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Centro Brasileiro de Solidariedade aos povos e luta pela Paz

Arquivo da categoria ‘Conselho Mundial da Paz’

Obama vem aí; para movimentos sociais é “persona non grata”

Publicado por Márcia Silva em 03/15/2011

do portal vermelho

Os movimentos sociais brasileiros consideram o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, persona non grata no Brasil e repudiam a sua presença no país. Durante sua primeira visita ao Brasil, Obama fará um discurso na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, no próximo domingo (20). O evento terá início a partir das 11h30. O discurso do presidente americano será traduzido.

Obama chegou à presidência dos Estados Unidos em 2008 depois de uma propaganda eleitoral que pregava “mudanças”, em oposição ao belicismo e à desastrosa administração na economia realizada por seu antecessor, George W. Bush.

De acordo com o consulado americano, durante sua visita, Obama passeará pelo Cristo Redentor e na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Obama deve se reunir, em Brasília, com a presidente Dilma Rousseff, participará de um almoço no Itamaraty e de um jantar no Palácio do Planalto, acompanhado da mulher, Michelle, e das filhas Malia e Sasha.

O voo que traz Obama ao Brasil está programado para aterrissar na Base Aérea de Brasília às 8h de sábado (19). Após desembarcar, o primeiro compromisso de Obama será um encontro com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, às 10h.

Em entrevista ao Portal Vermelho, a ativista Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz (Cebrapaz), disse que a visita do mandatário estadunidense será marcada pelo enérgico repúdio que os movimentos sociais manifestarão à presença de Obama no Brasil.

Segundo ela, “os movimentos sociais como o Cebrapaz e as entidades que integram a Coordenação dos Movimentos Sociais [CMS) devem manifestar o repúdio à visita de Obama ao Brasil. A nossa mídia diz que Obama vai fazer e acontecer no Brasil, mas na realidade ele vem para cá para impor a agenda do imperialismo na região”.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Portal Vermelho: O que o Cebrapaz pretende fazer durante a visita de Obama ao Brasil?
Socorro Gomes: Os movimentos sociais, como o Cebrapaz e as entidades que integram a Coordenação dos Movimentos Sociais [CMS) devem manifestar o repúdio à visita de Obama ao Brasil. O que os Estados Unidos têm feito na América Latina é um mau exemplo. A nossa experiência mostra que os EUA não nos veem como amigos, mas como terra para explorar, dominar e saquear. Querem saquear recursos naturais, controlar os nossos mercados e dominar nossos povos [da América Latina].

Por isso os povos latino-americanos buscaram outro caminho de independência e soberania. Nossa história foi escrita com muito sangue e sofrimento, com ditaduras, invasões militares, complôs patrocinados pela CIA, assassinatos de presidentes. Nossa história testemunha a truculência e a força bruta do imperialismo americano em nosso território.

Quais são os verdadeiros motivos da viagem?
Socorro: Obama fala em paz, em Direitos Humanos. Mas sua administração não cumpriu com as promessas feitas em sua campanha eleitoral, que dizia serem “sagradas”. O desmantelamento da prisão de Guantânamo é promessa não cumprida e que não vai se cumprir em seu mandato. Ele tem total descompromisso com a paz. Não se discute sequer a situação de Guantânamo, uma área militar ocupada contra a vontade do povo cubano.

Obama vem ao Brasil para falar de Direitos Humanos e Paz, mas ao mesmo tempo dá total apoio ao regime israelense quando invade, ocupa e promove a colonização de territórios palestinos.

Hoje, os Estados Unidos articulam uma intervenção militar contra a Líbia, demonstrando completo desrespeito à soberania dos povos.

Na América Latina, aprofundou a ingerência militar. Honduras, Panamá e Colômbia são exemplos gritantes disso. A manutenção da Quarta Frota da Marinha de Guerra americana, criada por Bush em junho de 2008, também desmente Obama e configura-se numa grande ameaça à soberania e à paz no continente latino-americano.

O que Obama vem fazer aqui é discurso retórico, descompromissado com suas atitudes, que têm ido no rumo contrário à paz e ao Direito Internacional. O regime americano mantém 50 mil soldados na ocupação do Iraque, além da ocupação do Afeganistão, que Obama declarou ser a “sua guerra”. O Nobel da Paz caminha no sentido contrário ao da paz e da amizade entre os povos.

Entre outros assuntos, Obama deve abordar as relações que o Brasil tem com Venezuela e Cuba de forma a pressionar por outro caminho…
Socorro: As nossas relações com outros povos são relações de países soberanos, que prezamos muito, e não aceitamos ingerências sobre elas. Com a Venezuela temos interesses comuns, como o Mercosul, como a Unasul. Participamos de uma serie de foros conjuntos e procuramos construir um caminho comum soberano, sob um novo paradigma. De respeito e de complementaridade, diferente das relações de força dos EUA com as nações do nosso continente.

Um fato curioso e que desperta o interesse da nossa mídia, desviando a atenção dos assuntos importantes, é que a embaixada dos Estados Unidos vai dar gadgets eletrônicos àqueles que fizerem as melhores frases de boas vindas ao presidente Obama. Você vê nisso alguma semelhança com o que os colonizadores fizeram no descobrimento do Brasil?
Socorro: Esse é o tipo de relação que o imperialismo tem com os nossos povos, é uma tentativa de humilhar o nosso povo, repete a estratégia dos colonizadores, que davam miçangas, vidros coloridos e espelhos, ao mesmo tempo em que levavam em troca as nossas riquezas, como o ouro, o diamante e o pau-brasil.

Da redação

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Lutar pela paz e denunciar os crimes de guerra do imperialismo

Publicado por Márcia Silva em 01/25/2011

do portal vermelho

A solidariedade internacional e a luta dos povos contra o avanço das forças imperialistas são os temas da entrevista da presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes, ao Vermelho.

Socorro destacou, entre o conjunto de atividades realizados em 2010 por ambas as entidades, a atuação pelo desarmamento nuclear e a campanha pela retirada das bases militares dos EUA de territórios espalhados pelos cinco continentes.

Ela falou ainda da atuação do governo brasileiro na busca da paz e no processo de integração da América Latina. E da importância do fortalecimento do diálogo e da defesa da soberania de cada povo no processo de construção da paz.

Vermelho: O que você ressaltaria do conjunto de atividades realizadas pelo Cebrapaz em 2010?
Socorro Gomes: Além de encaminhar diversas lutas contra a militarização e as guerras, nós lançamos no mês de janeiro, no Fórum Social Mundial — em articulação com organizações de luta pela paz de todo o continente americano —, a campanha contra as bases militares no continente. Ao longo do ano, foram realizadas atividades na Colômbia, Argentina e Cuba contra as bases militares. Entendemos como fundamental o lançamento dessa campanha porque a questão das bases militares está ligada a um projeto maior do imperialismo.

O mundo tem hoje cerca de 800 bases militares dos EUA espalhadas em todos os continentes. Isso faz parte de um objetivo central do imperialismo estadunidense: o controle de todos os continentes, especialmente de países com recursos naturais ou que não se submetem à política deles. Essas bases são uma ameaça real e concreta. Do ponto de vista da ameaça bélica, o imperialismo controla os mares e oceanos (através das frotas navais), os continentes (com as bases militares) e o espaço aéreo (através de mísseis, escudos e satélites).

Na luta pela paz, é fundamental denunciar a máquina de guerra, seus crimes e responsáveis. Apenas na América Latina, desde a Segunda Guerra, são centenas de milhares de pessoas assassinadas por influência direta de golpes promovidos e coordenados pelos Estados Unidos, são quase 900 mil vítimas.

Também promovemos campanhas de solidariedade aos povos do mundo que estão em luta pelos seus direitos, soberania, defesa de seus territórios e contra as agressões imperialistas.

Vermelho: E em relação ao Conselho Mundial da Paz, quais foram as principais atividades do ano passado?
SG: Em 2010 participamos da campanha contra a Otan – que é um grande aparato de destruição e de guerra comandado pelos EUA. Participamos de conferências e manifestações de rua denunciando o que representa a Otan e exigindo seu desmantelamento imediato. Estivemos presentes em atividades em Estrasburgo e Lisboa, por motivo da realização na capital portuguesa da Cúpula da Otan, quando o Conselho Português Pela Paz e a Cooperação, com o apoio co Conselho Mundial da Paz, realizou um seminário e uma grande manifestação. Foi uma jornada de luta em que denunciamos a Otan como um instrumento do imperialismo que cometeu inúmeros crimes contra a humanidade.

Outra campanha do Conselho Mundial da Paz — e de que o Cebrapaz participou com muita força — foi pela destruição das armas nucleares. Essa é uma luta histórica do CMP porque as armas nucleares colocam em risco a própria existência da espécie humana. Realizamos no Senado brasileiro uma conferência sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Também realizamos em Nova Iorque passeatas e conferências sobre esse tema. Um dos pontos fundamentais do Conselho Mundial da Paz, desde o seu nascimento, é a luta contra as armas nucleares e de destruição em massa.

Para nós essa luta continua essencial. Ela denuncia a hipocrisia e a falácia dos EUA — que foi o único país que atacou e destruiu duas cidades com bombas nucleares e continua impune. Ao mesmo tempo os EUA tentam impedir que outros países utilizem a tecnologia nuclear para fins pacíficos.

Sabemos que a questão da paz é garantida com a soberania, com a auto determinação e um outro sistema de relações internacionais justo, mas temos que buscar desmantelar esse poder bélico porque vivemos sempre sujeitos a uma tragédia, seja na Península Coreana, no Oriente Médio ou no Irã.

Vermelho: O agravamento da crise econômica dos EUA pode acentuar ainda mais as investidas imperialistas ao redor do mundo?
SG: Penso que à medida que eles estão em crise e têm que realizar os seus lucros — que é a lógica do capital —, mais avançam contra os direitos dos trabalhadores. O imperialismo e as grandes potências avançam contra os países impondo medidas extremamente duras e fascistas — principalmente na perseguição aos imigrantes. Podemos ver aí a hipocrisia do sistema que fala de liberdade total, mas é uma liberdade que existe para impor sua própria vontade.

Nesse quadro, o risco de agressões contra as nações tem que ser encarado como uma ameaça de fato. Se o imperialismo está armado até os dentes, se está espalhado por mar, terra e ar, e tem essa política de ataque aos direitos dos povos, temos que encarar como um risco.

Vermelho: Como você vê a conjuntura internacional neste começo de ano?
SG: Quando o povo americano votou em Obama apostou na paralisação desta política de guerra — que leva os EUA a um isolamento, por semear o medo e o terror entre povos e nações. Obama foi essa tentativa, mas ele continua — apesar de um discurso mais suave — com as mesmas medidas de Bush. Do ponto de vista da ameaça aos povos e da atitude dos Estados Unidos de ataque à democracia e aos direitos dos países, Obama continua e aprofunda a mesma política.

O que temos este ano é a continuidade da intimidação ao Irã, várias escaramuças e ameaças contra a Coreia do Norte e o cerco da África pelo Africom [Comando Africano dos Estados Unidos] que tem o objetivo de controlar o continente, que é riquíssimo. No nosso continente as medidas também continuam. Cuba permanece sob bloqueio e os cinco patriotas cubanos continuam presos.

Por outro lado, há um avanço significativo em vitórias importantes, e nesse sentido o Brasil joga um papel destacado. Nós, do Cebrapaz, encaramos com alegria a eleição da presidente Dilma Rousseff, porque é a continuidade de um projeto de independência e de integração. Observamos a Venezuela, o Equador e a Bolívia darem grandes saltos. A Venezuela conseguiu combater as desigualdades e hoje está em primeiro lugar na América Latina nesse aspecto, o combate à pobreza foi um dos mais significativos avanços — fruto de um governo que utilizou os recursos naturais para garantir a melhoria de vida do seu povo. O Cebrapaz manifesta de maneira militante a solidariedade aos povos que estão nessa luta.

Vermelho: Diante dessas perspectivas de avanço, principalmente na América Latina, como se dão as reações imperialistas?
SG: As reações buscam sempre desestabilizar esses governos progressistas. A oposição oligárquica, que é muitas vezes ligada ao passado ditatorial e neocolonial, busca o retrocesso, pois sem democracia é mais fácil explorar e dominar o povo.

Vermelho: O que você destacaria da resistência latino-americana contra as forças imperialistas?
SG: No continente americano, as bases militares e a 4ª Frota da Marinha de Guerra dos EUA estão se intensificando com o acordo assinado pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, para a instalação de mais bases militares. O objetivo dessas bases é cercar a região e fazê-la servir aos EUA. Busca-se cercar países como a Venezuela, a Bolívia e o Equador. No Caribe, o objetivo dos EUA é dominar Cuba, ameaçado-a com a base de Guantânamo. No Panamá, que havia conseguido avançar no processo de maior soberania, o imperialismo busca a instalação de novas bases. Estes são apenas alguns exemplos do intervencionismo norte-americano no continente.

Além disso, temos a questão da Amazônia, a mais rica região do mundo em biodiversidade e água. Trata-se de uma questão estratégica porque os recursos energéticos aí são gigantescos. Além do mais, existe a questão do Pré-Sal brasileiro que passou a ser um dos alvos da 4a Frota.

Desde 1998 a luta dos povos vem crescendo e o imperialismo não se conforma. Tenta sabotar e impedir os avanços. Basta observarmos o golpe em Honduras; a tentativa fracassada de golpe no Equador e as constantes investidas para desestabilizar a situação na Venezuela e na Bolívia.

Ainda podemos considerar no exame da situação da América Latina a manutenção do bloqueio a Cuba, que é o meio pelo qual o imperialismo norte-americano tenta estrangular a ilha e derrotar a Revolução.

Vermelho: Quais são os eixos de trabalho do Cebrapaz em 2011?
SG: As perspectivas são de muitas lutas. Vamos avançar na questão da luta contra a guerra, da solidariedade e da resistência contra as bases militares e a 4ª Frota e temos também o grande desafio de fortalecer o Cebrapaz nos estados. Temos muitos desafios a enfrentar. Com certeza as organizações pacifistas estarão à altura. Este é um ano de fortalecimento do Cebrapaz — com planejamento e campanhas específicas, que envolvem as necessidades de cada estado integradas aos movimentos sociais. Em junho vamos realizar uma conferência nacional com convidados internacionais, o que faz parte do projeto de fortalecimento da cultura da paz.

Outra questão fundamental é a solidariedade. Vivemos, em épocas passadas, de costas para a América Latina. No Brasil, os governantes e as classes dominantes falavam apenas sobre a Europa e os EUA. Hoje os governos da América Latina possuem vários fóruns de integração: o Mercosul, a Unasul, o Conselho de Defesa da América do Sul, a Alba, o Parlasul, o Parlatino. Todos esses mecanismos são passos importantes para a integração. Precisamos intensificar esse movimento de solidariedade.

Vermelho: A recente reunião entre os presidentes da China e dos EUA indica uma transição de hegemonias?
SG: Ainda não tenho todos os elementos, mas a questão da crise econômica — que tem seu epicentro nos EUA — chama a atenção. Com a moeda e a economia americana em decadência, vemos que o imperialismo norte-americano está em declínio. Não quero dizer com isso que este imperialismo esteja morrendo e basta uma pá de cal para enterrá-lo. É preciso combatê-lo cada vez com maior força, mas a hegemonia americana está sofrendo abalos. Os EUA ainda têm o maior poder bélico, ao passo que a China é uma potência emergente.

Vermelho: Em novembro último você participou na Espanha de uma conferência sobre a questão palestina. Que opinião tem sobre o tema?
SG: O Estado de Israel foi criado com todo o apoio do imperialismo, mas o Estado da Palestina, que também era uma determinação da ONU, não foi criado. Pelo contrário, o território palestino foi sendo invadido e ocupado através de ações militares. Atualmente Israel possui armamento nuclear e a chamada “comunidade internacional” sabe disso, mas nada faz no sentido contrário. Israel já deu claras demonstrações de que não permitirá a criação do Estado palestino.

O povo palestino vem sofrendo um martírio, e mesmo com várias resoluções da ONU determinando a retirada de Israel dos territórios ocupados, a suspensão da instalação de colônias e declarações de que o muro é ilegal, nada é feito. O povo palestino, apesar de martirizado, é um povo heróico porque continua resistindo e lutando por seu Estado, sua autonomia, sua autodeterminação e seu direito de viver. A própria ONU e os países do mundo devem muito ao povo palestino. Ele é um exemplo de como lutar contra os horrores do imperialismo.

O CMP está examinando a proposta de enviar uma delegação à Palestina ainda este ano. O Cebrapaz e os movimentos sociais no Brasil também estão propondo organizar uma delegação para visitar a Palestina em 2011. Além disso, queremos discutir e levar a mensagem ao Parlamento brasileiro para que nosso país não tenha negociações, especialmente sobre assuntos militares com um estado terrorista que cometeu genocídios, crimes de guerra e contra a humanidade.

Vermelho: Como o Cebrapaz e o CMP atuam na questão da luta do povo saharauí?
SG: Esta é uma questão importante. O Marrocos de forma alguma aceita a autodeterminação do povo saharauí, posicionando-se e agindo de forma truculenta. As coisas que acontecem lá são realmente escabrosas, muito parecidas com as torturas estadunidenses em Guantânamo. O povo saharauí só quer o direito à sua autodeterminação, o direito de ter a sua própria cultura. Dessa forma entendemos que é essencial a solidariedade ao povo saharauí e o CMP tem feito visitas e mantido laços importantes pela independência desse povo.

Vermelho: É possível afirmar que a política externa brasileira possui elementos progressistas e de construção da paz?
SG: Podemos dizer que a política externa brasileira desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula teve inúmeros avanços. A primeira mostra disso foi a recusa do governo brasileiro em atender o apelo do ex-presidente, George W. Bush, para invadir o Iraque. Lula então dizia: “A nossa guerra é contra fome”. O Itamaraty e o governo brasileiro buscaram sempre a construção de um caminho de paz e diálogo. Essa atuação aconteceu tanto em questões como a do Oriente Médio, no caso da crise energética nuclear com o Irã, como as relacionadas com nossa região. Até mesmo quando os interesses de empresas brasileiras estavam envolvidos, que foi o caso do gás com a Bolívia, nós procuramos o diálogo. Foi nesse momento que a direita brasileira, que em nenhum momento se importou com a soberania do Brasil, gritou dizendo que o país tinha que se armar e ameaçar a Bolívia, a Venezuela e o Paraguai. O que fez o governo Lula? Sentou-se à mesa, tratou dos contenciosos de forma respeitosa, defendendo os interesses do Brasil e os direitos dos países irmãos. Tudo isso através do diálogo.

Em meu entendimento o governo Lula colocou como ponto alto a questão da paz, ao mesmo tempo em que se posicionou de forma firme quando precisou. Um exemplo é o golpe de Honduras. O Brasil não reconheceu os golpistas e deu todo o apoio a Zelaya.

A política externa brasileira atuou marcando o seu posicionamento, negociando e respeitando os demais países.

Durante os oito anos do governo de Lula, o Brasil também ampliou suas relações com todo o mundo. Fomos ao Oriente Médio várias vezes, à África e à Ásia. O Brasil hoje é respeitado no mundo inteiro pelos avanços na diplomacia e política externa. A eleição de Dilma é uma sinalização de continuidade dessa política soberana, altaneira e de integração.

Da redação,
Mariana Viel

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Conselho Mundial da Paz pedirá a dissolução da Otan

Publicado por Márcia Silva em 10/09/2010

do portal do cebrapaz nacional

08/10/2010
O secretariado do Conselho Mundial da Paz, presidido pela ativista brasileira Socorro Gomes, reune-se nesta sexta-feira (8) em Bruxelas, capital da Bélgica, para avaliar os últimos acontecimentos no mundo, os mais recentes desafios da luta pela paz e também para avaliar a próxima cúpula do Pacto Militar do Atlântico Norte, a Otan, que será realizada em Lisboa no mês de novembro.

Além desses temas, a reunião iniciada nesta sexta também se debruçará sobre a questão das bases americanas ao redor do mundo e, principalmente,sua instalação em território colombiano. Para Socorro Gomes, “é preciso analisar os últimos acontecimentos no mundo, os novos alvos da política dos Estados Unidos no Afeganistão, no Paquistão e, recentemente, no Iêmen”.

 ”A paz, hoje, está mais ameaçada que no fim da GuerraFria, porque o imperialismo dá sequência a seus planos inaugurados na nova concepção da Otan, de 1991, que colocava o pacto militar como essencial para adefesa da Europa, defendia a militarização do continente europeu e agora procura atingir uma maior unidade entre os Estados Unidos e a União Europeia”, afirma Socorro.

Conforme a ativista brasileira, a Otan é um instrumento do imperialismo americano, já que os Estados Unidos detêm o comando principal e vários postos importantes dentro da hierarquia do pacto militar.

A Otan foi criada em 1949 como um instrumento militar deameaça à União Soviética e aos estados da Europa Oriental, recém libertados do capitalismo, que procuravam trilhar o caminho do socialismo. Em resposta, os socialistas criaram a Organização do Tratado de Varsóvia, tratada pejorativamente de Pacto de Varsóvia pela mídia ocidental.

Com o colapso da União Soviética e seus aliados na Europa, a Otan deixa de ter um pretexto para seguir existindo. “A Otan é uma arma de guerra que serve para agredir povos e nações. Sua política é manter-se como braço armado a favor do saque das riquezas naturais dos países agredidos, para garantir a hegemonia americana”, relata Socorro.

“A cúpula da organização, a ser realizada em novembro,em Portugal, deverá aprofundar o debate sobre o papel de “polícia” da organização ao redor do mundo”, agrega Socorro.

O Conselho Mundial da Paz, além de discutir questões abrangentes para a paz mundial, também proporá o desmantelamento do pacto militar do Atlântico Norte, algo que é essencial para a paz”, finaliza Socorro.

Leia abaixo o “Apelo contra a Otan e a realização desua cúpula em Portugal”, feito pelo CMP e pela sua organização correspondente em Portugal:

O Conselho Mundial da Paz (CMP) e o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) saúdam as pessoas amantes da paz em todo o mundo e os movimentos da paz que lutam e continuam a denunciar as guerras imperialistas,as ocupações ilegais e a injustiça social, e apelam para que prossigam e fortaleçam os esforços e lutas comuns contra o imperialismo e os seus aparelhos, principalmente a Otan, a maior máquina de guerra no mundo.

O CMP denuncia perante os povos do mundo os crimes cometidos pela Otan, e que continua a cometer, contra a Humanidade sob o pretexto deproteger os “direitos humanos” e a luta contra o “terrorismo”, segundo a sua própria interpretação.

Desde a sua fundação em 1949, a Otan tem sido uma organização ofensiva. Após 1991, com a sua nova doutrina militar, tornou-se o“xerife” dos interesses imperialistas no mundo. Esteve muitas vezes ligada a regimes sangrentos e ditatoriais, forças reacionárias e juntas militares. Participou ativamente no desmembramento da Iugoslávia, no bombardeamento bárbaro da Sérvia durante 78 dias, na derrubada de governos por meio“revoluções laranja”, na ocupação do Afeganistão.

A Otan prossegue os seus planos para o “Grande Oriente Médio”, alargando o seu campo de ação através da “Parceria para a Paz” e a“cooperação especial” na Ásia e América Latina, no Oriente Médio, Norte de África, bem como o “Exército Europeu”.

Todos os governos dos países membros partilham responsabilidades na Otan, independentemente do papel dirigente da administração dos EUA. Quaisquer abordagens diferentes sobre algumas matérias apenas refletem pontos de vista e rivalidades próprias, mas levam sempre a um confronto agressivo conjunto contra os povos.

Condenamos a política da União Europeia, que coincide com a da Otan, e o Tratado de Lisboa, que anda de mãos dadas nos aspectos políticos emilitares. Os gastos militares da UE com as missões no estrangeiro aumentou entre 2002 e 2009 de 30 milhões de euros para 300 milhões de euros.

Os povos e as forças amantes da paz em todo o mundo não aceitam a Otan e o seu papel de “xerife” do mundo. Rejeitam qualquer tentativade incorporar a Otan no sistema das Nações Unidas. Exigem a dissolução desta máquina de guerra ofensiva. Até o falso pretexto da Organização do Tratado de Varsóvia já não existe hoje.

O Conselho Mundial da Paz e os seus membros e amigos irãoorganizar em dezenas de países várias iniciativas nacionais e internacionais contra a Otan e o seu novo conceito estratégico, que se anuncia será aprovado na próxima cúpula em Portugal. Iremos organizar, conjuntamente com o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), iniciativas e conferências emPortugal e ações de massas antes e durante os dias da cúpula da Otan em Lisboa(novembro de 2010).

Sob o lema : DISSOLVER a Otan, Inimiga dos Povos e da Paz! o CMP apela a todas as organizações nos países membros da Otan e em todo o mundo para que apoiem este apelo, sublinhando os seguintes aspectos:

A Otan tem sido uma força agressiva e reaccionária desde asua fundação em 1949. O Tratado de Varsóvia foi criado depois e dissolvido antes.

A Otan tem as suas mãos tingidas com o sangue de muitos povos durante 60 anos e não pode constituir “uma força da paz” no quadro da ONU.

Apesar do domínio dos EUA, as agressões são levadas a cabo em conjunto com outras forças imperialistas, o que não muda o caráter da Otan.

A Otan está diretamente ligada à UE e vice-versa, já que um grande número de países da UE são igualmente membros da Otan, bem como através das tendências militaristas e obrigações contidas no “Tratado de Lisboa”.

Todos os governos dos países membros da Otan são responsáveis pela sua ação; eles apoiam os seus planos imperialistas.

A Guerra da Otan contra a Iugoslávia em 1999 foi um marco para um novo dogma durante a cúpula em Washington em 1999. Ficou então claro que a União Europeia nunca foi um “contrapeso democrático” aos EUA.

A Otan age como uma polícia global com colaboradores em todos os continentes, executando o seu plano de um “Grande Oriente Médio” e intervindo ativamente no Leste Europeu, no Cáucaso, e noutros lugares.

Nós apoiamos totalmente e subscrevemos a campanha em Portugal “Paz sim, Otan não” que congrega dezenas de movimentos e organizações sociais. Apelamos a todas as organizações amantes da paz para juntarem as suas vozes e forças neste apelo e para se encontrarem em novembro de 2010, em Lisboa.

Da redação, com informações do CMP

Fonte: Portal Vermelho

Atualizado em ( 08/10/2010 )

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APELO contra a NATO e a sua cimeira em Portugal 2010

Publicado por Márcia Silva em 09/17/2010

O Conselho Mundial da Paz e o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) saúdam as pessoas amantes da paz em todo o mundo e os movimentos da paz que lutam e continuam a denunciar as guerras imperialistas, as ocupações ilegais e a injustiça social, e apelam para que prossigam e fortaleçam os esforços e lutas comuns contra o imperialismo e os seus aparelhos, nomeadamente a NATO, a maior máquina de guerra no mundo.

O CMP denuncia perante os povos do mundo os crimes cometidos pela NATO, e que continua a cometer, contra a Humanidade sob o pretexto de proteger os “direitos humanos” e a luta contra o “terrorismo”, segundo a sua própria interpretação. Desde a sua fundação em 1949, a NATO tem sido uma organização ofensiva. Após 1991, com a sua nova doutrina militar, tornou-se o “xerife” dos interesses imperialistas no mundo. Esteve muitas vezes ligada a regimes sangrentos e ditatoriais, forças reaccionárias e juntas militares. Participou activamente no desmembramento da Jugoslávia, no bombardeamento bárbaro da Sérvia durante 78 dias, no derrube de regimes através de “revoluções laranja”, na ocupação do Afganistão. A NATO prossegue os seus planos para o “Grande Oriente Médio”, alargando o seu campo de acção através da “Parceria para a Paz” e a “cοoperação especial” na Ásia e América Latina, no Médio Oriente, Norte de África, bem como o “Exército Europeu”.

Todos os governos dos países membros partilham responsabilidades na NATO, independentemente do papel dirigente
da administração dos EUA. Quaisquer abordagens diferentes sobre algumas matérias apenas reflectem pontos de vista e rivalidades
próprias, mas levam sempre a um confronto agressivo conjunto contra os povos.

Condenamos a política da União Europeia, que coincide com a da NATO, e o Tratado de Lisboa, que anda de mãos dadas nos
aspectos políticos e militares. Os gastos militares da UE com as missões no estrangeiro aumentou entre 2002 e 2009 de 30 milhões
de euros para 300 milhões de euros.

Os povos e as forças amantes da paz em todo o mundo não aceitam a NATO e o seu papel de “xerife” do mundo. Rejeitam
qualquer tentativa de incorporar a NATO no sistema das Nações Unidas. Exigem a dissolução desta máquina de guerra ofensiva. Até o
falso pretexto do Pacto de Varsóvia já não existe hoje.

O Conselho Mundial da Paz e os seus membros e amigos irão organizar em dezenas de países várias iniciativas nacionais e
internacionais contra a NATO e o seu novo conceito estratégico, que se anuncia será aprovado na próxima cimeira em Portugal. Iremos organizar, conjuntamente com o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), iniciativas e conferências em Portugal e acções de massas antes e durante os dias da cimeira da NATO em Lisboa (Novembro de 2010).

Sob o lema : DISSOLVER a NATO, Inimiga dos Povos e da Paz! o CMP apela a todas as organizações nos países membros da NATO e em todo o mundo para que apoiem este apelo, sublinhando os seguintes aspectos:

A NATO tem sido uma força agressiva e reaccionária desde a sua fundação em 1949. O Tratado de Varsóvia foi criado depois e
dissolvido antes.

A NATO tem as suas mãos tingidas com o sangue de muitos povos durante 60 anos e não pode constituir “uma força da paz” no
quadro da ONU.

Apesar do domínio dos EUA, as agressões são levadas a cabo em conjunto com outras forças imperialistas, o que não muda o
carácter da NATO.

A NATO está directamente ligada à UE e vice-versa, já que um grande número de países da UE são igualmente membros da NATO,
bem como através das tendências militaristas e obrigações contidas no “Tratado de Lisboa”.

Todos os governos dos países membros da NATO são responsáveis pela sua acção; eles apoiam os seus planos imperialistas.

A Guerra da NATO contra a Jugoslávia em 1999 foi um marco para um novo dogma durante a cimeira em Washington em 1999.
Ficou então claro que a UE nunca foi um “contrapeso democrático” aos EUA.

A NATO age como um polícia global com colaboradores em todos os continentes, executando o seu plano de um “Grande Oriente
Médio” e intervindo activamente no Leste Europeu, no Cáucaso, e noutros lugares.

Nós apoiamos totalmente e subscrevemos a campanha em Portugal “Paz sim, NATO não” que congrega dezenas de movimentos
e organizações sociais. Apelamos a todas as organizações amantes da paz para juntarem as suas vozes e forças neste apelo e para se encontrarem em Novembro de 2010, em Lisboa

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CONVITE.SEMINÁRIO SOBRE A REVISÃO DO TNP

Publicado por Márcia Silva em 03/27/2010

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Curso de Política Internacional qualifica a atuação do Cebrapaz

Publicado por Márcia Silva em 03/23/2010

do portal vermelho

Depois de sete conferências — com o envolvimento de cerca de 45 participantes —, terminou neste domingo (21/3), em São Paulo, o primeiro módulo do Curso de Política Internacional do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz). Os debates envolveram dirigentes nacionais e estaduais da entidade, lideranças sociais, professores e estudantes universitários, além de especialistas em relações internacionais.

“Um curso de tão alto nível como este é um avanço para dar mais qualidade e relevância à nossa política e atuação”, comentou a presidente do Cebrapaz, Socorro Gomes, na conferência de encerramento. Socorro lembrou que o Cebrapaz está “em processo de construção” pelo Brasil, mantendo núcleos em 17 estados.

Atualmente, a entidade lidera a campanha “América Latina e Caribe, uma região de paz — Não às bases militares”, que foi iniciada no Brasil em dezembro e teve lançamento continental no mês seguinte, durante o Fórum Social Mundial 2010. O Cebrapaz também deve organizar, em abril, o seminário “A Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares”, em conjunto com o Senado Federal, a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação Alexandre Gusmão (Funag), ligada ao Ministério das Relações Exteriores.

Aos participantes do curso, Socorro explicou que a luta pela paz inclui “tanto a denúncia do agressor, do terrorismo de Estado, quanto as manifestações de solidariedade aos povos ocupados, saqueados”. A presidente do Cebrapaz alertou que o anseio pela paz é uma causa de amplos setores, e não apenas da esquerda. “Para justificar a guerra, os agressores já usaram o pretexto de conter o comunismo ou proteger o meio ambiente. O ‘inimigo’ de hoje seria o terrorismo, mas o que vemos é a importância estratégica dos países invadidos. Fazem a guerra hoje para saquear recursos naturais, sobretudo os energéticos.”

Segundo Socorro, “o maior inimigo da paz, nos dias de hoje, são os Estados Unidos, que respondem por 45% do orçamento militar global e já fizeram mais de mil intervenções militares. Não devemos responsabilizar o povo estadunidense. O obstáculo é o sistema. De acordo com o lingüista e filósofo Noam Chomsky, os Estados Unidos são um Estado obscurantista”.

Socorro Gomes frisou que as Nações Unidas, em seus “princípios fundamentais”, definiram que a paz tem “pressupostos”, como o respeito à soberania nacional. “É impossível haver paz em países sob ocupação ou ingerência.” O Cebrapaz também denuncia a falácia da “não-proliferação” de armas nucleares. “Fala-se muito em uso seguro da energia nuclear para fins pacíficos, mas o grupo de países que detêm as armas não pensa nunca em destruí-las. A ideia da ‘não-proliferação’ é deixar tudo como está, em benefício deles.”

O curso

Considerado por seus organizadores como uma iniciativa bem-sucedida, o Curso de Política Internacional do Cebrapaz teve início na sexta-feira (19/3). Paulo Visentini, doutor em História, fez a conferência inaugural sobre o tema “História da Guerra Fria — Da Segunda Guerra Mundial à Queda do Muro de Berlim”. Visentini tratou dos marcos da Guerra Fria, detalhando a política de contenção da União Soviética pelos Estados Unidos e a construção de uma ordem mundial baseada nos interesses do imperialismo, passando à história como o período da “Pax Americana”.

Na manhã de sábado (20/3), o jornalista Umberto Martins, especialista em Economia e Política Internacional, expôs os conceitos fundamentais do capitalismo e do imperialismo, baseado nas teorias de Karl Marx e Vladimir Lênin. Umberto fez uma abordagem das razões da crise do capitalismo, seu caráter sistêmico e estrutural, além de suas implicações na geopolítica.

O historiador Daniel Sebastiani fez um panorama histórico da luta pela paz e o socialismo. Detalhou a natureza agressiva do capitalismo em sua fase imperialista e apresentou os fundamentos gerais do socialismo científico, nos marcos da luta por uma nova sociedade.

As aulas da tarde de sábado foram dadas por dois dirigentes do Cebrapaz. O jornalista José Reinaldo Carvalho analisou as contradições políticas do mundo contemporâneo e destacou os conflitos internacionais da atualidade. Sua exposição teve tópicos como o sistema de dominação dos Estados Unidos, as contradições interimperialistas, a emergência de novos protagonistas no cenário internacional, as lutas dos povos por independência, direitos e transformações políticas e sociais.

Em seguida, o sociólogo Rubens Diniz discorreu sobre as novas agendas de segurança internacional, com ênfase nas concepções estratégicas dos Estados Unidos para a área, a política nuclear americana e suas implicações para a América Latina, em especial o Brasil. Rubens esmiuçou o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e seu papel na manutenção da ordem mundial.

A sexta conferência, já no domingo, coube ao mestrando em Geopolítica Ronaldo Carmona, que falou sobre a integração latino-americana e a política externa do governo Lula. Carmona se baseou no quadro político e no ascenso das forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas na região, discutindo os diversos e complementares processos de integração regional, o protagonismo brasileiro e as reações do imperialismo e das classes dominantes ao avanços dessa tendência.

Após a conferência de encerramento, a cargo de Socorro Gomes, os participantes do curso receberam certificados de conclusão do primeiro módulo do curso. Todas as aulas ocorreram no Hotel San Juan, próximo ao Metrô República, na região central de São Paulo.

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Cebrapaz e Itamaraty organizam seminário sobre armas nucleares

Publicado por Márcia Silva em 03/10/2010

do site do cebrapaz

O Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz) organiza, em abril, o seminário “A Revisão do Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares”, em conjunto com o Senado Federal, a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação Alexandre Gusmão (Funag), ligada ao Ministério das Relações Exteriores. O seminário antecede a reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) que tratará o tema em maio, em Nova York. Em paralelo, organizações realizam atividade pela eliminação das armas nucleares no mundo.

A presidente do Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz) e do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes e o senador Inácio Arruda (PCdoB/CE), participam hoje de reunião com o presidente da Funag, o embaixador Jerônimo Moscardo. O tema é a audiência pública promovida pelo Senado, pela UnB, pela fundação e pelo Cebrapaz, marcada para 7 de abril. A audiência terá formato de seminário e o tema é A Revisão do Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares.

Socorro Gomes explica que o papel deste seminário será “gerar subsídios para o processo de conferência que ocorrerá em maio, em Nova York”. A presidente do CMP participará da reunião da ONU, levando a opinião do movimento pela paz de uma política mundial de abolição das armas nucleares. A brasileira participará também da atividade paralela, até porque a entidade organizadora é o centro de luta pela paz dos EUA, o US Peace Concil, filiado ao CMP.

Presença importante já confirmada no seminário de abril é a coordenadora para os EUA da organização Prefeitos pela Paz e ativista da luta pela abolição das armas nucleares Jackie Cabasso, que participa da organização da atividade pela eliminação das armas nucleares que será realizada em Nova York.

A próxima reunião do Senador Inácio Arruda e da presidente do Cebrapaz, Socorro Gomes, já está marcada. Será com o Ministro das Relações Exetriores, Celso Amorim, no dia 24 de março.

De São Paulo, Luana Bonone

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CMP: “As Malvinas são parte indivisível da Argentina”

Publicado por Márcia Silva em 03/08/2010

do portal do cebrapaz

08/03/2010
O Conselho Mundial da Paz (CMP), presidido pela brasileira Socorro Gomes, lançou uma declaração sobre as Malvinas na qual presta solidariedade à Argentina e repudia a ofensiva imperialista inglesa na região. “O envio de barcos e plataformas de exploração de petróleo para saquear os recursos naturais existentes nas águas ao redor das Malvinas é um desrespeito às resoluções das Nações Unidas e ao direito internacional”, denuncia o documento.Segundo o CMP, “o colonialismo e as bases militares em terras estrangeiras são duas faces de uma mesma moeda, o imperialismo. Se opor a eles é lutar em defesa da paz!”. Daí a conclamação final do documento: “Reafirmamos a defesa da América do Sul como uma zona de paz e cooperação, livre de bases militares estrangeiras e do colonialismo. As Malvinas são parte indivisível da Argentina!”.

Leia abaixo a íntegra da nota.
Declaração do Conselho Mundial da Paz sobre as Malvinas

O Conselho Mundial da Paz vem a público manifestar o seu repúdio à atitude colonialista e belicista realizada pela Inglaterra nas últimas semanas frente à Argentina e seu território inseparável, as ilhas Malvinas.

Desde 1960, as Nações Unidas, através resolução 1514 faz o chamado a descolonização do mundo. No caso das Malvinas, em particular, a resolução determina que Inglaterra e Argentina negociem o fim da ocupação colonial e que as ações em torno ao arquipélago sejam tomadas de forma conjunta, nunca unilateralmente.

O envio de barcos e plataformas de exploração de petróleo para saquear os recursos naturais existentes nas águas ao redor das Malvinas é um desrespeito às resoluções das Nações Unidas e ao direito internacional. Tal fato, remonta à época em que navios corsários navegavam por estas águas saqueando riquezas a serviço da coroa britânica.

A questão das Malvinas torna visível um dos flagelos que ainda se mantêm no mundo, os resquícios coloniais. Na atualidade, as grandes potências fazem dos territórios que mantêm sob o julgo colonial grandes bases militares que dão suporte ao seu poder saqueador ao redor do mundo. Torna-se necessário e imperativo colocar este tema novamente em debate.

As ilhas Malvinas, em conjunto os demais arquipélagos de Georgia do Sul, Sandwich do Sul, Santa Helena, Tristão da Cunha e Ascensão, todos ocupados pela Inglaterra, formam um cinturão a serviço da Otan, que cerca e monitora as águas do Atlântico Sul. Somente nas Ilhas Malvinas existem aproximadamente 2 mil homens da Otan, um número espantoso, pois os Kelpers, população que vive na ilha, são aproximadamente 2.500 pessoas.

O colonialismo e as bases militares em terras estrangeiras são duas faces de uma mesma moeda, o imperialismo. Se opor a eles é lutar em defesa da paz!

Chamamos todas as forças progressistas ao redor do mundo a expressarem seu repudio ao jugo colonialista britânico. Como recentemente expressou o Grupo do Rio e a recém- criada Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e os 32 países que a compõem, “as Malvinas são parte indivisível do território argentino e seu direito deve ser respeitado”.

Recordamos que estamos ao final do Segundo Decênio Mundial (2000/2010), determinado pelas Nações Unidas como um tempo de eliminação do colonialismo (resolução 55/146). Demandamos aos Estados membros o cumprimento de tal resolução o intuito de livrar-nos do flagelo do colonialismo.

Reafirmamos a defesa da América do Sul como uma zona de paz e cooperação, livre de bases militares estrangeiras e do colonialismo.

As Malvinas são parte indivisível da Argentina!

Atualizado em ( 08/03/2010 )

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Socorro: apesar da cortina de fumaça, os povos despertam e lutam

Publicado por Márcia Silva em 02/20/2010

do portal do cebrapaz

 
19/02/2010
Em pronunciamento proferido nesta quinta-feira (18), na Reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz, a brasileira Socorro Gomes, presidente da entidade, alertou para o atual “quadro de agravamento dos problemas econômicos e sociais no mundo”, em um “momento em que se prenunciam novos conflitos”.Socorro, em contrapartida, assinalou que “os povos, apesar da cortina de fumaça cada vez mais densa, despertam e lutam. Do Oriente Médio à América Latina, da Europa, da África aos Estados Unidos, os povos estão em luta, o que consolida as nossas convicções de partidários da paz e lutadores por um mundo livre das guerras, e da opressão imperialista”.

Confira abaixo a íntegra do pronunciamento de Socorro:
Estimados companheiros e companheiras do Conselho da Paz do Nepal
Estimados companheiros e companheiras do Secretariado do Conselho Mundial da Paz

Em primeiro lugar, gostaria de expressar em nome do Conselho Mundial da Paz os agradecimentos ao Conselho da Paz do Nepal por organizar em seu país a reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz, em tão boas condições. Os nossos agradecimentos se estendem ao povo do Nepal, hospitaleiro e acolhedor, e às instituições democráticas de seu país. Congratulamo-nos com as vitórias do povo nepalês e desejamos êxitos na construção da República democrática e na caminhada para o desenvolvimento e o progresso social.

Esta reunião se realiza num quadro de agravamento dos problemas econômicos e sociais no mundo e num momento em que se prenunciam novos conflitos.

Apesar da profusão de notícias e análises sobre o mundo já estar vivendo a fase dita “pós-crise”, nas últimas semanas eclodiu o que se pode chamar o segundo ciclo da crise global, desta vez em países da União Europeia que chegaram a uma situação falimentar relativamente à dívida pública e ao déficit fiscal. As duas maiores economias da União Europeia sofreram acentuada recessão em 2009. A economia da França encolheu 2,2% e a da Alemanha 5%. O ônus de tal crise recai sobre os trabalhadores e as camadas mais pobres da população, que sofrem de maneira mais direta e dramática as conseqüências das medidas governamentais, entre elas a redução dos salários, o desemprego, a precarização dos serviços públicos, o corte dos direitos trabalhistas e previdenciários. Saudamos as lutas dos trabalhadores que se mobilizaram nos últimos dias em greves e manifestações. Os dramas sociais da crise e as lutas que provocam são efeitos inevitáveis das políticas aplicadas pelas mesmas forças imperialistas que investem grandes recursos na militarização do planeta. Recentemente, o governo dos Estados Unidos anunciou um gasto militar para o ano em curso da ordem de 708 bilhões de dólares, numa situação em que o país apresenta um déficit fiscal de 1 trilhão e 500 bilhões de dólares, equivalente a mais de 10 por cento do Produto Interno Bruto.

Companheiras e companheiros,

É neste ambiente que mais uma vez a humanidade ouve o rufar dos tambores de guerra. Numa reafirmação do seu propósito de manter o monopólio sobre as armas nucleares e dominar a região do Golfo Pérsico e do Oriente Médio, os Estados Unidos elevaram o tom das ameaças ao Irã e iniciaram uma escalada militarista na região que pode redundar em conseqüências funestas para a paz mundial e a segurança internacional. Ao tempo em que adotam novas e mais brutais sanções contra o país persa, empreendem intensa campanha diplomática e política para que a ONU ou países de per si façam o mesmo no plano bilateral. No aspecto militar, o governo de Barack Obama anunciou a instalação de um sistema anti-mísseis em quatro países do Golfo Pérsico e reforçou o chamado patrulhamento da costa iraniana por navios também habilitados a interceptar mísseis através de dispositivos militares de dissuassão e cerco. Não restam dúvidas de que tais ações constituem uma das mais brutais investidas de caráter político-militar nos últimos 12 meses. As promessas de paz e cooperação vão ficando para trás e cedendo lugar ao aspecto principal da política externa estadunidense: ameaças, intervencionismo e agressão.

Isto se expressa claramente no Afeganistão. Transformado pela atual Administração norte-americana no principal cenário da chamada “guerra ao terrorismo”, o país encontra-se sob a ocupação de cerca de 150 mil soldados dos exércitos dos Estados Unidos e da Otan. O aumento dos efetivos militares e das despesas com a guerra de ocupação atestam que são falsos os anúncios de que estaria em curso a preparação da retirada. Mancomunadas com um governo fantoche no cometimento de crimes de genocídio contra a população civil, as tropas invasoras defrontam-se com uma resistência nacional e popular cada vez mais intensa que lhes inflige pesadas baixas. Tanto no Afeganistão como no Iraque, que também permanece sob ocupação militar e onde se desenvolve ampla e encarniçada resistência, é mais atual do que nunca a exigência das suas populações, com o apoio dos partidários da paz em todo o mundo, de retirada imediata e completa de todas as tropas invasoras. As duas guerras iniciadas na era Bush e ainda em curso sob a nova Administração, transformaram-se num pesadelo estratégico dos Estados Unidos.

Recentemente, novo foco de conflitos voltou a eclodir na região denominada Chifre da África sob o pretexto de “luta contra terrorismo” e de “extirpar as células terroristas que se abrigam e atuam no Iêmen e a partir desse país se irradiam a outros países e regiões do mundo”, como apregoam os propagandistas do imperialismo. Em dezembro do ano passado os Estados Unidos realizaram bombardeios no Iêmen, provocando a morte de grande número de civis. Agora vêm à luz notícias de que o programa militar e de segurança do Pentágono para o Iêmen foi aumentado de 4,6 milhões de dólares para 67 milhões de dólares no ano passado. O Iêmen foi “elevado” à categoria de “prioridade”, segundo declarou o assistente do presidente Obama para a Segurança Nacional . Observa-se uma intensificação da atividade militar ao longo de mais de três mil quilômetros por todo o Oceano Indico. Em agosto do ano passado a Otan lançou sua segunda operação naval nas costas da Somália sob a denominação de “Escudo do Oceano”, com a participação de navios da Grã Bretanha, Grécia, Itália, Turquia e Estados Unidos. A operação prossegue, sem prazo para terminar.

O fato é que a região do Oceano Indico vem ocupando um crescente papel nas estratégias globais do imperialismo norte-americano. O Pentágono utiliza o estado de insegurança na região, muitas vezes provocado pelas próprias ações das potências imperialistas e de regimes títeres, como pretextopara policiar e intervir nas águas do Oceano Indico. . Com dificuldades para aplicar o plano estratégico do grande Oriente Médio, o imperialismo estadunidense volta-se também para a região do Oceano Indico, onde está decidido a alavancar o seu poderio naval.

As atenções do imperialismo norte-americano voltam-se também para o continente africano. Empobrecida pelo colonialismo, saqueada em seus recursos naturais, abandonada à própria sorte, a África possui, entretanto, imensas riquezas naturais, inclusive petróleo e minérios os mais diversos. Num intento que claramente visa a ocupar posições estratégicas e lançar-se num empreendimento neocolonialista, o imperialismo estadunidense decidiu criar o Africom, o Comando Africano. Trata-se de instalar na África unidades do exército dos Estados Unidos, altamente equipadas, permanentemente estacionadas no continente a fim de garantir, se necessário através da força, os interesses dos Estados Unidos na região. Uma vez mais, o objetivo proclamado é o “combate ao terrorismo”. Não passa, porém, de mais um conjunto de bases militares no exterior e de uma força de intervenção.

Companheiras e companheiros,

Há pouco mais de um mês a humanidade comoveu-se com a tragédia do povo haitiano, acometido por um terremoto de inauditas proporções que ceifou as vidas de mais de 200 mil pessoas e provocou enormes prejuízos materiais, dizimando praticamente a infra-estrutura já precária de um país empobrecido pelo colonialismo, pela dominação imperialista estadunidense e a pilhagem de elites domésticas ditatoriais e corruptas mancomunadas e submissas à potência do norte. Enquanto em vários países e no próprio Haiti estendiam-se as manifestações de solidariedade, em menos de 24 horas depois do sismo, militares dos Estados Unidos assumiam controle do aeroporto de Porto Príncipe. E para que? Para garantir a salvação e o repatriamento de cidadãos estadunidenses em serviço no país. Assim agiram os militares norte-americanos em detrimento da chegada da ajuda em comida e medicamentos provenientes de vários países. O fato gerou protestos das Nações Unidas, do Brasil e da França.

Em poucos dias desembarcaram no Haiti 12 mil soldados e anuncia-se que outros tantos ainda serão enviados. Para o Haiti estão sendo deslocados também porta-aviões nuclear, submarinos e outras embarcações de guerra.

Na verdade, o imperialismo norte-americano aproveitou-se da tragédia haitiana para fazer o que não pôde ser feito em 2004. Naquela ocasião, depois de ajudar a depor o presidente Bertrand Aristide e integrar uma força de ocupação em conjunto com a França, os Estados Unidos, empantanados que estavam na guerra ao Iraque, aceitaram a proposta das Nações Unidas de criar uma Missão sob o comando do Brasil e composta principalmente por países latino-americanos para pacificar o país, dilacerado por uma guerra civil, e estabilizá-lo através da cooperação econômica internacional.

Os Estados Unidos consideram o Mar do Caribe como “Mare Nostrum”, o primeiro perímetro fora de suas fronteiras. Na verdade, pretendem que o Mar do Caribe seja uma extensão do seu território, um mar que faça parte das suas próprias águas territoriais. Ao ocupar militarmente o Haiti usando pretextos humanitários, uma vez mais os Estados Unidos menosprezam o direito internacional e atropelam a ONU.

A ocupação militar do Haiti não pode ser vista fora do contexto da política intervencionista para a região da América Latina e Caribe, cuja prioridade é o cerco a Cuba e à Revolução Bolivariana Venezuelana. Nesse mesmo contexto se inscrevem a criação da Quarta Frota, das bases militares na Colômbia, o acordo militar com o Panamá e a existência de mais de uma dezena de outras bases militares em países caribenhos e latino-americanos .

A toda essa escalada militarista e preparativos para o desencadeamento de guerras de agressão contra os povos e nações soberanas, soma-se uma ofensiva conservadora dentro da própria sociedade norte-americana. Chama a atenção a virulência dos ataques à democracia, ao progresso social, aos direitos civis, à igualdade social, à soberania das nações e à paz mundial observada durante a realização do congresso dos ultraconservadores dos Estados Unidos na denominada Festa do Chá (Tea Party), feita sob a bandeira da “contra-revolução” americana, como proclamaram os principais oradores. Tal fato não deve ser observado dentro da lógica binária nem da polarização eleitoral entre democratas e republicanos, mas desperta a preocupação dos partidários da paz, pois neles estão incubados os germens do fascismo à moda americana.

Companheiras e companheiros,

Dentro de três meses, entre os dias 3 e 28 de maio, realizar-se-á em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas, a 8ª Conferência para a Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, o TNP. Paralelamente, entre os dias 30 e 1º de maio, distintos movimentos organizam a Conferência “Desarmamento Agora”. Tendo como pilares a não proliferação, o desarmamento e o uso da energia nuclear para fins pacíficos, o TNP é na verdade um Tratado desigual, assimétrico, pois busca “congelar” a ordem internacional entre estados nuclearmente armados e estados não nucleares. Sua prioridade na não proliferação em detrimento do desarmamento consolida a existência de um seleto clube de potências nucleares. O CMP reafirma seu engajamento na luta pela eliminação das armas nucleares, a começar pelas grandes potências. O teor do Apelo de Estocolmo, lançado pelo CMP quando da sua fundação, permanece atual.

Companheiras e companheiros,

A ofensiva política do imperialismo e o desenvolvimento da tendência à militarização e a guerra atestam o grave momento que vive a humanidade, ameaçada em sua sobrevivência. São ameaças na vida cotidiana, relacionadas com políticas imperialistas que põem em perigo também a paz mundial, o equilíbrio ambiental, a segurança internacional, os direitos sociais, a democracia e a independência nacional.

O imperialismo norte-americano faz na atualidade um discurso hipócrita visando a confundir os povos e anestesiar as consciências, a fim de preservar intacto o seu sistema de dominação. Enquanto exibe uma fachada de democrata, multilateralista e cumpridor do direito internacional, pratica atos e protagoniza fatos que apontam no sentido contrário.

Os Estados Unidos fazem de tudo para semear a ilusão num “império benevolente”, uma potência imperial magnânima e democrática, construtiva, garantidora da estabilidade, da paz e da segurança de todos. Não uma potência dominante, mas uma fiadora do equilíbrio de poder, capaz de oferecer a segurança como um bem público a ser fruído por todos. Assim, embaralha as cartas, mistura as pedras do tabuleiro e faz com que se confundam agredidos e agressores, e apresenta sua política intervencionista como operações de salvação com conteúdo solidário e humanitário. Nada disso, porém, é novo na prática de política externa do Partido democrata. Com discurso multilateralista o ex-presidente Clinton seguiu a trilha do unilateralismo inaugurado pelo primeiro Bush no início da década de 90 do século passado. Elevou os gastos militares, expandiu a Otan, ignorou o Conselho de Segurança da ONU na operação “Desert Fox” em 1998 contra o Iraque e na guerra contra a ex-Iugoslávia em 1999.

Diante da falsidade do discurso do ocupante atual da Casa Branca e dos graves atentados à paz mundial, o CMP reafirma seu engajamento na luta pela paz e na solidariedade aos povos ameaçados e agredidos pelo imperialismo.

Os povos, apesar da cortina de fumaça cada vez mais densa, despertam e lutam. Do Oriente Médio à América Latina, da Europa, da África aos Estados Unidos, os povos estão em luta, o que consolida as nossas convicções de partidários da paz e lutadores por um mundo livre das guerras, e da opressão imperialista.

Muito obrigada!

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Socorro: “É preciso deter a escalada militar do imperialismo”

Publicado por Márcia Silva em 02/17/2010

do portal vermelho

 A brasileira Socorro Gomes chegou nesta quarta-feira (17) ao Nepal, onde participa da reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz — organização que preside desde abril de 2008.

Momentos antes de partir do Brasil, Socorro — que também é presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz) — concedeu uma entrevista exclusiva ao Vermelho.

Liderada pelo Cebrapaz, campanha contra as bases mobiliza mais de cem entidades

Na sequência da reunião, ela tomará a palavra também na Conferência Asiática pela Paz, convocada pelo Conselho da Paz do Nepal.

Este longínquo país recentemente pôs abaixo a monarquia, proclamou a República e é governado por uma coalizão de partidos de esquerda, na qual o primeiro-ministro é um dirigente do Partido Comunista do Nepal (Unificado, Marxista-leninista).

Confira a entrevista.

 Vermelho – A reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz realiza-se no mesmo momento em que está em curso uma grande ofensiva militar no Afeganistão. Que posição será adotada pelo CMP?

Socorro Gomes – É uma ofensiva brutal — segundo os analistas, a maior desde o início da guerra em 2001. Houve intensos bombardeios aéreos e agora estão em curso operações terrestres na cidade de Mariah, província de Helmand, sul do Afeganistão. São mais de 30 mil soldados envolvidos. Como sempre, a população civil está sendo vítima, apesar da propaganda feita pelas forças de ocupação de que o alvo seriam “apenas” as milícias do Talibã. A ofensiva sobre Mariah representa uma nova escalada da guerra de ocupação do imperialismo norte-americano e seus aliados da OTAN no Afeganistão, comprovando que a opção militarista e belicista continua sendo a tônica das políticas dos Estados Unidos. Do mesmo modo que a obsessão de Bush era vencer a todo o custo a guerra no Iraque, parece que a de Obama é ganhar no Afeganistão. O mundo continua inseguro, a humanidade continua ameaçada por políticas e ações de caráter agressivo. É preciso deter a escalada militar do imperialismo. O Conselho Mundial da Paz condena essa escalada e exige a retirada de todas as tropas de ocupação do Afeganistão e do Iraque.

Vermelho – Há uma escalada também das ameaças contra o Irã. O tema faz parte das discussões no CMP?

Socorro Gomes – Como não?! É uma das principais preocupações dos partidários da paz em todo o mundo e obviamente do CMP. As ameaças dos Estados Unidos ao Irã podem acarretar consequências funestas não só para esse país e a região do Golfo Pérsico, mas afetam a segurança internacional e a paz mundial. A secretária de Estado dos Estados Unidos iniciou um périplo na região para pressionar os países a adotarem sanções contra o Irã. Neste momento, toda a diplomacia dos Estados Unidos encontra-se voltada para tal objetivo. São pressões sobre o Conselho de Segurança da ONU e sobre todos os países para que sejam adotadas sanções coletivas ou unilaterais contra o Irã. Simultaneamente, intensificam-se as pressões militares. Há poucas semanas a Casa Branca e o Pentágono anunciaram a instalação de um sistema antimísseis em quatro países do Golfo Pérsico e reforçaram o patrulhamento na costa iraniana. Também neste caso, as promessas de paz e cooperação internacional vão ficando para trás e cedendo lugar aos aspectos principais da política externa dos Estados Unidos: ameaças, intervencionismo e agressão.

Vermelho – Desde dezembro de 2009, parece que mais um país, o Iêmen, entrou no foco das atenções dos Estados Unidos, onde houve até bombardeios sob o pretexto de extirpar células terroristas da Al Qaeda abrigadas naquele país.

 Socorro Gomes – Efetivamente. Os bombardeios foram realizados antes mesmo do frustrado atentado numa aeronave em dezembro passado e que foi tomado como pretexto para uma escalada da “luta antiterrorista”. O programa militar e de segurança do Pentágono para o Iêmen aumentou em um ano de US$ 4,6 milhões para US$ 67 milhões, e o país foi guindado à categoria de prioridade, segundo declarações do assistente do presidente Obama para a Segurança Nacional. O novo papel do Iêmen na estratégia de Washington tem a ver na verdade com um plano dos Estados Unidos de aumentar a presença militar na região conhecida como Chifre da África e a partir daí em todo o Oceano Índico. Desde agosto do ano passado, a Otan desenvolve, sem prazo para terminar, operações navais nas costas da Somália sob a denominação de “Escudo do Oceano”, com a participação de navios de guerra da Grã Bretanha, Grécia, Itália, Turquia e Estados Unidos. Com o aumento do poderio da China e da Índia, o Pentágono trabalha com cenários de incremento das rivalidades militares nas águas do Oceano Indico e decidiu que uma das suas mais importantes tarefas é incrementar ali o seu poderio naval. É no Indico que tem lugar o maior fluxo do comércio de petróleo.

Vermelho – De 3 a 28 de maio deste ano terá lugar em Nova York, na sede das Nações Unidas, a 8ª Conferência para a Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o TNP. Paralelamente, entre os dias 30 de abril e 1º de maio movimentos sociais e organizações não-governamentais realizam a conferência Desarmamento Agora. Qual a participação do CMP em tais eventos e que posição tem sobre o delicado tema das armas nucleares?

 Socorro Gomes – O CMP é membro do Ecosoc das Nações Unidas e, como tal, acompanha as atividades da ONU. E, como organização mundial que reúne os partidários da paz, também tomará parte, com posições próprias e construtivas, na conferência Desarmamento Agora. A nossa posição sobre o tema vem do próprio ato de fundação do CMP, há 60 anos, que nasceu sob o signo da luta contra as armas nucleares. A maior ação em prol da paz no mundo realizada na segunda metade do século 20 foi o recolhimento de assinaturas para o Apelo de Estocolmo, um manifesto de poucas linhas, que demandava o fim das armas nucleares. O Apelo de Estocolmo recebeu mais de 600 milhões de assinaturas. Ainda hoje, o CMP reafirma o seu engajamento na luta pela eliminação das armas nucleares. Quanto ao TNP, sendo obviamente favorável à não-proliferação, o CMP condena o caráter assimétrico e desigual do Tratado — que na verdade congela a ordem internacional entre estados possuidores de armas nucleares e estados não possuidores. Para os povos e nações que lutam pela independência, o progresso e a paz, a posição justa é a defesa do desarmamento e da eliminação de todas as armas nucleares.

Vermelho – Que outras questões merecem destaque na pauta do CMP?

Socorro Gomes – Sem nenhuma dúvida, a realização da cúpula da Otan neste ano em Portugal e a intensificação da presença militar dos Estados Unidos na África e na América Latina. Recentemente, o imperialismo estadunidense decidiu criar o Africom, o Comando Africano, que consistirá na instalação de um conjunto de unidades do exército dos Estados Unidos, altamente equipadas no continente africano para garantir os planos neocolonialistas, o saque das riquezas dos países africanos, se necessário pela força. Operações e bases militares dos Estados Unidos na África têm sido realizadas e instaladas desde 2002 em países como Djibuti, Eritreia, Etiópia, Sudão, Quênia, Tanzânia, Uganda, Somália, Iêmen, Mauritânia, Mali, Níger, Chade, Senegal, Tunísia e Argélia. Quanto à nossa América, o CMP reafirmará a luta contra a Quarta Frota, as sete bases militares recém-instaladas na Colômbia e outras bases militares na região. Combatemos todo esse processo de militarização, que visa a intimidar os povos e os governos progressistas no continente. Manifestaremos a solidariedade com o povo haitiano acometido pela tragédia do terremoto de 12 de janeiro e agora sob a ocupação militar de mais de 10 mil soldados dos Estados Unidos. Todo esse cenário confirma o acerto da campanha “América Latina e Caribe — Uma Região de paz. Não às Bases Militares Estrangeiras”, protagonizada pelo Cebrapaz e por quase uma centena de entidades, movimentos e redes do Brasil e de toda a América Latina e Caribe.

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