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Centro Brasileiro de Solidariedade aos povos e luta pela Paz

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Obama vem aí; para movimentos sociais é “persona non grata”

Publicado por Márcia Silva em 03/15/2011

do portal vermelho

Os movimentos sociais brasileiros consideram o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, persona non grata no Brasil e repudiam a sua presença no país. Durante sua primeira visita ao Brasil, Obama fará um discurso na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, no próximo domingo (20). O evento terá início a partir das 11h30. O discurso do presidente americano será traduzido.

Obama chegou à presidência dos Estados Unidos em 2008 depois de uma propaganda eleitoral que pregava “mudanças”, em oposição ao belicismo e à desastrosa administração na economia realizada por seu antecessor, George W. Bush.

De acordo com o consulado americano, durante sua visita, Obama passeará pelo Cristo Redentor e na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Obama deve se reunir, em Brasília, com a presidente Dilma Rousseff, participará de um almoço no Itamaraty e de um jantar no Palácio do Planalto, acompanhado da mulher, Michelle, e das filhas Malia e Sasha.

O voo que traz Obama ao Brasil está programado para aterrissar na Base Aérea de Brasília às 8h de sábado (19). Após desembarcar, o primeiro compromisso de Obama será um encontro com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, às 10h.

Em entrevista ao Portal Vermelho, a ativista Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz (Cebrapaz), disse que a visita do mandatário estadunidense será marcada pelo enérgico repúdio que os movimentos sociais manifestarão à presença de Obama no Brasil.

Segundo ela, “os movimentos sociais como o Cebrapaz e as entidades que integram a Coordenação dos Movimentos Sociais [CMS) devem manifestar o repúdio à visita de Obama ao Brasil. A nossa mídia diz que Obama vai fazer e acontecer no Brasil, mas na realidade ele vem para cá para impor a agenda do imperialismo na região”.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Portal Vermelho: O que o Cebrapaz pretende fazer durante a visita de Obama ao Brasil?
Socorro Gomes: Os movimentos sociais, como o Cebrapaz e as entidades que integram a Coordenação dos Movimentos Sociais [CMS) devem manifestar o repúdio à visita de Obama ao Brasil. O que os Estados Unidos têm feito na América Latina é um mau exemplo. A nossa experiência mostra que os EUA não nos veem como amigos, mas como terra para explorar, dominar e saquear. Querem saquear recursos naturais, controlar os nossos mercados e dominar nossos povos [da América Latina].

Por isso os povos latino-americanos buscaram outro caminho de independência e soberania. Nossa história foi escrita com muito sangue e sofrimento, com ditaduras, invasões militares, complôs patrocinados pela CIA, assassinatos de presidentes. Nossa história testemunha a truculência e a força bruta do imperialismo americano em nosso território.

Quais são os verdadeiros motivos da viagem?
Socorro: Obama fala em paz, em Direitos Humanos. Mas sua administração não cumpriu com as promessas feitas em sua campanha eleitoral, que dizia serem “sagradas”. O desmantelamento da prisão de Guantânamo é promessa não cumprida e que não vai se cumprir em seu mandato. Ele tem total descompromisso com a paz. Não se discute sequer a situação de Guantânamo, uma área militar ocupada contra a vontade do povo cubano.

Obama vem ao Brasil para falar de Direitos Humanos e Paz, mas ao mesmo tempo dá total apoio ao regime israelense quando invade, ocupa e promove a colonização de territórios palestinos.

Hoje, os Estados Unidos articulam uma intervenção militar contra a Líbia, demonstrando completo desrespeito à soberania dos povos.

Na América Latina, aprofundou a ingerência militar. Honduras, Panamá e Colômbia são exemplos gritantes disso. A manutenção da Quarta Frota da Marinha de Guerra americana, criada por Bush em junho de 2008, também desmente Obama e configura-se numa grande ameaça à soberania e à paz no continente latino-americano.

O que Obama vem fazer aqui é discurso retórico, descompromissado com suas atitudes, que têm ido no rumo contrário à paz e ao Direito Internacional. O regime americano mantém 50 mil soldados na ocupação do Iraque, além da ocupação do Afeganistão, que Obama declarou ser a “sua guerra”. O Nobel da Paz caminha no sentido contrário ao da paz e da amizade entre os povos.

Entre outros assuntos, Obama deve abordar as relações que o Brasil tem com Venezuela e Cuba de forma a pressionar por outro caminho…
Socorro: As nossas relações com outros povos são relações de países soberanos, que prezamos muito, e não aceitamos ingerências sobre elas. Com a Venezuela temos interesses comuns, como o Mercosul, como a Unasul. Participamos de uma serie de foros conjuntos e procuramos construir um caminho comum soberano, sob um novo paradigma. De respeito e de complementaridade, diferente das relações de força dos EUA com as nações do nosso continente.

Um fato curioso e que desperta o interesse da nossa mídia, desviando a atenção dos assuntos importantes, é que a embaixada dos Estados Unidos vai dar gadgets eletrônicos àqueles que fizerem as melhores frases de boas vindas ao presidente Obama. Você vê nisso alguma semelhança com o que os colonizadores fizeram no descobrimento do Brasil?
Socorro: Esse é o tipo de relação que o imperialismo tem com os nossos povos, é uma tentativa de humilhar o nosso povo, repete a estratégia dos colonizadores, que davam miçangas, vidros coloridos e espelhos, ao mesmo tempo em que levavam em troca as nossas riquezas, como o ouro, o diamante e o pau-brasil.

Da redação

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Samuel Pinheiro Guimarães: é ilógico dizer que os países desarmados ameaçam a paz

Publicado por Márcia Silva em 03/28/2010

do portal do Cebrapaz

23/03/2010
Ex-número 2 do Itamaraty e sucessor do ministro Mangabeira Unger na Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães ataca “potências nucleares que não cumprem o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)”, mas exigem de países desarmados, como Brasil e Irã, “o estrito respeito de suas obrigações”.A dois meses de duas grandes cúpulas sobre a questão nuclear, uma em Washington, outra em Nova York, um dos ideólogos da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva questionou a decisão brasileira de aderir ao TNP, em 1998. Em entrevista neste domingo (21) ao jornal O Estado de S.Paulo, ele também afirmou que nem um compromisso dos poderosos em reduzir significativamente seus arsenais poderá fazer o Brasil assinar o chamado “protocolo adicional” do tratado.Guimarães coordena atualmente o esforço interministerial para conduzir o programa nuclear brasileiro. Tentando se esquivar de questões sobre política externa (“Não me ocupo mais disso”), o ministro deu sua opinião sobre a suposta “partidarização” do Itamaraty e negou acusações de envolvimento na crise hondurenha.

Por que o Brasil não assina o protocolo adicional do TNP?
O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo e o conhecimento completo do ciclo de enriquecimento. Nossa Constituição obriga o uso de tecnologia nuclear somente para fins pacíficos e é preciso lembrar que o TNP, do qual somos signatários, tem duas partes. De um lado, o compromisso dos países nucleares de promover seu próprio desarmamento – e completo. De outro, países não nuclearmente armados se comprometem a não desenvolver a bomba, mas têm o direito a programas para fins pacíficos, incluindo com enriquecimento de urânio. A primeira parte do TNP não foi cumprida, mas os desenvolvidos exigem dos outros o cumprimento estrito de suas obrigações.

O presidente Barack Obama prometeu cortes drásticos nos arsenais americanos. EUA e Rússia estão prestes a concluir um acordo que substituirá o Start e terá reduções significativas, e nos próximos meses haverá duas cúpulas sobre o tema. Há sinais claros de desarmamento. Isso não pode mudar a posição brasileira?
Mas existe ainda outro problema, a da redução de ogivas e de aperfeiçoamento da letalidade do armamento. Deveríamos ter um protocolo adicional para países que continuam a desenvolver armamento nuclear e não cumprem suas obrigações. Quem não cumpre o TNP não tem moral para cobrar os outros. Sem contar que há países armados dos quais não se exige nada, muitos nem signatários do TNP são.

O sr. se refere a Israel?
Tire suas conclusões.

O sr. já escreveu que o “TNP é apresentado como uma vitória pacifista e progressista”, mas na verdade trata-se de “uma violência unilateral”. O sr. mantém essa visão?
Usei essa expressão “violência unilateral”? Estranho. De todo modo, o TNP visa impedir uma guerra nuclear, não apenas a “proliferação horizontal”. Não se pode partir do princípio de que são os desarmados que ameaçam a paz internacional. Isso não é lógico.

O país aderiu ao pacto sob o governo de FHC. Foi um erro?
O Brasil, já em 1998, era um dos poucos que tinha em sua Constituição a obrigação de desenvolver atividades nucleares apenas para fins pacíficos. Só se justifica nossa participação no TNP na medida em que potências nucleares reduzam e eliminem arsenais.

Mas o sr. não se arriscaria a dizer que foi um erro assinar o tratado.
Não é que não me arriscaria. Mas é preciso observar a Constituição. E qualquer tratado em que o Brasil não esteja em igualdade de condições não corresponde ao princípio de igualdade soberana entre os Estados. O TNP é um tratado desigual.

Existe, então, a possibilidade de o Brasil denunciar o tratado?
De maneira nenhuma.

O sr. disse que quem não cumpre o TNP não tem “autoridade moral” para exigir dos outros. O presidente Lula usou uma expressão semelhante para se referir ao caso iraniano, disse que as potências “não tem superioridade moral para cobrar o Irã”.
Eu concordo com o presidente. E lhe acrescento: antes da segunda guerra do Iraque (em 2003), foi propalado em todos os países que Bagdá tinha armas de destruição em massa e, por isso, seria uma ameaça internacional. Diziam que armas iraquianas destruiriam capitais europeias em segundos. O sr. Colin Powell (então secretário de Estado dos EUA) discursou com fotos no Conselho de Segurança da ONU. O Iraque foi invadido e não foi descoberta nenhuma arma de destruição em massa. Isso dá moral a alguém?

Mas o caso do Irã é muito distinto do iraquiano. Hoje sabe-se, por exemplo, que iranianos esconderam uma usina nuclear por anos na cidade de Qom. O sr. realmente acredita que Teerã negocia de boa-fé?
Não participamos diretamente das negociações. O Brasil acredita no diálogo e defende que o uso da força é improdutivo. Não podemos partir do princípio de que há países responsáveis e outros irresponsáveis. Mas não quero falar de política externa, quem se encarrega disso é o Ministério das Relações Exteriores.

Em 2001, o então chanceler Celso Lafer o destituiu do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty depois que o sr. veio a público criticar a Alca. Como o sr. vê, hoje, esse episódio?
Cumpri o que achei que devia fazer. Julguei que se tratava de um momento de perigo à soberania brasileira. Por isso dei minha opinião.

Ao olhar para trás, o sr. acredita que essa posição foi correta?
Corretíssima. A adoção de um acordo como Alca – com tarifas a zero, impossibilidade de controle de fluxo de capitais, total abertura – teria levado, por exemplo, à privatização de todo sistema financeiro. Privatizariam o BNDES, Banco do Brasil, Petrobrás; instrumentos que foram de grande importância na crise financeira.

Há muitos anos, um sociólogo brasileiro disse: “o Brasil não é mais um país subdesenvolvido, é um país injusto.” (A frase iniciava o plano de governo de FHC). Esse pensamento denota que podemos ter políticas econômicas de países desenvolvidos. Isso tem uma implicação horrível do ponto de vista de conhecimento da realidade.

A política externa está excessivamente partidarizada? Como o sr. vê, por exemplo, o fato de o chanceler Celso Amorim ter se filiado ao PT?
Outros chanceleres foram de partidos. Ou não? Nesse Ministério das Relações Exteriores, nenhum funcionário que exerceu cargos importantes em outros governos foi prejudicado. Basta ver onde estão servindo. Não houve perseguição.

Há ex-funcionários que fazem forte oposição, como o embaixador Rubens Barbosa.
Mas esses são aposentados. E têm todo direito de fazer oposição. Eu não tenho oposição à oposição (risos). Esse é um debate saudável e o fato de ele ter crescido reflete o próprio êxito da política externa. Não se discute tema desimportante.

O ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda afirmou que foi o sr. quem arquitetou a volta do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras.
Não conheço o ex-chanceler. Nunca o vi na minha vida e não tenho a menor ideia de onde ele tirou isso. Se me lembro bem do texto, ele diz algo como “isso (a volta de Zelaya) é algo que só pode ter saído da cabeça de Pinheiro Guimarães”.

E o sr. avalia que o retorno de Zelaya foi bom para Honduras?
Não falo de política externa.

Atualizado em ( 23/03/2010 )

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O papel da luta pela paz na disputa pelo desfecho da crise

Publicado por Márcia Silva em 05/22/2009

do portal vermelho

Em entrevista ao Vermelho, a presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz) e do CMP (Conselho Mundial da Paz), Socorro Gomes, fala sobre os desafios da 2º Assembléia Nacional do Cebrapaz — a se realizar de a 24 a 26 de julho, na cidade do Rio de Janeiro.

Os eixos do encontro de julho e um balanço dos cinco anos de existência da entidade foram explorados pela ativista. Ao comentar a crise do capitalismo, Socorro destaca que a disputa por um desfecho favorável aos trabalhadores passa por fortalecer a luta pela paz.

Por Carla Santos
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Socorro Gomes fala em assembléia do CMP

Passados cinco anos da fundação do Cebrapaz (10 de dezembro de 2004), qual é o balanço que você faz da atuação da entidade?

Socorro Gomes: O Cebrapaz teve uma atuação intensa nesse período. Participou com solidariedade na luta contra as guerras: a invasão americana do Iraque, o genocídio do Estado de Israel ao povo palestino e outras campanhas de diversos povos do mundo. Realizamos o julgamento de George W. Bush (ex-presidente dos EUA) pela prática de crimes contra a humanidade. Continuamos combatendo as bases militares estrangeiras em países soberanos. A principal campanha da entidade no momento é contra a reativação da Quarta Frota* dos EUA no sul do nosso continente. A iniciativa busca intimidar e espionar o processo de integração que ocorre entre os países latinos americanos. Certamente ela veio com a intenção de barrar esse processo, impedir o avanço dos povos e nações da região pela construção de caminhos alternativos, soberanos e antiimperialistas.

A 2º Assembléia tem quatro eixos: solidariedade aos povos e a luta pela paz; Integração Latino Americana; Combate à Quarta Frota e a Cultura da Paz. O que levou a escolha desses quatro eixos? Qual a importância dessas bandeiras para o movimento de solidariedade brasileiro?

Socorro Gomes: A solidariedade é essencial. É obrigação de povos, militantes e pessoas prestar solidariedade aos países ocupados e invadidos, como é o caso da Palestina, do Iraque, do Afeganistão. O único objetivo dessas invasões é saquear e se apropriar de territórios e seus recursos naturais. É através da solidariedade que fortalecemos a corrente pela paz. Para conquistá-la, sabemos que precisamos remover os autores da guerra, derrotar o imperialismo.

A integração dos povos é um instrumento fundamental para isso. O Mercosul, a Unasul, a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), o Conselho de Segurança da Região Sul são exemplos de instrumentos de integração. É necessário desenvolver a consciência da necessidade da paz. A guerra é uma ameaça à existência da humanidade, à cultura da paz. Entendemos que a consolidação do Cebrapaz passa por esses eixos por seu dever. Eles fazem parte da Carta de Princípios fundadora da entidade.

A população ainda não sabe muito sobre a reativação da Quarta Frota, mote da mobilização da 2º Assembléia. Como o Cebrapaz pretende ampliar a identidade dessa bandeira com a sociedade brasileira?

Socorro Gomes: O Brasil, que já é rico em biodiversidade, recursos minerais e água potável, recentemente descobriu petróleo na área conhecida como pré-sal. Faz parte da estratégia americana o controle dos recursos naturais mundiais. Já são 835 bases militares espalhadas pelo mundo. Queremos os desmantelamento dessas bases, em especial a que está aqui, a Quarta Frota, justamente porque ela é uma ameaça a essas conquistas. A Quarta Frota está aqui, entre outros motivos, para saquear as riquezas que são dos brasileiros. É uma questão de soberania. Para ampliar o conhecimento sobre essa ameaça, o Cebrapaz já realizou conferências e diversos debates. Com a 2º Assembléia, teremos a oportunidade de discutir o assunto aonde ele ainda não chegou. Além disso, estamos lançando um livro sobre o tema. No dia 24 de junho, véspera da realização da 2º Assembléia, faremos uma Conferência Magna sobre a Quarta Frota.

Vivemos um cenário de crise econômica, guerras deflagradas ou apoiadas pelos EUA e resistência ao neoliberalismo na América Latina. Esses, entre outros, fatores indicam grandes mudanças no quadro político do mundo?

Socorro Gomes: Em todas as grandes crises do capitalismo, o imperialismo sempre busca saídas que indicam mais exploração dos trabalhadores e avanço contra a soberania dos países. Até agora os especialistas do sistema apontam como saída para a crise a concentração do poder econômico. Várias fusões entre grandes empresas estão em curso. A “estatização” de instituições financeiras veio para salvar as empresas que estão falindo e garantir que elas estejam saudáveis para depois serem novamente entregues ao capital. Outras medidas são o desemprego, a destruição das conquistas sociais que foram objeto de luta por anos dos trabalhadores, como a precarização do trabalho. Tudo indica que os detentores do poder não estão tomando medidas para proteger o povo ou estabelecer uma nova ordem mundial. Ainda não podemos descartar a agudização dos conflitos e o próprio perigo da guerra. Diante desta realidade, aumenta a importância do fortalecimento da cultura da paz. Para nós, o essencial é que o mundo seja desmilatarizado, a Assembléia das Nações seja democrática e que cada país escolha de forma soberana o seu futuro. Só os povos em luta, a elevação da consciência e a cultura pela paz levarão ao caminho da liberdade.

* A Quarta Frota foi criada em 1943 para patrulhar submarinos nazistas nas águas da região da América Latina, mas foi desativada em 1950. Após a descoberta do pré-sal, os EUA anunciaram em 2007 a reativação da Quarta Frota. Veja no quadro abaixo a localização das frotas militares dos EUA pelo mundo:

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Campanha pede adesão contra o projeto de reativação da Quarta Frota

Publicado por Márcia Silva em 04/15/2009

Adital –

Com as recentes informações que anunciam a reativação da Quarta Frota – a Marinha de Guerra dos Estados Unidos – em mares dos países latino-americanos, muitos têm sido os protestos e manifestações contrárias a intenção dos Estados Unidos.

“Atualmente a Quarta Frota encontra-se subordinada ao “Comando Sul dos EUA”, e tem como atracadouro a base naval de Mayport no norte da Flórida. Ela se somará a outras cinco frotas navais espalhadas por regiões estratégicas do mundo que proporcionam apoio logístico e militar para as aventuras bélicas do imperialismo estadunidense”.

Quem explica é Rubens Diniz, diretor do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz).

O Centro, juntamente com outras entidades, realiza uma campanha que busca apoio mundial contra a Quarta Frota.

Nesta entrevista a ADITAL, Rubens Diniz aprofunda mais o assunto.

Adital – Mesmo com reações contrárias dos próprios governos, o retorno da Quarta Frota vem se tornando uma realidade. O que significa sua reativação?

Rubens Diniz - Para nós do Cebrapaz a reativação da Quarta Frota tem objetivos muito bem definidos. Esta vinculada diretamente com as recentes descobertas realizadas pelo Brasil de grandes reservas de petróleo em águas da plataforma continental, o chamado “pré-sal”.

Os argumentos dados pelas autoridades estadunidenses de que a Quarta Frota irá “cumprir missões de ajuda humanitária” não passam de um engodo. Por que prestar auxílio humanitário com navios de guerra?

O que fica claro é que a reativação da Quarta Frota em uma região de paz como é a América Latina tem como objetivo a intimidação dos governos e dos povos desta região. Não devemos esquecer que os motivos das últimas guerras de agressão realizadas pelos EUA tiveram como objetivo o controle de fontes energéticas, (concretamente o petróleo), e o domínio de fluxos e rotas comerciais. Além disto, tem como objetivo manter a primazia da hegemonia norte-americana e evitar a consolidação de um pólo contrário aos seus interesses no continente.

Adital – Acredita que o momento político e de mudanças pelo qual passa o continente latino-americano tenha influenciado nesta tentativa de retorno?

Rubens Diniz - Sim, a reativação da Quarta Frota é uma forma dos EUA de responder através do uso do poderio bélico à nova realidade política existente na região. A reativação da Quarta Frota é um desdobramento da chamada “Doutrina Bush”, arcabouço de ideias que fundamentava a estratégia dos ataques preventivos e que buscava em última instância evitar o surgimento de novos pólos de poder que pudessem concorrer com os EUA.

A situação na América Latina saiu do controle dos EUA nos últimos anos. Fruto das lutas sociais e dos governos progressistas e anti-imperialistas, a região tem avançado na consolidação de um bloco regional que busca maior autonomia frente ao imperialismo estadunidense. A convergência de iniciativas como o Mercosul, a UNASUL e a ALBA e a constituição de políticas como o Banco do Sul, Conselho Sul-americano de Defesa fazem da região um verdadeiro “Continente Rebelde”. A doutrina do pan-americanismo foi posta em cheque pela nova realidade política da região.

Adital – Há uma campanha pela soberania e contra a Quarta Frota em curso? Que resultados esta campanha tem demonstrado?

Rubens Diniz – Sim, temos desenvolvido uma campanha em conjunto com distintos movimentos sociais, reafirmando a defesa de nossa soberania e exigindo a desativação da Quarta Frota. Através da Coordenação dos Movimentos Sociais – CMS, o Cebrapaz tem impulsionado uma campanha que neste primeiro momento tem como objetivo informar o que é a Quarta Frota e conscientizar dos perigos que ela traz para nossa soberania e das ameaças à paz de nossa região.

Criada no ano de 1943, em pleno período da Segunda Guerra Mundial pela marinha de guerra dos EUA, a Quarta Frota tinha como objetivo, naquele momento, proteger a região de possíveis ataques marítimos das forças do eixo nazi-fascista. Sua desativação ocorreu em 1950, após o fim da Segunda Guerra Mundial.
O Cebrapaz tem realizado seminários, feito publicações com o intuito de produzir subsídios à luta contra esta máquina de guerra. Em nosso site www.cebrapaz.org.br é possível encontrar distintos materiais e a agenda das iniciativas que tomamos sobre o tema.

Além disto, no mês de julho o Cebrapaz ira realizar seu congresso nacional, na cidade do Rio de Janeiro, ele será antecedido de assembléias estaduais aonde estaremos debatendo o que representa a Quarta Frota e as formas de atuarmos pela sua desativação.

Adital  – É possível que uma mobilização em nível continental possa dar conta do que representa o retorno nos navios de guerra? Como isso pode acontecer?

Rubens Diniz – Acreditamos que somente com a participação popular, dos movimentos sociais organizados em toda a região é que poderemos criar condições para que a Quarta Frota seja desativada. Nossa estratégia tem sido participar de todas as reuniões de cúpulas presidências da região no espaço da Cúpula dos Povos, de encontros como o Fórum Social Mundial, com o intuito de impulsionar um movimento continental contra a Quarta Frota

Adital – Existe algum tipo de movimento integrado entre os países contra a Quarta Frota?

Rubens Diniz – Nossa atuação a nível regional tem sido feita a través do Conselho Mundial da Paz (CMP), da Campanha pela Desmilitarização das Américas (CADA) e da Aliança Social Continental. Somente com a ação organizada de movimentos das mais distintas naturezas é que poderemos impor uma derrota ao imperialismo e desativar a sua frota de guerra que se encontra por nossas águas.

Os povos da América latina têm um profundo apego à paz, ao respeito, à soberania. Nosso desafio e transformar a indignação existente contra estas armas de guerra em ação organizada. Sabemos, contudo, que o imperialismo não é invencível e que pode ser derrotado.

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Otan, 60 anos: a inimiga dos povos

Publicado por Márcia Silva em 04/02/2009

do portal vermelho

Uma década depois dos bombardeios da Otan contra a Iugoslávia, os
objetivos e as consequências daquela agressão perduram, lembraram em entrevista
ao jornal Avante!, órgão do Partido Comunista Português, Rui Namorado Rosa e
Sandra Benfica, membros da Direção do Conselho Português para a Paz e a
Cooperação (CPPC), que participaram, a semana passada, de uma Conferência
Internacional sobre o tema realizada em Belgrado.

Na semana passada realizou-se
a Conferência Internacional “Objetivos e consequências da agressão da Otan
à Sérvia – 10 anos depois” organizada pelo Fórum de Belgrado e pelo
Conselho Mundial da Paz (CMP), do qual o CPPC faz parte integrando o seu
Secretariado. Qual foi o objetivo desta iniciativa?


Rui Namorado Rosa: Esta iniciativa, para a qual foram
convidadas a generalidade das organizações europeias do CMP, entre elas o CPPC,
foi uma oportunidade para manifestarmos a nossa solidariedade e vincarmos a
nossa posição face ao desmembramento da Iugoslávia.


O que esteve em curso na década de 90 foi a implementação e concretização do
novo conceito estratégico da Otan, a ocupação de novos territórios e a
subjugação de novos estados aos desígnios do imperialismo. Foi sobre estas
questões e aquele período em particular que se focaram dezenas de intervenções
feitas por personalidades e delegações.


É urgente entender e denunciar o significado da Otan depois da Guerra Fria. É preciso compreender que os povos dos Balcãs foram as suas primeiras vítimas.


E que conclusões se podem tirar em relação ao desmembramento da Iugoslávia no contexto do tal novo conceito estratégico da Otan?


RNM: Fazendo uma apreciação do conjunto das intervenções
feitas, posso dizer que estas apontam no sentido de que a Otan é uma aliança
imperialista, que tem o seu núcleo duro repartido entre os EUA e o núcleo duro
da UE, que reafirma a sua natureza ofensiva a que diversos países são forçados a aderir, e cujos objetivos militares visam o apoio à expansão e domínio político-económico do mundo por parte das grandes potências. Isto é claro e muitas intervenções foram relacionadas com acontecimentos ocorridos nos Balcãs na década de 90.

Outras abordaram os desenvolvimentos posteriores que, pela mão da UE e sob liderança dos EUA, abriram caminho ao avanço da Otan para o Leste da Europa e em direção ao Sul da Ásia, mas também ao alinhamento estratégico de países do Oriente Médio. É portanto uma movimento ofensivo de alargamento da área de influência, de estabelecimento de numerosas bases militares, de adesão formal ou abertura de processo de adesão a novos países cujo sentido geral é o de servir as grandes potências ocidentais.

Referias as adesões recentes à Otan, casos da Romênia e da Bulgária.
Outros países têm um estatuto que, não sendo de membro efetivo, os coloca alinhados com aquele bloco político-militar, casos da Ucrânia e da Geórgia. Dez anos depois, achas que este avanço da Otan para Leste até às ex-repúblicas soviéticas não poderia ter sido alcançado sem o desmembramento da  Iugoslávia?

RNM: O fato é que não obstante a desintegração da União Soviética e a sucessiva submissão das repúblicas do Leste da Europa ao regime capitalista, a República Federal da Iugoslávia manteve uma certa autonomia
relativamente a essa tendência de subjugação total. Essa vontade própria, essa afirmação de soberania nacional contrariava objetivos geo-estratégicos imperialistas de encaminhamento de oleodutos e gasodutos, de  stabelecimento de bases militares de apoio ao domínio do Oriente Próximo e Médio, de controle dos recursos naturais da própria federação iugoslava. Haviam, portanto, várias motivações para que essa soberania não fosse tolerada e que determinaram a fúria do ataque da Otan.


Por outro lado, um outro aspecto que continua na ordem do dia em relação a vários países e povos é o exemplo que tal posição constituía, e nós sabemos que o imperialismo não permite excepções que defendam a sua soberania e integridade territorial, como era o caso.


O Fórum de Belgrado, no quadro duma Sérvia cujo governo manifesta o desejo de integrar a UE, é uma voz que continua a afirmar a soberania e integridade nacional, agora posta em causa com a afirmação unilateral de independência do Kosovo.


Fabricando um inimigo


Falaste do Kosovo, a respeito do qual surgiram acusações à Sérvia de promover uma limpeza étnica, mas antes o argumento já havia sido usado em relação à ação da Iugoslávia na Bósnia ou na Croácia. As manobras de propaganda do imperialismo e a questão da convivência das várias comunidades foram abordadas?


RNM: A República Iugoslava emerge em resultado da resistência
do povo daquela região durante a 2ª Guerra Mundial, contributo que foi
sublinhado na Conferência como determinante para a derrota do  Nazi-fascismo, na medida em que, para manter ocupados os Balcãs, a Alemanha foi obrigada a uma permanência militar de vulto, desgastando as suas forças.

A unidade territorial e política dos Balcãs consolidou-se depois da 2ª Grande Guerra, contribuindo para que as diversas nacionalidades se movimentassem e estabelecessem laços livremente. Ora o fator de diferenciação entre as diversas
nacionalidades, mais frequentemente chamadas de etnias, veio a ser explorado para a criação de conflitos e a fabricação de inimigos.


Podem dar-nos alguns exemplos?


Sandra Benfica: Está hoje provado que o célebre massacre de
Srbrenica não ocorreu. Aliás, uma americana que participou na Conferência
relatou a sua experiência durante o período dos bombardeios dando nota, por exemplo, da prisão de três muçulmanos que já estavam nas listas das vítimas.


O fabrico de uma ideia de limpeza étnica levada a cabo pelos sérvios é do mesmo teor da existência de armas de destruição maciça no Iraque, justificação que serviu para invadir e ocupar aquele país. A suposta “limpeza étnica” foi o motivo invocado pela Otan para intervir. Hoje é claro que em 1999 e no período que antecedeu os bombardeios assistimos à fabricação de um inimigo e de um pretexto.


A morte de Milosevic nos calabouços do Tribunal Penal Internacional, em Haia, em condições ainda por esclarecer cabalmente, nunca permitirá o apuramento de uma parte substancial dos fatos.


É preciso, também, não esquecer que continuam as sessões nesse tribunal. Na Conferência, por exemplo, falou a esposa do ex-diretor da estação de televisão iugoslava, que atualmente está a ser julgado em Haia acusado de não ter alertado os jornalistas, técnicos e demais funcionários que ali trabalhavam para o bombardeamento que a Otan efetuou contra o edifício.


Também é verdade que hoje pouco ou nada sabemos sobre o que se passa no Kosovo,  e existem testemunhos, particularmente de organizações que trabalham no terreno, que relataram o que é ser sérvio e viver no Kosovo. Fazem-nos pensar se, aqui sim, não está a ocorrer uma limpeza étnica.

O que é que é ser sérvio no Kosovo?
SB: É ser um proscrito num território governado pelo UÇK.

Consequências trágicas

O Kosovo abriga uma das maiores bases militares americanas, o que reforça a sua importância geo-estratégica. Paradoxalmente ou não, é apontado como uma plataforma giratória para o contrabando e o tráfico de droga. Estas questões foram referidas nas intervenções?


RNM: Foi referido que algumas daquelas novas repúblicas são base para o crime organizado de vária natureza, particularmente tráfico de droga, sendo que uma parte considerável do ópio produzido no Afeganistão transita para a Europa através do Kosovo.

Quanto à componente geo-estratégica, não tenho dados concretos que me permitam dizer que a base militar de Bondsteel está a ser usada para apoiar as guerras no Oriente Médio. O que posso adiantar é que, olhando para o mapa, é evidente uma linha de bases militares que vai do Mar Adriático, passa dos Balcãs para o Mar Negro, e depois pelo Cáucaso até ao Mar Cáspio, e daí até ao Himalaias. Há também uma contiguidade de conflitos com a intervenção direta ou indireta dos EUA.


Uma das questões que se colocam destes 78 dias de bombardeios é a os alvos da Otan. É visível a destruição?


RNM: Só estivemos em Belgrado, mas o que nos foi dito é que os
alvos da Otan foram infraestruturas de uso civil (hospitais, vias de
comunicação, etc.) e unidades produtivas públicas ou de propriedade social, que na Iugoslávia eram ainda significativas. Nenhuma empresa privada foi atingida.
Os alvos militares foram mínimos quando comparados com os civis, com os que tinham importância para a qualidade de vida da população e a economia do país.

E as vítimas civis?

sB: Na altura falava-se em três mil mortos. Uma das coisas que
verificámos foi que a utilização de urânio empobrecido teve as consequências esperadas, sendo que só existem dados até 2004. Algumas patologias como o câncer levam algum tempo a revelar-se, mas os dados disponíveis apontavam para um crescimento muito significativo de doenças oncológicas, para o aumento das imunodeficiências e para o nascimento de crianças com mal-formações. São crimes que ficam impunes.

E do ponto de vista da contaminação dos solos e do meio ambiente?

RNM: Estas duas questões estão interligadas. As armas de urânio empobrecido não têm vantagem do ponto de vista da sua capacidade
explosiva, mas sobretudo pela sua velocidade e capacidade de perfuração. Ora o lançamento indiscriminado deste tipo de munições durante os bombardeios contra a Iugoslávia levou a que inúmeros projéteis se mantenham no terreno imperceptíveis. Com o tempo vão-se deteriorando e atingem o ser humano e os animais através da contaminação da cadeia alimentar e da água. Só se as munições tivessem sido localizadas e removidas logo após a guerra era possível minimizar os riscos e as consequências sobre a população e a saúde pública.


Tem havido alguma pressão para a proibição do uso de armas de urânio
empobrecido, mas se tal vier a concretizar-se os povos do Iraque e da
Iugoslávia já não vão beneficiar da decisão.


Há que acrescentar igualmente neste âmbito as bombas de fragmentação. A
localização de cada uma das pequenas granadas contidas nessas bombas
espoletadas a 500 metros de altitude é praticamente impossível. Muitas estão ainda por explodir.


SB: Tivemos oportunidade de ver uma exposição sobre o assunto
onde se mostrava os processos de remoção. Estes não só são muito difíceis, como as fotografias mostram a radioactividade que libertam, ou seja, quando não são removidas não é difícil imaginar os efeitos que provocam.


Uma das questões que se coloca em todo o processo de desmantelamento e agressão à ex-Iugoslávia é a destruição do edifício do Direito Internacional…


SB: Quando estamos numa conferência que assinala os dez anos
duma guerra como a que foi movida pela Otan contra a Iugoslávia, não pensemos que estamos a recordar um episódio cujos objetivos e consequências são limitados. Pelo contrário, estamos a falar  dum acontecimento que inaugurou na prática o novo conceito estratégico da Otan, uma ainda mais agressiva abordagem de domínio mundial por parte das potências imperialistas e o espezinhamento do Direito Internacional e das Nações Unidas, contra a maioria da humanidade e com consequências importantíssimas no presente e no futuro dos povo s.


60 anos de crimes contra a humanidade


Antes da Conferência reuniram as organizações europeias do Conselho Mundial da Paz. Podes adiantar do que é que trataram?


SB: Este ano em que a Otan comemora os seus 60 anos, estas
seis décadas de crimes contra a humanidade, o Conselho Mundial da Paz (CMP) assume como prioridade a exigência do desmantelamento daquele bloco político-militar, não só na Europa mas em todo o mundo. Sob o lema “Otan – inimiga dos povos e da paz”, promover-se-ão conferências, seminários e ações de protesto.


Na reunião preparamos igualmente a participação do CMP na conferência que ocorrerá a partir de amanhã, em Estrasburgo, paralelamente à Cúpula da Otan que se realiza na mesma cidade.


Abordamos ainda um outro aspecto de coordenação do nosso trabalho que tem a ver com a realização de eleições para o Parlamento Europeu. Ora, a militarização da Europa está intimamente ligada à Otan, por isso, da parte das organizações europeias da paz e no aspecto específico que lhes compete, acresce a responsabilidade de alertar para o enquadramento da luta contra a Otan no combate à militarização da Europa.

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Cebrapaz fortalece o movimento contra a guerra

Publicado por Márcia Silva em 03/18/2009

do site do CEBRAPAZ

FSM: Para presidente participação do Cebrapaz fortalece o movimento contra a guerra

Por Daniele Nascimento*

Em entrevista concecida à redação do Cebrapaz, Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz (CMP), fala sobre questões debatidas na Tenda da Paz durante a realização do último Fórum Social Mundial, realizado em Belém do Pará.

Veja abaixo a íntegra da entrevista de Socorro Gomes.

E:Como você avalia a participação do Cebrapaz no Fórum Social Mundial?

SG:Na minha opinião, a participação do Cebrapaz foi muito importante. Fortaleceu-se o movimento contra a guerra, pelo fim imediato das ocupações, a determinação de lutar pelo desmantelamento das armas nucleares; e a grande manifestação de apoio e solidariedade ao povo palestino. A dor, a indignação e o total repúdio à política sionista de Israel na Palestina. Os abaixo-assinados peticionando o julgamento de Israel por crimes de Guerra foram assinados por milhares de participantes do Fórum Social mundial… A militância dialogou com outras entidades de outros países, participou das Assembléias contra a guerra e a militarização das relações entre os países. Realizamos conferências sobre as bases militares no mundo e lançamos um manifesto contra a quarta frota, uma afronta á soberania dos nossos países e uma tentativa dos Estados Unidos de semear o Terror e impedir o avanço da resistência antiimperialista na A. latina e Caribe.

O Cebrapaz procurou destacar a campanha contra a guerra imperialista como essencial para a própria sobrevivência da humanidade e a importância da militância pela paz.

Na Tenda da Paz realizamos um abaixo-assinado, um documento solicitando a petição formal junto ao Tribunal Penal Internacional para julgar Israel por crimes de guerra, debates – tivermos três eventos grandes – um em solidariedade à Colômbia, a necessidade e importância da paz e da democracia na nossa região (para o qual contamos com a presença de 500 pessoas), outro sobre o momento de extrema fragilidade que tivemos devido às ameaças imperialistas à paz, representadas pelas bases militares no mundo, e também do papel desempenhado pela OTAN na Europa, os Estados Unidos em toda a região e, principalmente, a 4ªFrota, que é uma ameaça grave a todos os países aqui da região.

E: Qual o principal legado deste Fórum de Belém?

SG: Pessoas, movimentos e lideranças conheceram um pouquinho do Brasil e da Amazônia, de seu povo, sua cultura, sua história.

Esta integração de movimentos de organizações e pessoas do mundo, discutindo a crise capitalista, a necessidade da construção de um mundo justo, de paz e fraterno e saudável e, portanto, foi positivo.

O Cebrapaz lançou um abaixo-assinado que pede a condenação de Israel pelas agressões contra a Palestina.

E: Qual a receptividade com que o mesmo foi recebido durante o Fórum?

SG: No lançamento do abaixo-assinado, na tenda da Paz, o Cebrapaz, abrigou uma série de movimentos e organizações (abrigamos a União de Mulheres Brasileiras, UNEGRO, CONAM, FEDIM, Federação Mundial da Juventude), enfim neste dia do lançamento da petição pela condenação de Israel a tenda ficou lotada e milhares de pessoas assinaram. Agora inclusive vamos disponibilizar a petição no sítio do Cebrapaz para várias pessoas assinarem. Diversas entidades no mundo também estão buscando o abaixo-assinado para que todos possam assinar.

E: Qual a saída viável para o conflito na Faixa de Gaza?

SG: A primeira é parar o genocídio, a chacina, o massacre que Israel vem fazendo contra o povo palestino. Também é necessário suspender os bloqueios e discutir, dialogar para que o povo palestino tenha, conforme estabelece a resolução da ONU, direito ao seu território, com liberdade e democracia, num Estado Palestino que tenha como sua capital Jerusalém Oriental.

O povo palestino vem sendo perseguido, humilhado e saqueado há décadas e o que ocorre na Faixa de Gaza não é de forma nenhuma uma guerra, trata-se de um massacre. Israel tem cometido inúmeros crimes, violando tratados internacionais, revelando-se um Estado terrorista, genocida que já assassinou mais de 1500 pessoas, sendo que dentre elas 1/3 são de crianças, numa demonstração inequívoca de sua determinação de varrer do mapa o território de um povo, e a humanidade não pode aceitar isso assim, sem fazer nada. Israel precisa ser julgado e condenado por seus crimes, pois são crimes contra toda a humanidade.

O ato mais importante organizado neste no FSM pelo Cebrapaz, em parceria com o CMP, foi o ato sobre a luta contra a militarização e as bases estrangeiras.

E: Na sua opinião, a América Latina está preparada para enfrentar a ameaça da 4ªFrota?

SG:As discussões de todos os países e movimentos presentes no FSM demonstram que há uma elevação no nível de consciência e indignação sobre essa questão. Diante disso, há tendência de crescimento das manifestações contra a 4ªFrota, porque o objetivo dessa 4ªFrota é justamente conter a luta dos povos da nossa região e saquear os recursos naturais de países e povos soberanos, aliás, esse sempre foi o objetivo do imperialismo estadunidense.

Por isso, é fundamental a luta contra a 4ªFrota. Nós estamos passando um abaixo-assinado que também será divulgado na internet, nos manifestamos contra a instalação da IV Frota.

E:A eleição de Barak Obama pode alterar os objetivos ou a ação da 4ªFrota?

SG: A eleição de Barak Obama foi uma derrota à política de guerra do Governo Bush, portanto, ele foi eleito graças ao sentimento do povo americano por mudança. Quanto a se ele vai mudar alguma coisa ou não, isso vai depender de atitudes como fechar a base de Guantânamo e entregá-la aos seus donos, o povo cubano; suspender de imediato o apoio a Israel na sua política genocida e retirar as tropas americanas dos territórios ocupados, ou seja, parar a guerra colonialista no Oriente médio… Quanto ao desmantelamento da IV Frota é fundamental que ele faça isso, pois seria uma demonstração de que ele não é hostil a América Latina, aos seus povos e seus governos.

Uma das características dos governos americanos é o uso de sua incomparável força bélica para a consecução de seus objetivos: domínio e saque de povos e países. Conforme já afirmaram vários governantes americanos, eles pretendem dominar o mundo. Mas não são invencíveis, isso já está mais do que provado, e sua política de guerra e terror pode ser derrotada. A melhor forma de derrotar o imperialismo é a luta dos povos e a América Latina está dando este exemplo. Através do avanço da consciência, da organização e da luta surgiram governos independentes que buscam integração soberana aqui na região com o objetivo de construir o seu destino, de maneira independente.

A América Latina tem se posicionado de forma quase uníssona que não aceita mais o domínio dos EUA, essa é uma demonstração de que é possível derrotar o imperialismo e construir um mundo de paz, esse é o objetivo dos militantes da paz.

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*jornalista

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