponto de vista do povo palestino, nestes 61 anos da Nabka (Catástrofe, em árabe; 14 de maio de 1948, criação de Israel) pouco importa se um governante israelense pertence ao Partido Trabalhista, Likud ou ao mais recente Kadima (racha do Likud). São todos praticamente iguais. Não há quase diferenças entre eles. E para provar isso, veja o discurso de Ehud Barak, proferido há exatos dez anos, em 1999, quando ele substituiu o atual Netanyahu: “Digo-lhes que é chegado o tempo da paz – não a paz da fraqueza, mas a paz com poder e segurança; não a paz às expensas da segurança, mas paz que traga segurança. Trataremos de nos separar rapidamente dos palestinos, mediante quatro linhas vermelhas de segurança: Jerusalém unificada sob soberania de Israel, como capital eterna de Israel. E ponto final. Sob nenhuma condição voltaremos às fronteiras de 1967. Nenhum exército estrangeiro, a oeste do rio Jordão. E a maioria dos colonos em Judeia e Samária viverão em prédios construídos ali, sob soberania de Israel [grifos nossos]. (sic)”

Nada disso mudou. Essas posições mantém-se cristalizadas, sejam expressas pelos políticos trabalhistas (que uns equivocadamente ainda acham que são “socialistas” ou mesmo social-democratas) ou membros do Kadima ou Likud, bem mais à direita. Como diz Baroud em seu belo artigo citado, para os quase 1,4 mil mortos em Gaza pouco importa se as bombas que caíram sobre suas cabeças foram disparadas por este ou aquele partido de centro ou de direita. Morreriam de qualquer forma.

Um governo heterogêneo

Netanyahu é de extrema direita. Avigdor Liebermann também, beirando ao fascismo. Ele mesmo é colono em terras palestinas. A diferença do partido que ele lidera com o Shas, é que ele expressa uma direita laica, não religiosa e os outros são judeus ultra-ortodoxos com relação à religião. Defendem a manutenção do caráter judeu do Estado de Israel.

Um dos intelectuais judeus a que mais admiro na atualidade é, sem dúvida, Uri Avnery, escritor israelense. Uma interessante análise ele tem feito sobre a chamada heterogeneidade do novo governo, com seus 74 deputados. Nesse governo conviverão fascistas de direita com gente dita de centro-esquerda; secularistas com ultra-religiosos. Para ele, Netanyahu fez isso de forma muito consciente. Uma situação de equilíbrio ideal. O chefe de governo pode lançar mão ora de deputados de um lado ora de outro e manter-se como uma espécie de equilibrista entre as várias correntes (2).

São cinco as grandes lideranças do novo governo: Netanyahu, do Likud, Barak, do Labor, Liebermann, do Beitenu, Ellie Yishai, do Shas e Danny Hershkovitz, do Lar Judeu. Considerando Barak o “mais moderado”, mas que na prática é homem de direita, da para ver que essa “turma” tem espectro ideológico extremamente conservador.

Segundo Avnery, eles têm pelo menos três unanimidades: 1. São totalmente contra a criação do Estado Palestino, em qualquer que seja o território; 2. Não conversam com o Hamas e 3. Apoiam decisivamente a ocupação e a expansão da colonização. Ora, assim nos resta indagar: como podemos ter alguma esperança com a paz? Não podemos.

Aqui há um agravante: Barak foi quem cunhou pela primeira vez a frase que ficou famosa: “não temos parceiros para a paz”. Foi assim desde Arafat. Este foi desmoralizado, foi atacado, foi humilhado, chegou a ficar sitiado, preso na sede do governo da Autoridade Palestina em Ramallah na Cisjordânia. Ninguém negociava a sério com a OLP. Isso porque na verdade Israel não quer e nunca quis a paz. Tudo é dissimulado. É um jogo de cena, de declarações dúbias, com sentido distorcido, figurado. Tudo é mascarado. Fala-se mentiras com ares de verdade. É um jogo da política mais falsa que pode existir.

Aqui vem uma conclusão de Avnery com a qual estou plenamente de acordo. Israel hoje se moveu bem mais á direita do que já se situava. Em contrapartida, o Império do Norte, os Estados Unidos, moveram-se ao centro. Há sinais de algum progressismo no novo governo americano. Como há um absoluto consenso entre israelense que o papel dos Estados Unidos é primordial para Israel, a equação não se fechará, apesar de toda a unanimidade no governo direitista de Israel, pelo fator que é Barak Obama.

Obama quer resolver a questão palestino-israelense. Ou melhor, ele precisa resolver essa questão. Não pode querer manter-se em conflito em várias partes do mundo, sustentar pelo menos 865 bases militares no planeta, seguir ocupando dois países, administrar um conflito quase secular (palestinos), em meio a uma imensa crise econômica que sangra em trilhões de dólares o já combalido tesouro estadunidense. É preciso distensionar.

Várias promessas de campanha de Obama ele poderá cumprir. Uma delas ele cumpriu no último final de semana. Disse, em campanha, que antes dos cem dias de seu governo, ele discursaria em um país muçulmano. Ele que tem nome muçulmano (Barak Hussein). E cumpriu. Falou em Ancara, capital da Turquia, um governo secular em um país quase que 100% islâmico. Mas mais do que isso. Recep Erdogan é amigo dos Estados Unidos, mas com excelente trânsito com o mundo árabe e com os palestinos. Vamos ver se ele cumprirá o que escreveu em sua página de campanha, no sentido de que a Turquia reconheça o massacre dos armênios de 1915, quando 1,5 milhão de armênio foram mortos. Foi à Turquia, mas silenciou-se sobre esse tema. Mas, esta ainda no início de governo.

Como dialéticos temos que ver na essência e não somente na aparência. Não acreditaremos no que Netanyahu falará ao mundo. Ele vai tentar enganar até o presidente dos Estados Unidos. Obama poderá ser o marido traído, como diz Avnery, ou enfrentar o poderoso lobbie judaico americano e tentar uma solução de Dois Estados, Dois Povos, defendida até pelo seu antecessor de direita, que foi Bush Jr.

Quanto a isso, somente os próximos meses é que nos responderão a essa questão. De minha parte, espero que Obama deseje, sinceramente, uma paz verdadeira e justa. Netanyahu, sabemos, não deseja.

Notas

(1) Boa parte das informações contidas no artigo desta semana, extrai do excelente trabalho de Ramzy Baroud, cujo título é “Netanyahu e o futuro do ‘processo de paz’”, que pode ser lido no endereço

http://www.counterpunch.org/baroud03272009.html

(2) Veja excelente artigo de Avnery “Biberman & Co” de 29 de março de 2009, que pode ser lido na página

http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1238277190/


*Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological

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